Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Homilias Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H34

Homila do 24º Domingo comum – Ano A

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Mt.20, 1-16- (25º DTC- A) : Com Maria, trabalhamos na vinha do Senhor! A comunidade cristã deve ser espaço fraterno acolhedor onde partilhamos o amor solidário às pessoas apoiando-as em sua boa vontade. O altar da Eucaristia é o espaço privilegiado da acolhida, partilha e mobilização para os projetos comunitários de amor fraterno. Nele encontramos a bondade do Pai comum ao fazermos memória viva do Filho Primogênito de “muitos irmãos” o qual se fez sacerdote, vítima- cordeiro inocente no altar da cruz para nos resgatar e congregar no amor do Pai que nos acolhe perdoa e ama! Ama porque ele é bom e não porque nós merecemos seu amor.

Na Eucaristia, ou no culto da Palavra onde não há missa, procuramos ser agradáveis e justos perante o olhar do Senhor. O culto exterior não é lugar de exibir merecimentos desejando retribuição e prosperidade, mas chance do apelo humilde à misericórdia e ao perdão. Ser justo diante de Deus no sentido bíblico não significa propriamente cumprir obrigações religiosas rituais. Significa antes reconhecer nossa pobreza espiritual: não merecemos nada já que Deus nos amou primeiro e sem nenhum merecimento nosso. Ele nunca tem que nos pagar nada! O altar de Jesus é pois, o “tribunal” da justiça do Reino. Justiça superior aos códigos, legislações e critérios jurídicos. Muito acima da mera ordem legal dentro da qual as pessoas estabelecem direitos e deveres mútuos. A justiça legal social surge das leis vigentes. Aí vale a lógica da aprovação ou da reprovação conforme se cumpre ou não a lei. A justiça bíblica, ensinada por Jesus como a presença e implantação do domínio amoroso de Deus entre nós, não é mero acerto ou consenso de interesses. Seus critérios são: acolhida amorosa e fraterna a toda pessoa, perdão, misericórdia e gratuidade. Tais critérios não nos concedem direitos adquiridos diante de Deus. Pretender ser mais recompensado por Ele julgando-se melhor e mais merecedor que os outros, é desprezar a gratuidade surpreendente da justiça divina. É pretensão a igualar-se ao arbítrio de Deus Assim nos ensina a parábola dos trabalhadores da vinha: Mateus, 20, 1-16.

Ao ler a parábola parece-nos certa a reclamação dos trabalhadores das primeiras horas. Eles reclamaram contra o pagamento igual, apesar de o patrão ter cumprido o contrato. “Estes últimos trabalharam uma hora só e tu os igualaste a nós que suportamos o cansaço e o calor do dia inteiro” (v.12). Na verdade o que está em foco na lição do texto não é o fazer mais ou o fazer menos trabalho, e -na lógica do interesse- merecer pagamento maior ou menor. Exige-se o direito a um tratamento igual. Houve a reclamação. Pois não é que ela é típica também hoje da sociedade capitalista e neoliberal? Esta cria as regras sociais e trabalhistas conforme o esquema do egoísmo e o critério consumista da mera produtividade. Não interessa em nada a pessoa. Daí fica proibido ser bom, agir com gratuidade, partilhar generosamente o lucro! No aparato legal a justiça apenas limita a bondade. Como a justiça é falha organização política, nas trocas e serviços, então quase não experimentamos a bondade.

 

Não nos salvamos por nossos merecimentos

A parábola traz a lição fundamental da prática religiosa cristã. Ou seja, a salvação é possível porque Deus é bom e generoso em sua justiça. Não nos salvamos por nossos merecimentos, boas ações, sacrifícios, orações etc. Tudo isso é necessário sim como boa disposição de nossa parte, boa vontade em acolher os dons de Deus, as graças de salvação e justiça. Precisamos aproveitar as oportunidades que Ele nos dá. Logo, perceber os momentos favoráveis da sua misericórdia para conosco. Às vezes parece difícil entender e viver conforme a justiça de Deus. Adotamos critérios para julgar o que é bom e o que é mau; o que é justo e o que é injusto segundo os conceitos da nossa “ordem de coisas”. Partimos sempre do merecimento ou castigo. O mérito ou o demérito da pessoa: justiça é dar a cada um o que ele merece. Hoje torna-se agudo e amplo o “senso de tolerância”. Mas, este tem valido só na defesa das minorias (homo afetivos); causas sociais sensíveis (racismo, estatuto de menoridade, etc.) Curiosamente o valor da tolerância tem sido muitas vezes “intolerantemente” proposto e exigido! Jesus mede todo mérito a partir da justiça de Deus para quem se submete ao seu reinado. Aí, o critério valorativo é o do amor generoso. É a sua bondade infinita. É a misericórdia que ultrapassa qualquer legislação ou regra de conduta.Deus é generoso no perdão! (Isaías, 55,7). Se Ele nos tratasse conforme nossos merecimentos, estaríamos perdidos!

Aprendendo de Maria! Ela foi a trabalhadora da primeira hora no preparo da Vinha do Senhor (projeto salvador). Convidada, aceitou renunciando-se. Pôs-se imediatamente a serviço e não pensou em méritos. A primeira semente da vinha foi plantada em seu seio! Ela gerou e nutriu com seu sangue o Filho do Altíssimo: salvador divino-humano. Da primeira hora (encarnação) até a última hora (Calvário), Maria atendeu todos os chamados do Senhor e cumpriu com absoluta fidelidade sua tarefa de mãe, mestra e discípula exemplar. Isso a fez o ícone da Igreja: A NOVA VINHA do povo que “espera novos céus e da nova terra, onde habita a justiça (2Pd 3,13). 

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