Revista de Aparecida

Sinodalidade na Família

A sinodalidade começa em casa, na escuta, no acolhimento e na construção da comunhão

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Escrito por Matheus Azevedo

30 JUN 2026 - 07H00 (Atualizada em 30 JUN 2026 - 18H00)

Thiago Leon

Ao longo dos séculos, a Santa Mãe Igreja, por meio de seu Magistério, convida os leigos a caminharem de forma conjunta. Entretanto, mesmo dentro da própria família, pode ser difícil produzir um espaço de comunhão e escuta. Na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, de 1981, o Papa João Paulo II destaca a participação familiar na comunidade cristã como “Igreja Doméstica” (nº 21), sinal de sinodalidade e unidade.

“O tema da Igreja Doméstica é bem analisado e refletido pela Igreja. Quando pensamos na realidade da família hoje, nos damos conta do quanto é importante a palavra da Igreja. Refletindo sobre o diálogo e a escuta, a sinodalidade vem justamente abrir espaços enriquecedores de compreensão e acolhida”, pontua o bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ), Dom Luiz Henrique.

Assessoria de Comunicação - Diocese de Barra do Piraí - Volta Redonda Assessoria de Comunicação - Diocese de Barra do Piraí - Volta Redonda Dom Luiz Henrique, Bispo diocesano de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ)

São João Paulo II destaca que “o futuro da humanidade passa pela família!” (Conclusão da Familiaris Consortio). “Numa perspectiva que atinge as próprias raízes da realidade, deve dizer-se que a essência e os deveres da família são, em última análise, definidos pelo amor”, Papa João Paulo II, nº 17.

Sem a comunhão e a proximidade, impactos poderão surgir em núcleos que enfrentam dificuldades de convivência, distanciamento afetivo e falta de comunicação. Dom Luiz Henrique relaciona essa temática à dinâmica da sociedade.

“Importante não temer diálogo e a compreensão. A capacidade de ouvir sem atitudes impositivas, mas pelo contrário, colocar-se no lugar do outro. Isso se chama empatia, um comportamento extremamente importante em tempos de muita rigidez e polarização tanto religiosa como política, o que pode fragilizar e muito a convivência. É preciso romper barreiras do fechamento e radicalizações que nos tornam incapazes de compreender e acolher”, ressalta o prelado.

As famílias são convidadas a testemunhar a evangelização e o cuidado no cotidiano, seja na comunidade paroquial, na educação dos filhos ou na sociedade como um todo. “A partir da família construímos pontes de solidariedade e entendimento. Se no ambiente familiar não se constrói esse caminho de diálogo, estaremos contribuindo para uma geração da indiferença. Esse perigo já foi grandemente alertado pelos papas recentes, ou seja, a cultura da indiferença. Devemos superar esse círculo vicioso se quisermos construir uma sociedade de paz, justiça e fraternidade”, relembra o bispo.

Ao analisar o contexto atual, marcado pelo individualismo, pelo excesso de tecnologia, pelo enfraquecimento dos vínculos familiares, e por tantos outros desafios, Dom Luiz Henrique, à luz da sinodalidade e da Sagrada Família, indica pontos a serem observados como sinal de unidade.

“Minha sugestão é que aconteça um despertar no caminho do diálogo e da escuta, enfrentando as “feridas” causadas pela indiferença e fechamento do coração. Isso significa mais atenção a verdadeiros encontros, oferecendo tempo precioso para escuta e comunicação. Mais olho no olho e menos celular”, orienta.

Congresso da Pastoral da Família do Regional Leste 1

Como forma de integrar as ações familiares, no mês de setembro, entre os dias 11, 12 e 13, o Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende o estado do Rio de Janeiro, promoverá o XI Congresso da Pastoral Familiar, na Diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ).

O tema do Congresso deste ano será “A arte de comunicar: transformando as relações familiares” e o lema, “E acima de tudo, vistam-se de amor, que é o laço da perfeição” (Cl 3,14).

De acordo com a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “os Congressos da Pastoral Familiar têm como objetivo principal a formação, espiritualidade e integração dos agentes pastorais. Eles servem para alinhar o trabalho de evangelização, trocar experiências e capacitar líderes para fortalecer as famílias, promovendo-as como ‘Igrejas domésticas’ e santuários da vida na sociedade”.

Todo o Congresso é organizado por meio de equipes de casais da Pastoral Familiar integradas para a realização das atividades. Dom Luiz Henrique avalia o papel dos fiéis no engajamento das atividades e na promoção da reconstrução das famílias. “A partir de um verdadeiro engajamento na mensagem do Evangelho, só podemos ter esse caminho de restauração das famílias e de convivência saudável. A família tem papel fundamental nessa reconstrução social”, finaliza o bispo.

Pastoral Familiar - Regional Leste 1 CNBB Pastoral Familiar - Regional Leste 1 CNBB


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