Por Dom Raymundo Damasceno Assis Em Homilias Atualizada em 02 OUT 2017 - 13H27

1º Domingo da Quaresma por Dom Raymundo Damasceno

Missa de Cinzas no Santuário - foto: Thiago Leon

1º. DOMINGO DA QUARESMA – 22/2/2015

Leituras: Gênesis 9,8-15; Salmo 24; 2Pedro3,18-22;Marcos 1,12-15 

Na quarta-feira de Cinzas, iniciamos o tempo litúrgico da quaresma, tempo de preparação para a Páscoa de Cristo e a nossa páscoa.  A tradição cristã inspirada no Evangelho recomenda algumas práticas penitenciais que podem nos ajudar neste tempo quaresmal, no processo de nossa conversão e de seguimento de Jesus: a oração, a esmola e o jejum.

Na quaresma, a Igreja nos convida a dedicar  mais tempo à oração, à leitura da palavra de Deus e a nos aproximar do sacramento da penitência, para nos reconciliar com Deus e nossos irmãos.  Há outras práticas de piedade como fazer o exercício da  via-sacra, a reza do terço, participar dos grupos de oração e reflexão sobre o tema da CF, e muitas outras práticas religiosas que podem ajudar  a viver o espírito da quaresma.

A prática da esmola é uma forma de ajudar o outro em suas necessidades imediatas, mas pode-se também ajudar o outro,  ao participar, em parcerias com outras pessoas ou entidades, na construção de uma sociedade mais  justa, como nos propõe a CF deste ano, cujo tema é: “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e lema: “Eu vim para servir”.

A prática do jejum não está  muito em voga em nossos dias. Muitas pessoas praticam o jejum, como afirmava o Papa Bento XVI, apenas como uma terapia para o corpo, para manter a forma, a beleza física, a saúde. Para o cristão, o jejum ajuda a mortificar nosso egoísmo, a controlar nossos maus desejos, a abrir mais nosso coração ao amor de Deus e do próximo. Jejuar é privar-se livremente de alguma coisa para ajudar o outro. O que se poupa nesta quaresma com o seu jejum, poderá ser oferecido  para o Fundo de Solidariedade da CF, na coleta, no Domingo de Ramos ou para outras obras beneficentes. É importante que os pais ensinem e eduquem   seus filhos para renunciar a alguma coisa de que eles  gostam para ajudar o outro mais necessitado. É desde cedo que se aprende  a ser solidário, e não há solidariedade sem alguma renúncia, sem sacrifício. Hoje, o perigo é o de atender todos os desejos, caprichos dos filhos,  sem exigir nada, sem impor nenhum limite aos filhos em seus desejos.

Noé, salvo das águas de dilúvio, afirma São Pedro, na sua carta de hoje, é símbolo do cristão salvo  e regenerado nas águas do batismo que nos faz filhos de Deus em virtude da ressurreição de Jesus Cristo.

Jesus, após o seu batismo, foi conduzido pelo Espírito ao deserto, onde foi posta à prova sua fidelidade filial ao Pai. Na travessia do deserto, o povo de Israel falhou na sua fidelidade a Deus.  Jesus, no deserto, rejeitou o caminho de Satanás  e permaneceu fiel a missão que o Pai lhe confiou. Ele começa sua missão anunciando que “o tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo.  Convertei-vos  e crede no Evangelho”. Com Jesus começou o tempo definitivo da salvação, que se concluirá com sua segunda vinda  no final dos tempos.

Agora é o tempo favorável, não haverá outro tempo; outra oportunidade; por isso, a ordem de Jesus: “convertei-vos e crede no evangelho.” O Reino de Deus se fez presente na pessoa e nas obras de Jesus e acontece onde as pessoas fazem a vontade de Deus, lutam pela justiça, pela verdade, pelos direitos da pessoa humana, e constroem a paz. Este Reino não é um reino de poder, dominação, mas um reino de justiça, de amor e de paz. Que a quaresma,  seja para todos nós, tempo de conversão, tempo de progredir no conhecimento  de Jesus Cristo, de corresponder ao seu amor por uma vida santa, como rezamos na primeira oração da missa de hoje.

Na mensagem que o Papa Francisco dirigiu à Igreja no Brasil para a CF deste ano, ele recorda que a Igreja “não pode ser indiferente às necessidades daqueles que estão ao seu redor, pois as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo, dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo.” O Papa Francisco prossegue afirmando que “a CF quer ajudar a aprofundar, à luz do evangelho, do diálogo  e a colaboração entre a Igreja e a Sociedade, como serviço de edificação do Reino de Deus, no coração e na vida do povo brasileiro.”

Que a quaresma seja também uma oportunidade para assumirmos o compromisso de trabalhar na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e pacífica.

 

Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis

Arcebispo de Aparecida, SP

Presidente da CNBB e da Academia Marial

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