Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 26 MAR 2019 - 12H49

São Pedro e São Paulo

São Pedro e São PauloFesta São Pedro e São Paulo

 Mt 16,13-19

Tem grande importância no calendário cristão a data comemorativa da dupla inseparável de apóstolos: Pedro e Paulo. Eles e os demais apóstolos fundamentam nossa unidade eclesial. Não estamos divididos em seitas, igrejolas, e denominações religiosas diversificadas. Somos uma Igreja una, onde se agregam na fé cristã milhões e milhões de fiéis, em todos os continentes, raças, povos e culturas. Livres na sua consciência e fiéis de verdade e não só por rótulo religioso.

Cabe à Igreja católica o mandato de ensinar o evangelho, mandato conferido por Jesus na pessoa dos apóstolos. Por isso, sob a inspiração do Espírito Santo, o papa, os bispos, sacerdotes e leigos guardam o “depósito da fé”. Assim acreditamos. O papa é humano. É falível: pode se enganar. É uma pessoa limitada. Mas a ele foi confiada a função de pastorear o rebanho de Cristo no mundo todo. É o irmão mais velho que nos orienta, aconselha, ensina e governa. Ensinar, segundo o mandato de Cristo consignado no Evangelho, é antes de tudo orientar a consciência cristã da Igreja, a barca de Pedro. Como o piloto guia o navio em alto mar nas ondas instáveis, o Papa deve ter a mão firme guiando a Igreja, em meio às tormentas, aos problemas, aos desafios, às perguntas e angústias de um mundo conturbado. O Papa é o timoneiro da paz!

No fim de junho ou no início de julho nossas comunidades invocam São Pedro e São Paulo, os dois campeões da fé! São inseparáveis na liturgia. A festa deles é mais antiga na história da Igreja que o próprio Natal. Já era celebrada em Roma século IV da era cristã. Eles merecem nossa veneração porque deram um testemunho corajoso do Mestre até o martírio. Há três listas no Novo Testamento com o nome dos apóstolos chamados por Jesus. O nome de Pedro vem em 1º lugar nas três listas. E em diversas outras passagens Pedro é sempre o 1º nome de um grupo. Foi constituído por Jesus como o líder dos outros. Portanto, ele e seus sucessores, os papas, são o ponto de união da Igreja com o seu fundador, o Cristo. Enfim, a Pedro coube explicitamente o que nós chamamos de: primado. Ler em Mt 16,13-19.

O texto nos apresenta Pedro reconhecendo Jesus como o Filho de Deus. Fez esse ato de fé antes dos demais apóstolos. Mesmo se naquele momento o conteúdo dessa fé não fosse ainda esclarecido e pleno antes da ressurreição do Senhor. Recompensando esta entrega na fé, Jesus elogiou o apóstolo pescador. Considerou-o um homem feliz porque tinha a sabedoria e os critérios de Deus no coração. E lhe prometeu que seria o alicerce da sua Igreja e teria as chaves do Reino dos céus.  

Por essas palavras simbólicas ficou expresso, segundo a interpretação comum, o poder de reunir e organizar a comunhão dos fiéis num só coração e numa só alma. Toda vida eclesial, até na comunidade rural mais pequenina e humilde, existe por causa desse poder: o primado do Papa. A vida eclesial, a unidade e presença nossa entre os homens, não são garantidas por um poder armado, uma coerção meramente jurídica. A vivência eclesial nas dioceses, paróquias e comunidades não é fruto de normas, ritos e obrigações religiosas. Como se a Diocese e a paróquia fossem uma repartição, uma filial à maneira das entidades civis apenas.  A Igreja católica é católica, isto é: está presente no mundo inteiro há mais de 20 séculos; é Una desde os apóstolos porque seu fundamento visível é a cátedra de Pedro. É a palavra, são os ensinamentos, é a orientação moral do Papa unido aos bispos, tentando perceber o sopro do Espírito Santo que fala na vida dos fiéis e santifica a Igreja em todos os tempos.

Não nos reunimos só para ritos e atos religiosos exteriores. A missa e as demais celebrações católicas não são feitas para satisfazer emoções, responder aos sentimentos, às conveniências ou mesmo necessidades de ordem mística. A presença da Igreja na voz do papa falando por ela aos homens é uma resposta continuada da fé em Jesus Cristo. No exercício do seu Magistério o Papa jamais poderá instrumentalizar de modo que não seja pastoral a prática religiosa! Os apóstolos e Pedro distinguiram a personalidade do Mestre e perceberam algo do seu mistério. “Quem dizem os homens que é o Filho do homem” “Quem dizeis vós que eu sou?”. Em nome do grupo, Pedro deu a resposta certa: fez uma profissão de fé cristã. Não adotou as opiniões correntes, não duvidou temeroso de possíveis críticas. Assim deve ser hoje nosso ato de fé em Jesus Cristo e nosso amor à Igreja de São Pedro, dos apóstolos, de Maria e dos santos todos.

 

Na teologia católica e no estudo da Mariologia é comum dizer-se que a unidade visível da Igreja se assenta em dois princípios: o petrino e o mariano.

Na teologia católica e no estudo da Mariologia é comum dizer-se que a unidade visível da Igreja se assenta em dois princípios: o petrino e o mariano. O primeiro vem do primado de São Pedro e garante no mundo o ensino da cátedra de Roma. O segundo é dado pelo papel de Maria, em sua maternidade divino-humana, em sua condição de modelo de vida cristã como primeira discípula de Jesus. Em 1987 São João Paulo II reconhecia que “A Igreja vive desse autêntico perfil mariano, desta dimensão mariana! Este perfil é tão - se não mais- fundamental e característico para a Igreja quanto o perfil petrino, ao qual está profundamente unido”, disse São João Paulo II. Por ser inseparável de Jesus, a Virgem Maria está mais perto de nós e mais dentro da Igreja da qual ela é tipo e modelo. Sendo a primeira cristã é “iluminada, iluminadora, inspiradora de quem quer amar e andar com Jesus”.

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