Por Dom Raymundo Damasceno Assis Em Homilias Atualizada em 26 MAR 2019 - 14H02

12º. DOMINGO DO TEMPO COMUM – 22/06/2014

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A liturgia da palavra deste domingo nos convida a colocar nossa confiança em Deus, diante das provações e, fortalecidos pelo Espírito Santo, a dar testemunho do evangelho perante o mundo de hoje, sem medo, sem covardia. O texto da 1ª leitura faz parte das “Confissões” do profeta  Jeremias que exprimem o drama interior vivido pelo profeta. Jeremias exerceu a sua missão no século 6º. a. C., no período  de maior deportação do povo de Israel para a Babilônia. Ao predizer que a ruína de Israel e sua dominação por Babilônia, era consequência da infidelidade e do abandono, por  parte do rei e do povo, do único e verdadeiro Deus, Jeremias atraiu sobre si muitos inimigos e passou por toda sorte de sofrimentos: tortura, prisão, ameaça de morte.

Diante de tanto sofrimento, Jeremias, porém, não abandonou sua missão; ele permaneceu  fiel a Deus que nunca abandona aqueles que Nele confiam.

“O Senhor – afirma o profeta na primeira leitura – está ao meu lado como forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos.” Não é um grito de vingança do profeta contra seus perseguidores, mas um apelo a Deus que é solidário com o justo sofredor, para que faça justiça.

O evangelho  nos fala da missão que Jesus confiou aos apóstolos e também a nós que somos discípulos, seguidores de Jesus. Esta missão de assumir  e testemunhar o evangelho não é fácil, nos adverte Jesus. “Não tenhais medo”, repete Jesus três vezes no evangelho de  hoje. Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma, isto é, tirar a vida propriamente dita,  a nossa relação com Deus pela graça. Essa não pode ser eliminada definitivamente. Jesus com sua morte e ressurreição nos abriu as portas da verdadeira vida, a vida para sempre junto de Deus, que continua para além da vida física neste mundo.

Com a força do Espírito Santo, o discípulo de Cristo é chamado a proclamar sobre os telhados a mensagem que os apóstolos receberam de Jesus e que chegou até nós. Agora, cabe a nós, batizados, discípulos missionários de Jesus Cristo,  anunciar e testemunhar o evangelho, sem medo, no mundo de hoje.

Queridos irmãos (as), vivendo num mundo marcado pelo individualismo, o relativismo, alguns pretendem “reduzir a missão  da Igreja ao interior dos templos ou limitar a religião à intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem preocupação com a saúde das instituições da sociedade civil, sem se pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos. Uma fé autêntica – nunca é cômoda e individualista – a fé comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela.” (EG 183)

O evangelho é, antes de tudo, a  boa notícia do amor de Deus a todos os homens, manifestado em Jesus, nosso salvador. Mas é também, contestação a um mundo que se deixa conduzir por falsos valores, contrários ao evangelho.

Deus é nosso Pai, que  nos ama e nos protege. Se Ele cuida até das pequenas criaturas, como os pardais, quanto mais Ele cuidará de seus filhos, resgatados com o sangue de Cristo.

Testemunhar o evangelho na família, no ambiente de trabalho e na sociedade em geral, nunca foi fácil; ao contrário, exige fidelidade, coragem  e até heroísmo.

No evangelho de hoje, Jesus nos garante que se permanecermos fiéis e unidos a Ele durante nossa vida, apesar das dificuldades que devemos enfrentar, Ele se colocará ao nosso lado, será nosso advogado diante de Deus seu Pai e nosso Pai. “Aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu, disse Jesus, me declararei em favor dele diante do meu Pai que está no céu.”

Deus quer o nosso bem, a nossa salvação. Peçamos-lhe nesta Eucaristia que nos dê a graça de nos mantermos  fiéis até  o fim da nossa vida, a exemplo do próprio  Cristo que foi fiel à missão que o Pai lhe confiou até o fim da sua vida terrena, a exemplo do profeta  Jeremias que não abandonou sua missão, nem deixou de confiar em Deus em meio a tantas tribulações e  da Virgem Maria que se manteve fiel a sua missão até o pé da cruz.

 

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