Revista de Aparecida

O Coração de Jesus na ótica de Santo Afonso

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Escrito por Pe. Marlos Aurélio da Silva, C.Ss.R.

29 MAI 2026 - 07H00

Thiago Leon

Para todos nós, católicos, é muito fácil associar o mês de junho como sendo o mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus. Poderíamos dizer que isso está no coração de todo bom católico! Portanto, essa é uma singular oportunidade para celebrar e refletir sobre essa devoção que é tão cristológica e portadora de uma rica espiritualidade, porque no fundo todo cristão deve aspirar ter um coração semelhante ao de Jesus Cristo, ou seja, ter os mesmos sentimentos do Deus que “tanto amou o mundo” (cf. Jo 3,16)! A vida de todo cristão deveria fazer pulsar forte o amor no meio do mundo marcado por tanto rancor!

Na esteira disso, desponta a figura de Santo Afonso de Ligório, que sempre cultivou a devoção ao Coração de Jesus como meio para se praticar o amor a Cristo e aos irmãos. Especialmente dentro de um contexto religioso marcado pelo rigorismo do jansenismo, destacar o amor do coração de Jesus, remete explicitamente à misericórdia do nosso Deus, isto é, revela-nos um Deus que se compadece da miséria humana e restaura a vida de cada pessoa que se dispõe a retomar o caminho do amor! Por esse motivo, em 1875, a Congregação Redentorista foi também consagrada ao Sagrado Coração de Jesus. Era tanto um ato de amor como um compromisso dos missionários redentoristas de serem sinais do coração que ama por meio do trabalho evangelizador ao Povo de Deus.

De modo que em vários dos escritos deste santo napolitano e afetuoso, sobretudo em suas meditações, novenas e orações, encontramos referências ao coração de Jesus como expressão de um amor divino encarnado na realidade humana e desejoso de acender no coração humano o amor para com Deus e com os semelhantes. É um aceno claro para a necessidade de cultivarmos uma fé marcada também pelos sentimentos e não exclusivamente racionalista. O coração é símbolo e representação dessa capacidade humana de amar, pois fomos formados pela definição de que o ser humano é um animal racional, quando na verdade o que nos define é a faculdade de amar. É no ato de amar autenticamente que nos realizamos e atingimos nossa principal e original vocação.

Portanto, com o coração sedento do desejo de amar mais e melhor a Deus e aos irmãos, especialmente os mais pobres e sofridos, supliquemos com santo Afonso: “Oh, coração terno e fiel de Jesus, inflamai meu pobre coração, para que se abrase de amor para convosco, como Vós para comigo. Parece que de presente Vos amo, ó meu Jesus, mas amo-Vos muito pouco; dai-me que Vos ame muito e Vos seja fiel até à morte”.

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