Por Luiz Raphael Tonon Em Homilias

Maria: o rosto da misericórdia de Deus

 padroeira

Logo que foi aberto o Ano Santo da Misericórdia, o Papa Francisco insistiu no papel de Maria no plano da salvação enquanto modelo de misericórdia. Jesus é a misericórdia encarnada que se abaixou até a miséria humana tomando nossa condição para elevá-la à estatura da vida divina. Como consequência lógica disso, Deus não suspende nem altera a ordem da natureza criada de modo perfeito por Ele mesmo, de modo que, se Jesus é o rosto da misericórdia e é filho de Maria Santíssima, não é exagero, mas antes dever moral, reconhecê-la autenticamente como “Mãe da Misericórdia”.

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A doçura do seu olhar nos acompanhe neste ano santo,
para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus.

O papa afirma na Exortação “Misericordiae Vultus”: “O pensamento volta-se agora para a Mãe da Misericórdia. A doçura do seu olhar nos acompanhe neste ano santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus. Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor”. A presença de Maria na obra da redenção fez Dela participante íntima da misericórdia divina e a uniu de modo tão estreito à Trindade, como nunca houve antes e nem haverá depois Dela criatura humana alguma que por graça e privilégio de Deus possa se elevar tanto. Essa união tão íntima levou Santo Afonso de Ligório a reconhecê-la como corredentora, ao afirmar que “o que Cristo padeceu em seu corpo, Maria o padeceu do mesmo modo em sua alma”.

Em todas as ações de Nossa Senhora há sempre uma íntima sintonia com as ações de seu Filho. Ao pé da cruz, junto do discípulo amado, é testemunha das palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus, revelando até onde pode chegar a misericórdia divina, perdoando quem o crucificou. Há uma relação indissociável entre Maria, Mãe de Jesus, o mistério da misericórdia divina e a vivência da misericórdia. O Papa João Paulo II na Encíclica “Dives in misericordia” destaca que “Maria é a pessoa que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina” n. (9).

Desse modo, justifica-se o título “Mãe da Misericórdia”, pois Maria é a mulher que experimentou de modo único a misericórdia de Deus. Maria é a intercessora incansável do povo de Deus. Em Caná, o que Jesus nega com palavras não o pôde negar pelos gestos e assim o primeiro milagre se fez. A insistência de Maria com Jesus e sua ordem aos servidores ecoam pela história e se constituem no verdadeiro sentido da devoção mariana: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo. 2,5). Ser devoto de Nossa Senhora, no fundo implica em imitá-la, ou seja, em buscar em tudo a centralidade de Cristo.

Luiz Raphael Tonon é professor, leigo consagrado e membro da Academia Marial.

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