Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna – CSsR Em Homilias

21º domingo comum – Primado de Pedro: chave da comunhão eclesial

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21º Domingo tempo comum – Ano A – (Mt.16, 13-20)           

               Primado de Pedro: chave da comunhão eclesial

Resistindo à competição feroz de poder, dinheiro, fama, mercado em que se debatem grupos e organizações, nós cristãos formamos a Igreja. Uma entidade visibilizada não pela disputa e prestígio de poder e sim pelo nosso testemunho de fé nos valores do Evangelho. Vivendo o mistério da sua origem e permanência a Igreja exige uma hierarquia ou uma forma de governo.

Jesus deu a Pedro unido aos demais apóstolos, as “chaves desta sua Igreja”. Chave é símbolo do poder misterioso que reúne, organiza e preside a comunhão dos fiéis num só coração e numa só alma. A vida eclesial comunitária está ligada ao “poder das chaves”. Até mesmo na menor e mais pobre comunidade a vida eclesial persiste mundo afora. Esta unidade visível da Igreja não é imposta por meio de dogmas, ritos, normas ou proibições do Papa, ou dos Bispos. Há uma só fé em Cristo na Igreja por ele fundada porque ele mesmo deu esse fundamento e o tornou visível sob o magistério daquilo que se chama: a cátedra de Pedro.

Os apóstolos escolhidos por Jesus formaram a comunidade original cristã. Dispersados fora de Jerusalém cada apóstolo reuniu, ensinou, orientou as pessoas que acreditavam no anúncio de Jesus Cristo.  Assim, a partir da Judéia e da Samaria outras tantas comunidades foram surgindo e se espalhando no Império Romano. Portanto, na raiz de nossa árvore genealógica cristã, está um apóstolo. Estão na verdade eles todos. Está Pedro, o porta-voz da primeira comunidade e designado pelo próprio Mestre, conforme se escreve no evangelho de Mateus 16,18: “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la.”

Esta é a fonte misteriosa e invisível da unidade ou da presença multissecular da Igreja católica, apostólica e romana: a cátedra de Pedro. Ela terá as “chaves de Jesus”, chaves do reino ou do céu, no mundo dos homens. E só poderá ser a Igreja, a cátedra, enquanto difundir o ensino dele! Não o dos homens com seus interesses! Não, os objetivos de dinheiro e poder mascarados muitas vezes sob argumentos de cultura, democracia, liberdade de expressão, conquistas sociais etc. Não raro com desprezo aos valores éticos. Toda comunidade cristã, em qualquer tempo, cultura e povo, recebe sua fé, os ensinamentos, a doutrina de Jesus através de uma corrente humana que vem lá de Pedro, dos apóstolos, da 1ª comunidade apostólica. O texto bíblico fundamento de nossa unidade visível é: Mateus 16,13-20.

 

Ele é o Messias! O “salvador esperado”

Pedro foi o primeiro a reconhecer Jesus Cristo como “Filho de Deus” Está aí a essência do ato de fé cristão! Jesus não é apenas uma grande figura da História, alguém extraordinário. Um homem de Deus. Ele é o Messias! O “salvador esperado” por séculos na história e literatura bíblicas. Embora não tivesse ainda o alcance dado pela ressurreição do Senhor, o ato de fé pronunciado por Pedro é o modelo do nosso. O texto deixa isso claro no elogio de Jesus: Pedro era um homem feliz por acreditar nele. Feliz sim, não tanto por merecimento pessoal do discípulo que tinha lá suas perspectivas político nacionalistas, mas porque acolhia os critérios de Deus. Envolvido na sua cultura, educado nos costumes e nas tradições da sua gente, o apóstolo Pedro – e com ele os outros-, puderam perceber e aceitar na pessoa de Jesus, o dom de crer, o dom de reconhecer em primeira mão a sua verdadeira identidade. “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo!” (v.16)

Mateus retrata aqui o que as primeiras comunidades cristãs da Igreja pensavam sobre a função do Papa e do governo da Igreja, já no 1º século uns 30 anos após a morte do Senhor. Fazendo um jogo com as palavras “Pedro e pedra” Jesus afirmou que Pedro seria a “pedra”, ou o alicerce sobre o qual seria construída a própria Igreja. Pedra, rocha, alicerce são símbolos de uma única autoridade na Igreja. Enfim, tudo o que a comunidade-Igreja formada pelos que acreditarem como Pedro no Messias-Jesus, tudo o que decidir e ligar na terra receberá o aval divino. A Igreja possuirá as chaves do céu, ou seja, a autoridade divina. Terá o poder de perdoar ou condenar – próprio da justiça divina. Não só a “igreja-instituição” ou igreja hierarquia. Mas a Igreja enquanto comunidade dos que creem em Jesus. Jamais será vencida ou dominada pelo esquema de poder contraditório à fé em Jesus, à justiça do Reino. O testemunho contínuo dessa fé em meio aos homens, na História, faz nascer e renascer continuamente a Igreja católica.

Este é o sentido das palavras finais do texto: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra, será desligado nos céus”.

Hoje perguntamos a nós mesmos: “Quem é mesmo Jesus Cristo para mim?” “Como estou ligado a Jesus através da minha Igreja?”. Sensibilizados pela pastoral vocacional do mês de agosto na Igreja no Brasil, contemplamos além de Pedro e demais apóstolos, a pessoa de Maria. Sua resposta ao chamado divino foi mais pronta e total que a de Pedro. Este teve sua fraqueza: a negação e a fuga, antes da conversão total. Maria permaneceu firme na hora suprema da cruz. Ambos são exemplo de vida e seguimento de Jesus. Pedro, na liderança humilde da função. Maria, no papel de mãe, guia da comunidade, sua primeira e modelar discípula. Maior e mais fiel vocacionada no seguimento de Jesus, a Virgem Maria no céu é para a Igreja o seu ícone na peregrinação da fé. E, glorificada, antecipa a meta para a qual nossa vocação cristã nos leva.

 

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