Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Homilias

Homilia 4º domingo Páscoa- Ano B

divino_pastor

Todo cristão(ã) está presente e age no mundo

como pastor(a) de Cristo!

João 10, 11-18 

Os textos bíblicos pascais guiam nossa mente e nossos passos no conhecimento de Cristo. Conhecimento que não é intelectual ou formativo, mas é experiência de intimidade e de vida. Vida partilhada, convivida no amor àquele que doou a sua por nós. Toda a prática da fé cristã depende desse conhecimento amoroso-experimental. Devoções, rezas, celebrações sacramentais, atos de caridade, de paciência, de perdão… Tudo! Deduzimos essa certeza da parábola do Bom Pastor, título que Jesus aplica a si mesmo, descrevendo o relacionamento de convivência amiga íntima entre Ele e nós.   “Eu sou o Bom Pastor: conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas.” (João, 10,14). Nisso está toda a prática religiosa conforme o Evangelho.

Ao mesmo tempo, ao definir-se como o “Bom Pastor” que reúne as ovelhas, chama-as pelo nome, cuida delas e as defende dos mercenários, Jesus traça o perfil das lideranças na Igreja. Define os termos da função pastoral da instituição em relação aos fiéis em todos os tempos e culturas. O governo da hierarquia eclesiástica, incluindo os leigos que prestam serviços na comunidade, encontram na parábola do Bom Pastor, capítulo 10º de São João, uma verdadeira cartilha de liderança. Jesus é o único líder verdadeiro. Na sua maneira de ser, na sua prática de vida está o modelo de liderança e serviço para toda a Igreja: Papa, bispos, sacerdotes, leigos, agentes de pastoral, movimentos eclesiais etc. E sendo ovelhas de Cristo, todo cristão, toda cristã participam do seu ofício pastoral. Somos ovelhas dele no mundo marcando o “jeito cristão de ser e agir” na sociedade. Não podemos nos desgarrar. É por isso também que o 4º domingo do Tempo Pascal é por tradição o dia de orações pelas vocações sacerdotais e religiosas no mundo inteiro.  A parábola nos interpela! Leia: João, 10, 11-18.

O contexto da catequese joanina nos pede a decisão por Jesus. Decidir-se é ouvi-lo e aceitar seu projeto de vida. Lá no passado, isso não aconteceu com os dirigentes judeus. As lideranças conduziram mal o povo e Jesus foi recusado. Não aceitaram as interpretações que Ele deu às normas e prática religiosa da Lei mosaica e dos Profetas no Antigo Testamento. Os profetas, homens de Deus vigilantes contra os desvios morais e os abusos de autoridade, anunciavam a vinda de um Messias-Pastor! Um líder religioso perfeito. Restaurador da verdadeira aliança e comunhão com Deus. Inspirando-se nos Profetas Jesus se contrapõe aos governantes e autoridades do seu tempo. Condena a cobiça, o descaso com a justiça social, o enriquecimento ilícito em função do cargo social deles. Conforme já o profeta Ezequiel havia censurado no passado (ano 593-571 AC), as lideranças político-religiosas do tempo de Jesus procediam como maus pastores do povo, o rebanho de Deus. Procediam como mercenários, cuidando apenas de seus próprios interesses e privilégios. Eram ainda lobos ferozes cevando-se das necessidades dos mais pobres.

Se o povo é o rebanho, Deus é o seu Pastor. No Antigo Testamento esse título simbolizava a plena aliança com Ele. Mais tarde os Profetas aplicaram o título ao futuro Messias. Ele viria como um descendente do grande rei Davi (chamado rei-pastor também por sua origem), viria apascentar o povo. Ora, os fariseus e demais lideranças do tempo de Jesus esperavam um Messias favorável a seus interesses. Pensavam em objetivos temporais: poder, dinheiro, prosperidade, libertação do domínio romano etc. Nada de cumprir a justiça e o direito conforme o espírito da Aliança.

Ao declarar-se o “Bom Pastor” Jesus contrapôs-se a essas expectativas e interesses. E o fez partindo do critério básico do relacionamento entre quem é bom pastor quando trata as ovelhas. Enfim, o conhecimento mútuo, amigo, íntimo. É o carinho e a experiência da profunda amizade que leva o pastor até o sacrifício da própria vida pelo bem estar do rebanho. O serviço que Jesus veio fazer da parte de Deus a todos nós. Ele veio para se entregar até ao extremo de sua missão em favor da nossa comunhão de vida com Deus e entre nós a seu exemplo.

Naturalmente, a parábola tem muitos apelos e abre diferentes horizontes. Como um proveito prático perguntemo-nos: como tem sido o nosso relacionamento religioso e cristão na comunidade? Tem sido a experiência de conhecimento verdadeiramente amigo?  Ou é algo estéril, formal, ocasional? Seria, pior ainda, uma prática religiosa no medo, (salvar a alma…), ocasional ou de tradições sociais apenas?

Aplicação mariana

Um dos milhares de títulos marianos é Nossa Senhora, a Divina PaDivina pastorastora. Teve sua origem na cidade de Sevilha, Espanha, segundo uma aparição em 1703. Sua imagem teria aparecido sentada numa rocha, vestida como pastora num local onde pastavam as ovelhas. Ela traz um cajado na mão, símbolo do pastoreio materno, da mãe amorosa que cuida de seus filhos, como cuidou de seu Jesus. Ela é a mãe das Bodas de Caná e do Calvário. Servidora, colabora com sua proteção espiritual por nossa salvação conduzindo-nos ao Divino Pastor. Como curiosidade: no estado de Sergipe, há uma cidade chamada Divina Pastora. Vila desde 1836. A Igreja Matriz dedicada a Nossa Senhora com esta invocação recebe a peregrinação anual de 100 mil pessoas.

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