Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Homilias Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H29

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Festa de Nossa Senhora de Aparecida – 12 de outubro de 2014

O vinho novo que veio da água…

Jo 2, 1-11

Na Bíblia o casamento simboliza a aliança, o amor salvador de Deus por nós. Seu amor redimiu-nos da tristeza incurável da culpa. Libertou-nos do vazio de viver para o nada, sem nele crer e amar. A atividade terrena de Jesus cumpriu o “dia do Messias” ou o tempo messiânico prometido contra a falência da antiga aliança. Deus transformou nosso ser humano e fez-nos “criaturas novas” no mistério de Jesus. Se em nossa vida faltar Jesus, a sua doutrina, o evangelho, seu mandamento de amar-nos como Ele nos amou, faltar-nos-á o Espírito divino (vinho novo), a verdadeira alegria de viver. O coração humano ficará escravo de si mesmo em ilusões e desenganos. Nossa vida será como núpcias sem vinho, na comparação literária do Evangelho de São João: as Bodas de Caná. O evangelista usa o cenário da festa de casamento para apresentar Jesus como o noivo que veio levar o povo a romper a situação humana sem saída e realizar uma nova aliança de Deus através da Igreja. Houve um casamento em Caná. A mãe de Jesus estava lá. Ele e os discípulos foram convidados. A narrativa entrelaça a “hora de Jesus” e a solicitude ativa de Maria, ou seja, explica o seu papel na expectativa da vinda do Messias. Sua palavra aos serventes: “Fazei tudo o que Ele vos disser” é reveladora do significado da mãe e primeira discípula para as comunidades cristãs desde o início da Igreja. A festa corria bem até faltar o vinho, bebida de costume servida pelos noivos aos convidados. Falta imperdoável, vexame e aflição para eles, desencanto para todos, fim da alegria geral. Quem poderia imaginar que a “hora de Jesus” – ou de seus prodígios – seria antecipada naquela aflição graças à consciência messiânica de Maria? O episódio sinaliza a confiança dos cristãos na intercessão de Nossa Senhora em todos os tempos. Pode alguém nos ajudar a crer em Jesus mais do que Maria? Se homens e mulheres ainda que cheios de boa vontade, mas pecadores, julgam-se capazes de “orar por nós”, não vale a intercessão de Maria a cheia de graça segundo o Evangelho?

 

Acolher bem também é evangelizar. 

O Brasil festeja Nossa Senhora Aparecida recordando o texto do Evangelho de São João sobre Caná da Galiléia (João, 2, 1-11) onde o vinho novo simboliza a vida em plenitude sinal da glória de Deus dada a nós por Jesus. Devoção, veneração, culto a Nossa Senhora tudo tem a ver com o texto joanino inspirativo não só para celebrar o dia 12, mas toda evangelização no Santuário de Aparecida. Através da veneração à imagem representativa de Nossa Senhora sob o título “Mãe Aparecida”, o povo humilde busca recuperar sua autoestima e dignidade como filho (a) de Deus. O ouvido escuta a Palavra enquanto o olhar contempla tudo o que acontece no Santuário. Aparecida é uma das maiores metas de romarias do mundo católico. O que atrai milhões de visitantes todos os anos não é a arquitetura do Templo: imponência, diversidade de serviços e espaços de acolhida. Não é um “templo de Salomão” (não o de Jerusalém, mas o de São Paulo que aberto nesse ano teria custado R$680 milhões). O Santuário de Aparecida nem está concluído, mas ao ritmo da construção vem disponibilizando áreas de atendimento, acolhida e bem estar. O lema é: acolher bem também é evangelizar. Qual é a atração? Os fiéis vêm conhecer ou contemplar uma pequenina imagem de Nossa Senhora retirada ao acaso das profundezas do rio Paraíba por três pescadores em 1717. Movidos apenas pela vivência da fé cristã, absolutamente sem nenhuma propensão idolátrica, as pessoas encontram nesta imagem um “sinal” privilegiado e comunicante da bondade de Deus.

No Santuário, há sim uma presença da mesma Mãe atenta e solícita às pessoas comuns e de todas as condições sociais que devotamente buscam vida digna com os direitos da cidadania, o consolo, o respeito, a paz, o fortalecimento na fé em Jesus. Num sentido figurado os romeiros experimentam aqui a alegria do casamento em Caná. Bebem o vinho novo, bom e generoso da Graça e voltam para seus lares levando no coração o conselho da Mãe Maria: é preciso fazer tudo o que Jesus mandar.

Em meio ao materialismo sufocante do aparato sócio-político-econômico em que estamos mergulhados, um Santuário mariano como o de Aparecida é um “oásis espiritual”. É uma fonte de água pura da alegria de viver. Pessoas de todos os níveis sociais ficam saciadas da “água viva” que é a Palavra de Deus jorrando para a vida eterna. Suas expectativas e desencantos, suas relações humanas vazias como as talhas das Bodas de Caná, enchem-se de esperanças e se transformam como água em vinho. É ‘hora de Jesus’ na passagem dos romeiros porque em suas carências e aflições suplicam o olhar solidário da Mãe Aparecida.

 

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