Palavra do Associado

Nossa Senhora de Santana

Escrito por Academia Marial

15 ABR 2022 - 17H00


Aparecida do Brasil
Aparecida do Brasil
Obra: Leo Caetano

Título: Nossa Senhora de Santana

Padroeira: Goiás

Festa: 26 de Julho

A história do Estado de Goiás tem início com a chegada dos bandeirantes no final do século XVII e início do século XVIII que vinham de São Paulo, em busca de ouro. O nome do Estado tem origem na tribo indígena “guaiás” termo indígena tupi “gwaya” que quer dizer "indivíduo igual, gente semelhante, da mesma raça". O primeiro bandeirante a ocupar as terras foi Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido como o Anhanguera. As terras já eram conhecidas no primeiro século da colonização do Brasil por fazer parte da Rota dos Bandeirantes. Em 1722, tem inicio uma expedição que resultaria três anos depois, em uma descoberta de cinco córregos auríferos, minas de ouro tão ricas em minerais preciosos quanto as de Cuiabá. Tempos depois, Bartolomeu e João Leite da Silva Ortiz inicia uma nova expedição para a ocupação de novas terras. A primeira região conquistada foi Rio Vermelho, sendo fundado ali o arraial de Sant’Ana que posteriormente seria palco de um milagre que elevaria Sant’Ana (Mãe de Nossa Senhora) à Padroeira do Estado e Nossa Senhora “de” Santana a ser venerada ao lado da Mãe. O mesmo arraial posteriormente foi chamado de Vila Boa e mais tarde de Cidade de Goiás.

A devoção à padroeira do Estado tem início na cidade de Anápolis, Goiás. “A 25 de abril de 1870 surge o primeiro documento oficial sobre Anápolis. Um grupo de moradores constituído por Pedro Roiz dos Santos, Inácio José de Souza, Camilo Mendes de Morais, Manoel Roiz dos Santos e Joaquim Rodrigues dos Santos fez a doação de parte de suas terras para a formação do que se denominou de Patrimônio de Nossa Senhora de Santana”.¹ A devoção a Nossa Senhora Sant’Ana influiu de forma inequívoca na fundação de Anápolis. A partir da construção de uma pequena capela, em 1871, por Gomes de Souza Ramos, formou-se a aglomeração urbana que se constituiria dois anos depois em Freguesia de Santana das Antas.²

A história da devoção em torno de Nossa Senhora Sant’Ana começou com Gomes de Souza Ramos e sua mãe Ana das Dores quando a comitiva, em que os mesmo estavam, fez uma parada de descanso na Fazenda das Antas. “Os relatos de época afirmam que, ao refugar e extraviar-se no meio da mata uma das mulas da tropa de dona Ana deixou a canastra que continha a imagem de Sant’Ana cair no chão. Ao tentar recolocá-la sobre o animal, os peões se espantaram, pois, tomada de uma peso enorme, a caixa não saía do lugar. Dona Ana notou que aquela caixa era justamente a que continha a imagem de Sant’Ana. Considerou isso como desejo da santa ficar naquele local. Em tom de profecia, teria exclamado: “Será a padroeira de uma grande cidade, sede de um rico e fértil município, cujo povo há de ser por ela abençoado!”. Dona Ana, então, prometeu doar a imagem à primeira capela que se construísse na fazenda, no que, de imediato, a caixa voltou ao peso normal e pôde ser recolocada no lombo do animal. Mias tarde, o seu filho Gomes de Souza Ramos, considerado hoje como fundador da cidade, mudou-se para a fazenda e, em 25 de abril de 1870, conseguiu dos fazendeiros a doação das terras para a construção da capela. Tal iniciativa surgiu para cumprir a promessa de sua mãe, dona Ana das Dores. A Paróquia de Sant’Ana em Anápolis, foi a primeira no âmbito da Diocese a não ter origens ligadas à mineração, mas sim ao contexto rural. É também a última paróquia a ser criada pelo Estado e não pela Igreja, em vista do fim do regime de padroado”.³

A expressão “Nossa Senhora” de Santana tem origem já no início do milagre da Canastra, que pesou sobre o solo contendo a imagem de Sant’Ana. Segundo um historiador anapolino, logo após a profética fala de Dona Ana que Sant’Ana será a padroeira de uma grande cidade, sede de um rico e fértil município, cujo povo há de ser por ela abençoado, os moradores começaram a invocar Sant’Ana como sua “Senhora”, daí a expressão “Nossa Senhora Sant’Ana”. Mas uma antiga lenda afirmava que no momento em que a caixa pesava sobre o solo, não era a imagem de Sant’Ana que não permitia a canastra sair do lugar, mas sim a Virgem Maria que na canastra fazia companhia a sua mãe desejando ela ficar naquele lugar e ali fazer morada com sua mãe Ana. Deste modo surge a expressão Nossa Senhora “de” Santana (Nossa Senhora filha “de” Sant’Ana)”. Deste modo a Virgem Maria, Nossa Senhora “de” Santana, é venerada junto a sua mãe como padroeiras do Estado.

A história de Sant’Ana, Mãe da Virgem Maria, não está registrada nas Sagradas Escrituras. O que se sabe sobre os pais de Maria foi registrado no Proto-Evangelho de Tiago, um livro que data provavelmente do primeiro Século e que não foi incluso entre os livros que compõe a Bíblia Sagrada. Mesmo não reconhecido entre os livros oficiais, o Evangelho de Tiago é uma obra de grande importância da antiguidade, sendo citado em diversos escritos dos padres da Igreja Oriental, como Epifânio e Gregório de Nissa.

“De acordo com a tradição, Ana era filha de Natã, sacerdote belemita, e de Maria. Suas duas irmãs mais velhas eram Maria de Cléofas, mãe de Salomé, e Sobé mãe de Santa Isabel, que geraria São João Batista. Ana casou-se com São Joaquim e por muitos anos permaneceu estéril. Só concebeu quando estava com uma idade avançada e deu à luz a Maria, que teria nascido por volta de 20.a.C. O culto a Sant’Ana difundiu-se no Oriente, e no século VI o imperador Justiniano mandou construir um templo em sua homenagem em Constantinopla. Nos séculos seguintes a veneração à santa expandiu-se também pela Europa. Em 1584, uma bula do papa Gregório XIII instituiu uma festa, comemorada no dia 26 de julho, mês que passou a ser denominado “Mês de Sant’Ana”.4

Vinícius Aparecido de Lima Oliveira
Associado da Academia Marial de Aparecida

Bibliografia:

1. CONTEÚDO aberto. In: IBGE – Anápolis – História de Anápolis. Disponível em: < https://cidades.ibge.gov.br/brasil/go/anapolis/historico>. Acesso em: 26 nov 2021.

2. CONTEÚDO aberto. In: Jornal Estado – começa barraquinha de Santana padroeira de anapolis. Disponível em: < https://www.jornalestadodegoias.com.br/2016/07/21/comeca-barraquinha-de-santana-padroeira-de-anapolis/>. Acesso em: 26 nov 2021.

3. CONTEÚDO aberto. In: Diocese de Anápolis – Histórico. Disponível em: < https://www.diocesedeanapolis.org.br/historico/>. Acesso em: 26 nov 2021.

4. CONTEÚDO aberto. In: ebiografia – Santa Ana – Biografia de Santa Ana. Disponível em: < https://www.ebiografia.com/santa_ana/>. Acesso em: 26 nov 2021.

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