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Revista de Aparecida

Peregrinos, longes terras

“O que buscavam os antigos romeiros? O que buscam os peregrinos de hoje? Aquilo mesmo que buscavam no dia, mais ou menos remoto, do Batismo: a fé, e os meios de alimentá-la.” (Papa João Paulo II)

Escrito por Victor Hugo Barros

01 JAN 2023 - 11H25 (Atualizada em 13 JAN 2023 - 10H09)

Centro de Documentação e Memória - Santuário Nacional

É impossível desassociar Nossa Senhora Aparecida de seus romeiros. Do encontro da pequena Imagem nas águas do rio Paraíba do Sul, em 1717, até os dias de hoje, eles sempre se fizeram presentes junto à Padroeira do Brasil. Em 1750, o padre Francisco Silvério, jesuíta que havia pregado Missão na região de Aparecida, relata em uma crônica o movimento de romeiros, afirmando que “muitos afluem de lugares afastados, pedindo ajuda para suas próprias necessidades”.

Documentos afirmam que nos primeiros 25 anos após a pesca da Imagem, a devoção a Nossa Senhora Aparecida já havia se espalhado pelo Vale do Paraíba, na capital e no litoral paulista e em Minas Gerais. A partir de 1745, regiões do Centro-Oeste e do Sul também já conheciam a história daquela pequena Imagem, que já ocupava um grande espaço no coração de seus devotos.

Nesse período, com a precariedade dos meios de transporte, as peregrinações aconteciam pelas vias empoeiradas. A situação mudou com a inauguração da Estrada de Ferro, em 1887. A partir daí, os trens passaram a ser utilizados pelos romeiros, tornando possível uma melhor organização das romarias.

Em 1894, o padre Lourenço Gahr, Missionário Redentorista que integrou a primeira turma de padres e irmãos vindos da Alemanha, deixou um precioso relato de como aconteciam essas peregrinações: “A maior parte dos romeiros vem de trem, mas no tempo seco, de abril a novembro, vêm muitas caravanas com 15-30 cavalos, burros e cargueiros. (...) Chegando, dirigem-se logo ao Santuário, rezam por algum tempo; muitas vezes com lágrimas nos olhos, beijam reverentes os altares”. Em 1900, têm início também as romarias diocesanas e paroquiais, já que até esse período elas eram fruto de iniciativas pessoais, familiares ou de pequenos grupos.

De diferentes formas, as romarias persistem até hoje. Não mais nos lombos dos burros, mas nos carros e ônibus que todos os fins de semana enchem os pátios do Santuário ou ainda nos pés dos romeiros que cortam as estradas de todo o país, caminhando através “de altos montes e altas serras” para “beijar os pés” da Senhora Aparecida.



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