Promulgada pelo Papa Paulo VI, em 1965, a Apostolicam Actuositatem, fruto do Concílio Vaticano II, é um dos documentos do Magistério da Igreja que, justamente, trata do papel das vocações leigas. O seu caminho nas comunidades nasce a partir do Batismo.
“Entendo que a vocação dos leigos nasce do Batismo, e seu fundamento teológico está na Lumen Gentium, que apresenta a consciência de que a Igreja é o Povo de Deus peregrino. Todos, inclusive a hierarquia, provêm do Povo de Deus batizado. Os leigos e as leigas possuem uma dignidade vocacional fundamentada no Batismo. Creio que a identidade da vocação laical não é definida pela negação — por não serem ordenados —, mas pela afirmação da dignidade batismal. Jesus chamou a todos, cada um em seu estado de vida e em sua condição própria. Toda a Igreja é vocacionada”, comenta o arcebispo de Olinda e Recife (PE) e 2º vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Paulo Jackson.
“Creio que o Concílio Vaticano II oferece três documentos fundamentais para compreendermos o apostolado dos leigos. A Lumen Gentium apresenta o fundamento eclesiológico da identidade do leigo; a Gaudium et Spes trata da relação da Igreja com o mundo moderno e reafirma sua missão de serviço; e o decreto Apostolicam Actuositatem aborda explicitamente o apostolado laical”, contextualiza o prelado.
Os leigos dispõem de várias possibilidades de atuação na Igreja. Dom Paulo Jackson apresenta algumas delas. “Vejo que os leigos exercem sua missão tanto no interior da comunidade eclesial, por meio dos movimentos, pastorais e diversos serviços, quanto na sociedade, especialmente no mundo do trabalho, da economia, da política e das demais instâncias sociais”, explica o arcebispo.
Nas comunidades, os leigos são chamados a viver em espírito de sinodalidade, por meio da Comunhão, Participação e Missão (Relatório Final do Sínodo 2021–2024). “Diria que o caminho da sinodalidade se sustenta sobre três elementos fundamentais: a espiritualidade de comunhão; os processos de comunhão e os organismos de comunhão”, recorda.
“Os leigos e leigas são chamados a cultivar uma espiritualidade profundamente marcada pelo respeito mútuo, pela unidade, pela corresponsabilidade e pela comunhão com sua diocese e com seu bispo”, orienta o arcebispo.
A Igreja, em suas variadas instâncias, convida os leigos a atuarem em conjunto. “Por isso, considero fundamentais os organismos de comunhão, como os Conselhos Pastorais e os Conselhos para Assuntos Econômicos das paróquias e dioceses. Também considero importante a presença dos leigos nos diversos conselhos da sociedade civil, nos conselhos tutelares, nos cargos eletivos e na política partidária, como expressão de sua missão evangelizadora no mundo”, frisa.
“Quando os leigos assumem com alegria sua vocação batismal, a Igreja se fortalece e o mundo se torna mais próximo do Reino de Deus”, finaliza Dom Paulo Jackson.
Sinodalidade na Família
Ao longo dos séculos, a Santa Mãe Igreja, por meio de seu Magistério, convida os leigos a caminharem de forma conjunta. Entretanto, mesmo dentro da própria família, pode ser difícil produzir um espaço de comunhão e escuta. Na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, de 1981, o Papa João Paulo II destaca a participação familiar na comunidade cristã como “Igreja Doméstica” (nº 21), sinal de sinodalidade e unidade.
Como posso exercer a sinodalidade na minha comunidade?
Entenda a relação entre a sinodalidade e a vida em comunidade.
Eucaristia, pão dos caminhantes
A Eucaristia, apresentada pela Igreja como fonte e centro da vida cristã, também fortalece a vivência da sinodalidade. Dom João Justino reflete sobre a importância da comunhão eclesial, da assembleia litúrgica e da celebração de Corpus Christi para a caminhada da Igreja.
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