Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 02 OUT 2017 - 12H29

Sem tempo para desamarrar as sandálias e descansar

Pastor e as ovelhas

Homilia 16º DTC- Ano B 

Marcos, 6,30-34

                       Sem tempo para desamarrar as sandálias e descansar.

Para nós cristãos a semana tanto começa quanto termina no domingo. Nesse dia a luz da Palavra de Deus se projeta sobre os caminhos já andados e por andar à luz do Evangelho. Seguindo Jesus. Vivendo seu amor, na certeza de sua presença entre nós. Se o procuramos, Ele está por perto. Está próximo de nós. O Evangelho de Marcos o acompanha sempre perto das pessoas, rodeado da multidão. Gente necessitada e sofrida, com fome no corpo e na alma. E para todos os que o procuravam, a mesma acolhida: “Jesus viu uma numerosa multidão (que o esperava) e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor”. O pastor à frente das ovelhas! Imagem familiar na Bíblia. Mas, um rebanho sem o pastor fica abandonado, confuso e errante. Eis o retrato do povo bíblico no tempo de Jesus! Tempo do anúncio do Evangelho.

O povo de Israel se originara de tribos nômades cujos patriarcas ou ancestrais foram pastores. Um cotidiano sempre envolvido com criação de rebanhos, ovelhas, busca de boas pastagens etc. encheu de simbolismos também a literatura do povo hebreu. Não por acaso os profetas tentavam corrigir os líderes políticos e as autoridades comparados com maus pastores porque não cumpriam seu papel, abandonando o povo e enriquecendo-se à sua custa. Um exemplo é a palavra do profeta Jeremias na primeira leitura: “Isto diz o Senhor, Deus de Israel, aos pastores que apascentam o meu povo: vós dispersastes o meu rebanho, o afugentastes e não cuidastes dele... Vou castigar a malícia de vossas ações” (23,2). E para reverter a situação de abandono do povo bíblico os profetas anunciam a vinda futura de um rei-pastor, um rei messiânico, sucessor da dinastia do grande rei Davi, que também fora pastor. Os livros do Novo Testamento ligam esta promessa a Jesus. Nesse sentido São Marcos vê o trabalho de Jesus em meio ao povo sofrido, rodeado de pessoas sem recursos, abandonado pelos líderes civis e religiosos. Leia: Marcos, 6, 30-34.

Este breve texto está ligado à narrativa do envio dos discípulos para uma missão e o milagre da multiplicação dos pães. Entre um episódio e outro Marcos nos conta a festa de aniversário do rei Herodes. No banquete da festa o rei mandou cortar a cabeça do profeta João Batista. Este fora preso porque denunciava publicamente o desgoverno e a conduta imoral de Herodes. Logo, estamos num cenário altamente politizado do evangelho de Marcos. O cenário, de um lado apresenta um “rei mau pastor”, aproveitador do povo, e de outro o “bom pastor Jesus” com seus discípulos dando atenção ao povo sofrido e abandonado. Fica traçada por Marcos a ação pastoral das comunidades em relação à política social.

Os discípulos tinham voltado do trabalho missionário. Sentiram-se ao mesmo tempo cansados e entusiasmados. A partilha de muitas novidades tornava o grupo mais unido. Na alegria da convivência amiga prestaram contas do que tinham feito. A equipe tornara-se mais consciente a serviço do Mestre. Nesse clima seria muito bom um descanso em comum. Não tiveram chance. O povo procurou Jesus e o achou com os discípulos. Lá se foi o descanso sonhado. Marcos vê na cena uma situação de emergência. Jesus atendeu por compaixão daquela gente: “eram como ovelhas sem pastor” (v.34). Há aqui uma indicação de catequese. A Igreja deve estar sempre disposta a servir aos mais desservidos pelos governantes que agem como maus pastores na sua função pública. Casos em que os mais humildes e pobres são os mais penalizados. Toda comunidade realmente cristã vai zelar por esta coerência com Jesus e estimar o “envio missionário”.

              Maria, missionária do cotidiano.

Maria não foi “enviada” em incursão de pastoreio como os discípulos. Mas, desde o primeiro momento do chamado ela foi a missionária do Reino. Não lhe foi pedido proclamar o anúncio, mas assumiu o silêncio de uma vida oculta toda consagrada a Jesus. Sem dúvida terá compartilhado com o Filho as expectativas das suas idas e vindas de “bom pastor”, que sabia ouvir, ensinar e confortar os espíritos abatidos. Ele mesmo definiu a prioridade da sua missão: evangelizar os pobres e proclamar o ano da graça do Senhor (Lucas, 4,18). A Igreja convocada a sair em missão teve em Pentecostes a cooperação de Maria. Recebeu dela um selo mariano que a identificou profundamente, pois Maria nos ensina o primado da Palavra em nossa vida como discípulos-missionários. (DA,nºs 267 e 271).

                                                                                                                                            19-06-2015

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