Revista de Aparecida

Outubro: Missão, Missionariedade, Maria

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Escrito por Pe. Ferdinando Mancílio, C.Ss.R.

30 SET 2026 - 07H00

Thiago Leon

O mundo apressado diz que é importante correr para ganhar. A vida nos diz que é preciso sonhar. Quem não sonha não vive. A conversa descontraída numa tarde de domingo, lá no alpendre, já se vai bem ao longe. Saudosismo? Não! É preciso sim resgatar valores que não perecem.

No mundo apressado não há espaço para se preocupar com a pessoa e muito menos com sua história. Se não há interesse por que comprometer-se? Ainda é bom lembrar quantos amigos temos em vida, e quando se cai doente são poucos os que se lembram de serem amigos de verdade, fazendo-se parceiros nesta hora de dor, de limitação e dificuldades.

Somos missionários. O batismo que recebemos nos conduz para dentro do coração de Cristo, o Missionário do Pai. Com Ele somos, devemos e precisamos ser missionários da esperança e da utopia cristã. Essa presença vital de Cristo, faz nascer em nosso interior um movimento que nos tira do comodismo e nos impulsiona ao outro. Não por obrigação, mas por transbordamento: quem experimenta o amor de Deus sente o desejo profundo de anunciá-lo. Você não comenta as coisas boas que lhe acontecem? Então, o mesmo deve acontecer quando temos os mesmos sentimentos de Cristo.

Jesus não enviou seus discípulos com discursos elaborados ou garantias humanas, mas com a força do Espírito e a simplicidade do testemunho. A missão começa no coração convertido e se concretiza nos gestos cotidianos: na escuta atenta, na paciência, na misericórdia, na coragem de viver o Evangelho mesmo quando isso custa. Muitas vezes, a missão mais fecunda não acontece em terras distantes, mas dentro da própria casa, no ambiente de trabalho, na convivência social marcada por indiferença, feridas e desesperança.

Temos de ser artistas e esculpir a arte, a bela arte da vida. E diante do Evangelho de Jesus nasce e renasce para nossa humanidade o sonho de um mundo desejado por Deus. É diante deste mundo vulnerável, frágil e fragmentado que somos chamados para viver a misericórdia divina. Acolher o doente e oprimido, sepultar os mortos, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede, dar abrigo aos peregrinos, cobrir quem anda com frio, restabelecer a justiça e solidariedade... Precisamos ser um mundo de reconciliados, e não cheio de divisão.

Sejamos, pois, como a fonte que jorra silenciosamente a água que nos mata a sede, sendo uns para com os outros sinais do Evangelho, da verdade de Cristo. Maria é nossa fonte incomparável de cristianismo e de discipulado, pois foi discípula fiel.

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