Revista de Aparecida

A ligação entre a Sinodalidade e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

Há 60 anos, a Igreja no país iniciava um caminho de comunhão pastoral que hoje encontra continuidade nas novas Diretrizes

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Escrito por Matheus Azevedo

30 OUT 2026 - 08H00

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A Igreja vive, até o ano de 2028, o processo de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade. Neste sentido, um instrumento de trabalho no Brasil que nasceu após o Concílio Vaticano II, o Plano de Pastoral de Conjunto (PPC), (1966–1970), surgiu com a intenção de superar ações isoladas e fortalecer a comunhão entre as dioceses e as comunidades. Durante os anos, o documento evoluiu e passou a ser intitulado como “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”.

Neste sentido, no ano em que se completam 60 anos do PPC, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na 62ª Assembleia Geral realizada em abril na cidade de Aparecida (SP), aprovou as Diretrizes (2026–2032), o Documento nº 114, alinhadas ao processo de sinodalidade e ao Relatório Final do Sínodo (2021–2024), “Por uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão”, que o Papa Francisco promulgou como parte do Magistério ordinário do Sucessor de Pedro (Relatório Final do Sínodo, nº10).

Alinhado a missão da Igreja, o Documento nº 114 apresenta como objetivo geral: “Evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja Sinodal, sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos, em comunidades de discípulos missionários, fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres, a caminho da plenitude do Reino de Deus”, (nº16).

“A sinodalidade é caminhar juntos, é fazer um itinerário comum. Nós já estamos fazendo isso há muito tempo desde que nós começamos a elaborar as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja. Agora, enquanto conclusão do Sínodo e processo de implementação do mesmo resultado do Sínodo. Portanto, as Diretrizes serão a concretização da Sinodalidade”, explica Dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS), presidente da Comissão Episcopal para Animação Bíblico-Catequética da (CNBB) e um dos responsáveis pela elaboração das Diretrizes.

O bispo de Rondonópolis–Guiratinga (MT), Dom Maurício da Silva Jardim, relaciona a temática com a sinodalidade. “A sinodalidade é a natureza da Igreja, faz parte do ser da Igreja. Os santos padres diziam que Igreja e sínodo são sinônimos. A Igreja é sinodal. Sinodalidade não é só um método, mas é um modo de ser da Igreja que é caminhar juntos. E, caminhar juntos nas diferenças e caminhar juntos também todos escutando um ao outro e todos na escuta do Espírito Santo”, destaca o prelado.

Dessa forma, as novas Diretrizes se inserem em uma caminhada que atravessa décadas e que, no contexto atual, encontra na sinodalidade uma oportunidade para renovar a missão evangelizadora da Igreja no Brasil. “Em âmbito nacional, estas Diretrizes Gerais são o principal instrumento de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade e dever ser lidas nesse horizonte”, (Doc 114, nº3).

Mais do que orientar ações pastorais, as Diretrizes vigentes convidam a “ser comunidade que se alarga, escuta os sinais dos tempos, faz discernimento para a conversão pastoral e sai em missão (...) tenda (comunidades) sustentadas pelas estacas bem firmes da fé, da esperança e da caridade (...) é espaço de Comunhão, Participação e Missão”, (Doc 114, nº9).

Portanto, toda a ligação entre as temáticas acontece na Igreja no Brasil mediante o processo de conversão das relações e, em especial, na centralidade de Cristo em todas as ações. “Uma ação evangelizadora sustentada pela esperança, é antes de tudo, uma renovada profissão de fé em Jesus Cristo” (Doc 114, nº221).

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