A Igreja no Brasil celebra, no mês de setembro, a Bíblia que, neste ano, tem como base de reflexão o livro do profeta Daniel e o lema: "Seu reino jamais será destruído" (Dn 7,14). Na Exortação Apostólica pós-sinodal Verbum Domini, de 2010, o Papa Bento XVI reafirma que “a Igreja funda-se sobre a Palavra de Deus, nasce e vive dela” (nº 3).
Nesse sentido, a Palavra de Deus não é apenas um objeto de estudo, mas o fundamento da própria Mãe Igreja. “Quando tudo ao nosso redor parecer vacilar, a palavra profética nos lembra de onde vem a nossa verdadeira cidadania. O livro de Daniel, através do tema do mês da Bíblia, nos ajuda muito a não mergulhar no desespero e na descrença e nos chama a renovar a confiança”, pontua o bispo diocesano de Valença (RJ), Dom Nelson Francelino Ferreira.
“O lema do mês da Bíblia (...) é um convite para descansarmos na fidelidade de Deus. Os governos passam, as crises vêm e vão, a nossa própria vida terrena se transforma, mas a soberania do nosso Deus permanece intacta”, ressalta o prelado.
Um dos objetivos da Verbum Domini é reafirmar a centralidade da Sagrada Escritura na vida da Igreja. Ao recordar que toda a vida e a missão eclesial nascem da Palavra de Deus, o documento também oferece pontos para compreender a caminhada sinodal. Dom Nelson Francelino apresenta três reflexões a partir dos apontamentos da Exortação Apostólica. “1) Superação do divórcio entre Fé e Razão na exegese. Deixar a tendência de ler a Bíblia de forma puramente histórica ou literária, esvaziando seu sentido espiritual, ou o oposto, caindo no fundamentalismo. 2) A Palavra de Deus como fundamento do diálogo e da Paz e a 3) Animação da Pastoral e a Nova Evangelização”, destaca o bispo.
Essa compreensão é retomada e aprofundada pelo Relatório Final da Assembleia Geral Ordinária do Sínodo (2021–2024), que apresenta a escuta da Palavra de Deus. Esse pilar sustenta a caminhada sinodal da Igreja, conforme apresenta o documento. “A Palavra de Deus atua como o fundamento vivo e a bússola espiritual que sustenta os três pilares da sinodalidade: Comunhão, Participação e Missão. A Bíblia não é apenas um texto a ser lido, mas a própria presença de Jesus Cristo que convoca, molda e envia a Igreja”, relembra.
Como caminho concreto para fortalecer a espiritualidade bíblica, o bispo propõe iniciativas voltadas às famílias, às comunidades e aos jovens. Entre elas, destaca os círculos bíblicos, roteiros de Lectio Divina, cursos de formação para leigos, planos de leitura bíblica em aplicativos, momentos de leitura orante e atividades culturais que aproximem a juventude da Sagrada Escritura.
“Que sejamos a extensão dessa Palavra de Deus no mundo: estendendo a mão aos necessitados, combatendo as injustiças com a verdade e sendo promotores da esperança onde houver desespero. Que o sopro do Espírito Santo nos capacite a ser a Bíblia aberta que o mundo tanto precisa ler hoje”, conclui Dom Nelson Francelino.
A ligação entre a Sinodalidade e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil
O bispo de Rondonópolis–Guiratinga (MT), Dom Maurício da Silva Jardim, relaciona a temática com a sinodalidade.
A Palavra e a Eucaristia: alimentos de uma Igreja sinodal
A Igreja é o Povo de Deus convocado por Cristo para anunciar o Reino (cf. Lumen Gentium, 5 e 9). Por sua Palavra, Cristo a chama e ilumina; na Eucaristia, reúne-a, alimenta-a e a envia.
O chamado vocacional e a sinodalidade
Agosto, por excelência na Igreja no Brasil, é dedicado ao “mês vocacional”, com temáticas voltadas a promoção das diversas vocações nascidas a partir do Sacramento do Batismo. Neste ano, o tema celebrado é “Comunidades Vocacionais: encontro, testemunho e missão”.
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