Por Carmen Novoa Silva Em Palavra do Associado Atualizada em 03 OUT 2017 - 08H12

A Força da Missão

 madre_teresa_crianca(TERESA DE CALCUTÁ - 1910)

Encanta-me narrar histórias de heroísmo. Do bem sobrepujando o mal. Encanta-me as histórias de bondade, de entrega, de sacrifício, de gratuidade, de solidariedade. Encanta-me repetir os nomes desses personagens e a figura que me refiro é a de MADRE TERESA DE CALCUTÁ.

No ano de 2010 comemorou-se seu centenário pois nasceu a 26 de agosto de 1910 em Skopje, capital da Macedônia e foi chamada de Agnese Gonxhe Bojaxhiu que na Albânia significa “botão de rosa”. Sempre considerou o “seu verdadeiro aniversário” o dia 27 de agosto por ter sido o dia de seu batismo na Igreja Católica já que de família devota da fé cristã. O que me chama atenção é a tendência irrefreável dos santos e heróis a apaixonarem-se desde os primeiros anos de suas vidas pela missionareidade. Pelo amor ao semelhante. E isso o fez Madre Teresa. Antes dos doze anos estava convencida que devia partir para Índia espelhada na missão jesuítica que existia em Bengala. Deixou a casa paterna aos 18 anos. Em 1929 uniu-se às Irmãs de Loreto que trabalhavam em Calcutá. O que retrata bem já de princípio seu caráter missionário foi o de ter escolhido o nome de Teresa. Significativo, já que em homenagem a Santa Teresa de Lisieux, uma das doutoras da Igreja Católica e padroeira das missões.

 

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“Não faço por obrigação, mas por vocação”

Ao chamado vocacional religioso já havia acedido, no entanto o que considerou "a chamada na chamada" deu-se em 1943. Nesse ano, o cenário sócio-político em Bengala - a carestia de 1943 e os conflitos sangrentos entre hindus e muçulmanos - que precipitou Calcutá no desespero e no horror, foram a mola propulsora para a tomada de ação radical pelos mais destituídos da dignidade humana, os mais sofridos, os miseráveis, os excluídos da sociedade. Por isso em 1948 tomou a resolução: Substituiu o tradicional hábito de Loreto por um simples sari de algodão branco bordado de azul e adotou a cidadania indiana. Depois disso aventurou-se no submundo de Calcutá. E em 1950 fundou as “Missionárias da Caridade”. Após 60 anos, só em Calcutá, existem 19 institutos com cinco mil religiosas. Todas empenhadas em mais de130 países. Aqui mesmo em Manaus as Irmãs de Madre Teresa estão lá no Bairro do Coroado II levando o carisma de sua fundadora a nós amazonenses.

:: O legado de bondade de Madre Teresa de Calcutá
:: Madre Teresa – Missionária

 

MASS MEDIA E MADRE TERESA 

Os meios de comunicação descobriram madre Teresa a partir dos anos 50. Ela surgiu como o novo rosto da mãe índia - uma religiosa católica branca, ocidental a iniciar obras caritativas em áreas degradadas. Era um perfil de compaixão, a surgir da humilhação da divisão de Bengala em Bengala Ocidental e Paquistão Oriental (atual Bangladesh). No livro “Something beautiful for God” (Algo bonito para Deus na tradução “ipsis Iitteris”) Malcom” Muggeridge falou de sua visão de Calcutá em 1930 (como redator do jornal “The Statement”). Dizia, que ficara triste por constatar a existência de zonas de extrema miserabilidade social. Perguntava-se: “Por que as autoridades nada fazem?” E assegurou sobre Madre Teresa: “Ela permanecia ali, nas periferias miseráveis. Armada só daquele amor cristão que irradiava e magnetizava quem estivesse ao seu redor” Era a força interior do bem.

 

Certa vez li que as coisas boas e belas não fazem ruído. Passam por nós em silêncio.

Certa vez li que as coisas boas e belas não fazem ruído. Passam por nós em silêncio. As flores ao desabrocharem em toda a sua policromia não fazem ruído... Os frutos crescem e amadurecem nas árvores, sem ruído... As sementes germinam; o sol nasce e morre sem sua potencialidade de fogo sem fazer barulho - as estrelas estão ali no céu tremeluzindo em prata, sem nenhum alarde... A neve quando cai cobrindo a tudo com seu manto branco também não faz ruído algum - Assim também passou pela vida de Madre Teresa de Calcutá hoje já proclamada beata” pelo papa João Paulo II. Que pelo “Cânon” da Igreja é o título que antecede à sua elevação a categoria de santa. Ela com sua mansidão aliada à ação de caridade constitui-se hoje na mais fiel interpretação do BEM. Da sua força. Numa humanidade cujo ídolo é o ruído. Da violência e em todos os sentidos. O bem não faz ruído. E o que faz ruído não faz nenhum bem... (mídia sensacionalista).

*Carmen Novoa Silva e membro da Academia Amazonense de letras e da Academia Marial de Aparecida

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“Não faço por obrigação, mas por vocação”

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