Por Dom Raymundo Damasceno Assis Em Homilias

Homilia da Festa de Nossa Senhora de Guadalupe

25ª Assembleia Anual da Academia Marial

12 de dezembro de 2015

25ª Assembleia da Academia Marial de Aparecida

Academia Marial 30 anos – História e Perspectivas

Homilia da Festa de Nossa Senhora de Guadalupe

Padroeira principal da América Latina

 

(saudações aos presentes)

 

Celebramos com alegria a festa litúrgica de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira principal da América Latina. A Palavra de Deus nesta celebração nos convida uma vez mais a contemplar o mistério de Cristo realizado em Maria e a assumirmos também uma atitude proativa em favor do Reino e de nossos irmãos e irmãs com a mesma solicitude de Maria que não poupa esforços para amar e servir, mas tem pressa em encontrar-se com sua prima Isabel para levar-lhe o fruto bendito que está em seu ventre e comunicar-lhe a alegria da realização das promessas de Deus, como escutamos a pouco no relato do evangelista Lucas, pois nós também somos inseridos pelo Batismo a este mistério de salvação.

Grande deve ser nossa alegria, pois somos homens e mulheres da plenitude dos tempos. Deus manifestou-se em nosso meio, assumindo nossa condição, ensinando-nos a viver, restaurando nossa dignidade e tornando-nos em Cristo, filhos e filhas amadas, herdeiros da salvação como nos recorda São Paulo na Carta aos Gálatas. Maria também é a mulher da plenitude dos tempos, pois acolhe a graça divina em seu coração, ela, a bem-aventurada, porque acreditou. Felizes, pois, aqueles que creem como Maria e realizam na vida a vontade do Senhor.

A festa de hoje também nos convida a contemplar a imensidão do amor de Deus manifestado aqui na América Latina. Guadalupe é uma mensagem de consolo e esperança. Nossa Senhora de Guadalupe reflete a misericórdia do Senhor para com os pobres e pequeninos. A solidariedade missionária de Maria nos revela esta verdade, ela é a esperança dos povos sofridos de nosso continente. Recordemos os fatos que nos ajudam a crescer na fé:

No dia 9 de Dezembro do ano de 1531, a Virgem Maria apareceu a um indígena chamado Juan Diego, que, saindo de seu povoado caminhava para a cidade do México, a fim de participar da catequese e da Santa Missa. Quando estava na colina de Tepeyac perto da capital mexicana, Maria apareceu-lhe. A Juan Diego, hoje santo de nossa Igreja, a Virgem suplicou para que fosse até o Bispo, pedindo para construir um santuário naquele mesmo local.

O Bispo local com toda prudência pediu ao indígena um sinal da Virgem, e esse sinal somente foi concedido na terceira aparição. Foi quando Juan Diego estava indo buscar um sacerdote para seu tio doente e a Virgem lhe apareceu e disse:

"Escute, meu filho, não há nada que temer, não fique preocupado nem assustado; não tema esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a seu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa”. Convidando aquele pobre homem à confiança no seu amor materno, a mesma lhe propõe levar ao bispo rosas colhidas num terreno infértil e pede que diga em seu nome para que nessas rosas, ele veja e cumpra a vontade dela.

Assim o fez o embaixador de Nossa Senhora: chegou diante do bispo e desdobrou o manto em sua presença. E se deu o milagre: junto das rosas, estampado no manto de Juan Diego, estava a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, desenhada com muita beleza e esplendor que ninguém até hoje consegue explicar tal prodígio. A partir do milagre foi construído o santuário que acolhe peregrinos do mundo inteiro para manifestar sua devoção à Virgem Maria que sob o título de Guadalupe é também nossa mãe e padroeira.

Recordo aqui as palavras do Papa Bento XIV (14), proferidas em 1754, a respeito da Nossa Senhora de Guadalupe: "Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros... uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja tão facilmente como através de um filó; uma Imagem em nada deteriorada, nem no seu supremo encanto, nem no brilho de suas cores, pelas emanações do lago vizinho que, todavia, corroem a prata, o ouro e o bronze... Deus não agiu assim com nenhuma outra nação.”

Lembro ainda que estamos nesta caminhada rumo à solenidade do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo e somos convidados neste tempo do Advento a converter nosso coração ao Senhor, tirando de dentro dele todo obstáculo que impede a vinda de Jesus em nosso mundo. Tempo de renovar a esperança e a fé de que um mundo novo é possível, um ser humano melhor e uma sociedade mais justa e fraterna serão realidades à medida que Cristo renascer em nossos corações e deixarmos sua graça produzir em nós frutos de salvação.

Também agradecemos nesta Eucaristia os 30 anos de existência da Academia Marial que muito tem colaborado com suas iniciativas: congressos, simpósios, seminários, assembleias, catequeses, cursos e exposições para aumentar no povo o amor e a devoção à Nossa Senhora, através da integração da reflexão teológica com a vida pastoral. E pedimos ao Senhor que derrame suas graças sobre todos os participantes, membros e associados desta 25ª Assembleia para que aproveitem este dia de reflexão sobre a História da Academia Marial e apontem perspectivas para que esta instituição prossiga em sua missão de pesquisar, ensinar, animar e evangelizar nosso povo acerca da devoção a Maria e de seu papel no plano de Deus e vida da Igreja.

Pedimos ao Senhor, que, pela intercessão da Virgem de Guadalupe, Mãe solícita nas tribulações, sejamos despertados e estimulados à prática da caridade cristã. Sob sua proteção, o povo da América Latina progrida na fé, na fraternidade, na justiça, na igualdade, na promoção da dignidade humana e da paz.

Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis

Arcebispo Metropolitano de Aparecida

 

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