Palavra do Associado

A 8º dor de Nossa Senhora

Escrito por Academia Marial

18 MAR 2021 - 08H00 (Atualizada em 18 MAR 2021 - 11H42)

A 8ª dor de Nossa Senhora

É muito comum, na piedade popular, a meditação das 7 dores de Nossa Senhora, prática devocional muito antiga por sinal, utilizada especialmente na quaresma e na semana santa. Temos por costume chamá-la de setenário das dores, por se tratar de 7 momentos da vida de Maria rezados em forma de 7 meditações. Outro dia em conversa com um confrade, surgiu-nos um questionamento: Por que a morte de São José não compõe as meditações das 7 dores de Maria, sendo que José era seu esposo e Maria nutriu por ele um legítimo amor conjugal? Deparei-me certamente com uma questão que até àquele momento não havia pensado ou lido em algum tratado de mariologia. Sendo esse, o Ano Josefino (2020-2021), julguei por bem, lançar essa provocação e meditá-la. Essa que certamente, foi uma dor que atingiu o coração da Bem-aventurada Virgem Maria, a morte de seu José. A beleza do matrimônio de José e Maria não pode passar despercebida, ou mesmo, ser anulada, como se falar do casamento de José e Maria fosse algo desrespeitoso. Muito pelo contrário, entre José e Maria houve um legítimo casamento que permitiu aos dois a santificação conjugal e a constituição de uma família, ambos com Jesus, formam a Sagrada Família de Nazaré.

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Entre José e Maria houve um verdadeiro amor, uma troca recíproca de sentimentos. Pouco se fala a respeito do Sim de José, que foi uma aceitação autêntica do projeto salvífico de Deus. José deu o nome ao menino; fez questão de registrá-lo em sua terra natal; esteve ao lado de Maria durante o parto; com ela, para proteger o Menino, fugiu para o Egito; com eles, para recomeçar a vida, se estabeleceu em Nazaré, ali desempenhando a profissão de construtor/carpinteiro. José foi um pai presente, certamente um confidente de Jesus, quantos não foram os momentos entre pai e filho. Porque não imaginarmos, já tarde da noite, José, do lado de fora da casa, olhando às estrelas, enquanto se perguntava por qual motivo Deus o escolheu, enquanto a resposta, dormindo na cama ao lado, sonhava com o Reino. Por que não pensarmos que durante a noite, José e Maria, já deitados, conversavam sobre os mistérios de Deus? Como todo casal eles mantiveram longas conversas sobre o futuro, sobre os seus receios e dúvidas. Foi nos braços de José que Maria encontrou segurança, durante os três dias em que o menino esteve perdido.

O casamento de José e Maria possivelmente deve ter perdurado por pelo menos uns 20 anos, até que o santo patriarca entregou sua alma a Deus. Ele teve a alegria da morte do justo, morrer na presença de Jesus e de Maria, na presença de seu Deus e da mulher que ele muito amou. A morte de José foi sentida por demais por sua Maria, é inegável que a dor de perder seu companheiro, seu confidente, seu guardião, custou-lhe lágrimas e tristeza. O luto por José foi vivenciado segundo as tradições judaicas. Conforme o costume, Jesus e Maria prepararam o corpo, envolvendo com aromas em linho e, certamente, o sepultaram em Nazaré. Quantas não foram às vezes em que Maria visitou a sepultura de seu José, talvez até lhe confidenciando baixinho algum fato ocorrido. Os entremeios dos fatos ficam a cargo dos leitores, mas fato é que a morte de São José, foi uma dor no coração de Maria.

Sidney de Almeida/shutterstock
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As famílias que se inspiram em José e Maria, acolhem Jesus como centro de suas relações e de sua presença transformadora no mundo.


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A Josefologia, área da teologia que estuda a respeito de São José, não se debruçou muito a respeito desse assunto, bem como a Mariologia, área da teologia que estuda sobre Maria. Caberá aos futuros tratadistas se ocuparem do tema e trazer à lume uma bonita reflexão sobre o assunto. Nosso intuito neste artigo foi o de provocar uma reflexão.


Ir. André Luiz Oliveira, CSsR
Mariólogo, diretor do Centro Redentorista de Espiritualidade (CERESP)
Associado da Academia Marial de Aparecida
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