Por Dom Rafael Maria,osb Em Palavra do Associado Atualizada em 19 FEV 2019 - 15H47

O perdão e a misericórdia nas mãos de Maria na aparição de Afonso Ratisbone

nossa_senhora_e_ratisbone

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nossa_senhora_e_ratisboneEm Roma, existe um pequeno santuário mariano dedicado a Nossa Senhora do Milagre. Este santuário não é reconhecido oficialmente pela Igreja, mas teve várias aprovações menores que intensificam o fervor do povo de Deus na intercessão da Virgem.

Foi ao meio dia, em 20 de Janeiro de 1842, portanto, 12 anos depois das aparições de Paris a Catarina Labouré que tudo ocorreu.

Afonso Ratisbone era um jovem judeu, rico e ferrenho descrente da religião Católica. Criticava veementemente a Igreja de Roma, o Papa e a doutrina católica. Seu irmão havia se convertido ao catolicismo e se tornara sacerdote. Afonso era noivo e estava de viagem de férias em Roma. Conheceu diversas pessoas das quais ficou amigo de dois senhores que intensificaram a rezar por ele. Um deles, o senhor de La Ferronays morreu repentinamente e antes do ocorrido prometeu de pedir a Deus por meio de Maria Santíssima por Afonso. Presenteou-o com uma Medalha Milagrosa e pediu que Afonso copiasse a famosa oração «Lembrai-vos ó piíssima Virgem Maria…». Ele o fez por condescendência e não por fé.

No dia 20 acompanhou seu amigo Teodoro de Boussierrè à Igreja de Santo André della Frate, no centro de Roma, porque este deveria providenciar os funerais de La Ferronays. Afonso ficou esperando na igreja. Andando por dentro desta, cheia de obras de arte e muito bela, de repente, a igreja fica completamente escura aos seus olhos e de um altar à esquerda de quem entra na igreja fica iluminado. Afonso narra o que viu: “Eu vi de pé, sobre o altar, viva, grande, majestosa, cheia de beleza e misericordiosa, a Santíssima Virgem Maria, como está representada na medalha milagrosa da Imaculada Conceição. A esta visão, caí de joelho, no lugar em que me encontrava, tentei várias vezes levantar os olhos para a Santíssima Virgem, mas seu fulgor e o respeito me fizeram abaixá-los, sem me impedir, entretanto, de sentir a evidência da aparição. Fixei os olhos sobre suas mãos e nelas percebi a expressão do perdão e da misericórdia. Em presença da Santíssima Virgem, embora Ela não me tenha dito uma única palavra, compreendi o horror do estado em que me encontrava, a deformidade do pecado, a beleza da religião Católica; numa palavra, compreendi tudo”.

Mais uma vez a Virgem aparece silenciosa, mas diz tudo através de seus gestos. Esta foi a compreensão do judeu convertido ao catolicismo, Afonso Ratisbone. No seu testemunho, ele deixa entrever o conteúdo doutrinário desta mariofania, onde ressalta o mistério da Imaculada Conceição. Ele identifica na visão a representação da Medalha Milagrosa que trazia no peito. De fato, a imagem da Medalha, a Virgem de pé pisando a serpente é a imagem antecipada do futuro dogma de 1854, uma síntese teológica através de um objeto devocional.

Desta aparição e de outras, o mistério da Imaculada é o sinal e o princípio da conversão do cristão católico. Todas as mariofanias seguem este esquema. É um indicativo teológico muito forte, pouco aprofundado pela Igreja neste contexto e desconhecido do povo. Os devotos ficam em uma alienação devocional sem nenhum impulso formativo. Estes não se interessam a investigação do verdadeiro sentido teológico de uma mariofania. Ficam ligados em extremo às pseuda-mensagens apocalípticas e interpretações infundadas destas.

A aparição silenciosa da Virgem Judia, em 1842, é cheia de mensagens simbólicas dirigida a um judeu. O silêncio de Maria atinge o comportamento errôneo do judeu Ratisbone; convida-o pelas suas mãos abertas e estendidas à conversão, mas também o acolhe com seu perdão e misericórdia de Mãe. Ora, Afonso intui pelas mãos de Maria toda uma mensagem e hoje, pouco refletida, do significado da Medalha Milagrosa. Nossa Senhora revela toda sua grandeza e soberania diante do judeu ateu. Revela um mistério inaudito que ensina como Nossa Senhora se contextua na obra salvífica de Deus. É modelo, mas meio eficaz de socorro a qualquer pessoa, cor, raça ou nação. Mas em Maria, mensageira da Graça existe algo novo. Ela é a mensageira da verdade evangélica, pois o Filho dela, Jesus Cristo é o Senhor, verdadeiro Messias, o Consolador de Israel. Como Afonso conclui, das mãos de Maria ele compreendeu tudo, abertura para uma mudança de vida em Cristo Jesus, batizou-se e tornou-se sacerdote.

Aprofundemos estes mistérios que só trazem benefícios espirituais e nos ensinam através da Mãe de Deus o quanto temos que caminhar verso Aquele que é o Senhor, para glória de Deus Pai.

 

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