O Ano Jubilar nasceu para ser eco de esperança num mundo ferido, chagado e, por vezes, sem rumo, sem causa, marcado por conflitos armados, violência, fome, misérias e injustiça. O desejo do saudoso Papa Francisco tem sido renovado a cada encontro no Vaticano e a cada celebração jubilar no seio da Igreja: que sejamos sinais palpáveis de esperança para todos aqueles que enfrentam situações adversas!
Neste mês de dezembro, prestes a fechar a “Porta Santa”, finalizando, assim, o Jubileu da Esperança, o Papa Leão XIV presidirá, no domingo, dia 14, às 10h (5h de Brasília), a celebração eucarística por ocasião do Jubileu dos Reclusos. Com essa celebração, a Igreja confirma sua missão profética junto àqueles que se encontram em unidades prisionais ou reclusos em seus próprios domicílios.
Vale destacar um gesto simples e carregado de sentido do então Santo Padre. No início do Ano Jubilar, o Pontífice abriu a “Porta Santa” de quatro Basílicas papais em Roma e, surpreendentemente, fez questão de abrir uma quinta: a “Porta Santa” de um dos maiores complexos prisionais da Itália, o de Rebibbia, também em Roma, no dia 26 de dezembro de 2024. Na ocasião, já debilitado, o Papa, dirigindo-se aos presos e funcionários desse complexo, disse: “Em momentos ruins, todos nós podemos pensar que tudo acabou. Não percam a esperança. Esta é a mensagem que eu queria dar a vocês. Não percam a esperança”.
Os esforços empregados pelo Papa Francisco e, agora, pelo Papa Leão XIV são expressões de proximidade, solicitude e acolhida. A Igreja, como Mãe e Mestra, não deve estar indiferente ante a dor e o sofrimento de tantos irmãos(as) nossos que, apesar do seu crime, merecem ser tratados com respeito e dignidade.
O próprio Cristo identificou-se como “prisioneiro”, quando disse de Si mesmo: “Estava na prisão e fostes me visitar” (Mt 25,36). Isso para dizer que Jesus, o Curador, o Libertador, está presente no preso, que espera a nossa mão estendida para ajudar e consolar. Não por acaso, sempre é bom lembrar que a Igreja sempre incluiu, entre as obras de misericórdia corporais, a visita aos prisioneiros (CIC, n. 2447).
“Onde quer que haja um faminto, um estrangeiro, um enfermo, um prisioneiro, ali está o próprio Cristo, que espera a nossa visita e a nossa ajuda” (Papa Bento XVI). Devemos, pois, rezar por eles e com eles, visitá-los, ajudá-los com aquilo que está ao nosso alcance e, claro, não sermos indiferentes, apáticos e cruéis em relação a eles, porque um preso, por mais reprovável que seja por um crime, ainda é uma pessoa, um ser humano, um pai, uma mãe, um filho que, mesmo consciente do mal praticado, merece um “novo recomeço” (Lv 25,8-13).
O Papa Francisco, ao conclamar o Ano Jubilar, apelou ainda ao governo das nações. No desejo de reavivar a chama da esperança no coração de todos, o Pontífice chegou a falar de “formas de anistia” e de “perdão de pena”, a fim de que não corramos o risco de fechar os olhos aos encarcerados, que clamam por justiça, paz e liberdade. É sempre bom reportar às palavras do profeta Isaías, depois ditas pelo próprio Jesus, na sinagoga de Nazaré, logo no início do seu ministério: “O Senhor [...] enviou-me para levar a Boa-nova aos que sofrem, para curar os desesperados, para anunciar a libertação aos exilados e a liberdade aos prisioneiros, para proclamar um ano da graça do Senhor” (Is 61,1-2).
Dezembro é o mês do Natal, que é, por excelência, uma festa genuinamente familiar. Porém, quantos irmãos(as) nossos(as), por mais que sejam liberados temporariamente de suas celas, não se encontrarão tristes, abatidos, sem esperança, e talvez tomados pela culpa? Alguns sentirão o fardo de seus dolos; outros experimentarão na pele a perversidade de seus algozes, que agem por vingança. E muitos, ainda, carregarão no coração a dor do abandono familiar e o descaso do Estado. Que neste Natal os presos tenham a certeza de que há um Deus que os ama com amor infinito, e que todos são filhos de Deus!
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