Jesus nos ensinou uma bela oração. Desde muito cedo a rezamos, e ela continua sendo parte de nossa vida cristã: ela é colocada em prática em casa e no trabalho, antes e depois de uma viagem e, claro, quando participamos da Santa Missa. É a oração do Pai-Nosso! Ela nos recorda que Deus é Pai e nos ajuda a estreitar nossa relação de amor com Ele. Rezar é respirar a vida do Espírito que habita em nós! Para falar de Deus, Jesus recorre à figura paterna. Ele desse modo O chama e, assim, ensina-nos a chamar Deus de Pai. Dizemos “Pai nosso”, não “Pai meu”, ou seja, Deus é Pai de todos, e somos, pela graça do Batismo, irmãos e irmãs de fé, filhas e filhos amados de Deus; formamos, com Ele, uma grande família. No entanto, sentimo-nos em família quando, na verdade, o pai é presente. Sabemos, pela fé que professamos, que Deus é um Pai vivamente atuante. Ele não dorme nem cochila. Está sempre ao nosso lado porque nos ama, não nos abandona e não desiste de nós. Logo, apesar das dificuldades, dos ventos contrários e das provações, a figura paterna deve estar sempre ali, no seio familiar, como referência segura e sinal de unidade no amor.
Observa-se, entretanto, nos tempos atuais, marcados pela chamada “maternidade solo”, cresce o número de filhos sem a presença paterna. Os impactos podem ser diversos e os efeitos dessa ausência não são inevitáveis. Primeiro, precisamos compreender o porquê dessa carência: separação, abandono, morte, excesso de trabalho, desentendimentos, entre outros motivos. Depois, devemos dar o próximo passo e acolher esses filhos que, por mais que não digam uma só palavra, sentem a dor de não ter um pai por perto. Alguns até superaram essa realidade ou dizem não sentir falta, talvez por traumas do passado. Contudo, não podemos desprezar a importância da figura paterna na vida dos filhos. Quando Deus sonhou a família, Ele a planejou com o pai e a mãe unidos.
Nesse contexto, convém destacar algo importante: a figura paterna deve desvelar a ternura de Deus. São José é, sem dúvida, modelo de pai, porque amou o Filho de Deus com amor paterno e O educou com ternura, proximidade e presença. Um pai presente não pode ser confundido com a figura de alguém que tão somente dita as regras do jogo da vida e controla a rotina de toda a família. Isso poderia ser tudo, menos um pai. Um pai assim — controlador e obcecado por ser o centro de tudo e de todos — acaba anulando os filhos e impedindo seu crescimento.
A Bíblia sempre nos brinda com homens que são valorosos modelos de paternidade. Na célebre “Parábola do Filho Pródigo” (Lc 15, 1-3.11-32), por exemplo, o pai misericordioso não é um intransigente, mas alguém que reconhece seu papel e sua missão paterna com amor, pois acolhe com ternura, reconcilia com docilidade e reconduz com presença. Mais do que isso, a figura desse pai é paciente. Por vezes, filhos rebeldes, aventureiros e irresponsáveis deixam os pais agitados e preocupados. Alguns dizem perder a esperança. Portanto, cabe a eles, à semelhança do pai misericordioso, ser pacientes, rezar e esperar! Os filhos precisam ter a certeza de que seus pais estarão à sua espera quando surgir algum insucesso na vida.
Assim é Deus conosco: Ele é nosso Pai e sempre estará à nossa espera. Por isso, não nos desesperemos nem deixemos que o medo se apodere de nós: Ele é por nós! A Igreja, que é nossa mãe, sempre esteve empenhada em apoiar a presença paterna na vida familiar. Essa presença deve ser como a de Deus em nossa vida: viva, atuante e portadora de esperança.
Que, neste mês de agosto, valorizemos a importância da figura paterna e saibamos honrar nossos pais com gratidão e muito amor e que as bênçãos do Deus Todo-Poderoso, que é nosso Pai bondoso, derramem-se sobre todos nós. Viva Nossa Senhora Aparecida e viva nossos queridos pais!
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