Passado Pentecostes, São Paulo narra, no livro dos Atos dos Apóstolos, um acontecimento importante na vida da Igreja: a continuidade da caminhada dos cristãos. “Eles perseveravam na doutrina dos apóstolos, na vida em comunidade, na fração do pão e nas orações” (At 2,42).
“A sinodalidade é a natureza da Igreja, faz parte do ser da Igreja. Os Santos Padres diziam que Igreja e sínodo são sinônimos; então, a Igreja é sinodal. Ela não é só um método, mas um modo de ser da Igreja, que é caminhar juntos nas diferenças, escutando uns aos outros e, também, na escuta do Espírito Santo”, destaca Dom Maurício da Silva Jardim, bispo de Rondonópolis-Guiratinga (MT) e presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O apóstolo Paulo classificava as comunidades cristãs como “Igreja” de Deus, do grego Ekklesia, que significa “assembleia” ou “reunião dos chamados” (1Cor 15,9). Nesse sentido, todo fiel leigo é chamado a exercer sua missão nas comunidades, vivendo a sinodalidade por meio dos diversos organismos particulares. “Todo batizado é chamado a caminhar junto com outros batizados (...) Concretamente, numa paróquia, nós temos o conselho paroquial. Os conselhos são exercício da sinodalidade, porque ali estão os ministros ordenados, a vida consagrada, as pastorais e os movimentos”, pontua Dom Maurício.
Dom Maurício da Silva Jardim, bispo de Rondonópolis-Guiratinga (MT) e presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
“Quando o batizado participa de uma pastoral ou de um movimento, é ali também o espaço para exercer a sinodalidade. Como fiel participante da liturgia e dos sacramentos, ele é inserido nesse caminho da Igreja, que é uma Igreja de comunhão, participação e missão. Todos são chamados a fazer esse caminho da sinodalidade: participar, estar em comunhão com a Igreja, com o Papa, com o seu bispo, com o pároco e com a sua paróquia. Esse é o lugar concreto de viver a sinodalidade”, explica o prelado.
Existem diversas formas de exercer a sinodalidade dentro das comunidades, mas todas são chamadas a serem missionárias, anunciando a Palavra de Deus aos povos, conforme apresentando no tópico 15 do Relatório Final do Sínodo sobre a Sinodalidade (2021-2024). “Todo batizado é missionário e deve se sentir incluído nesta missão que a Igreja realiza ao cooperar com a missão de Deus, que é anunciar o Evangelho a todos os povos”, frisa o bispo.
As Igrejas Particulares também dispõem de organismos que colaboram com as ações missionárias dos fiéis junto às mais variadas realidades e, principalmente, entre as comunidades. “Os conselhos missionários reúnem todos os atores e instituições ligados à ação missionária. Na sua paróquia pode existir o COMIPA, Conselho Missionário Paroquial; na Diocese, o Conselho Missionário Diocesano, que é um espaço de escuta, discernimento, tomada de decisões e caminhada conjunta. A Igreja do Brasil possui muitos projetos que apontam para isso, como o projeto Igrejas Irmãs, em que uma diocese ajuda outra diocese, além das visitas missionárias às casas das famílias e das missões populares, sempre realizadas em conjunto”, contextualiza Dom Maurício.
Além disso, a ação missionária se concretiza em outras frentes. “No âmbito nacional, temos o Conselho Missionário Nacional. Esse conselho produziu um programa missionário nacional para a Igreja no Brasil. Nesse programa, vemos linhas comuns de ação justamente para que a missão aconteça em comunhão. A missão não é cada um fazendo do seu jeito, mas todos caminhando juntos. Esse aspecto da comunhão é muito importante na nossa ação missionária”, completa o bispo.
“A sinodalidade está em vista da missão. São duas palavras que não devemos separar: Igreja sinodal em missão. Não podemos separar sinodalidade de missão, porque a vida missionária se faz juntos. Somos missionários e caminhamos juntos. É muito importante sermos uma Igreja sinodal, mas também uma Igreja em missão. A sinodalidade é parte do ser da Igreja, assim como a missionariedade também é essência e natureza da nossa Igreja”, finaliza Dom Maurício Jardim.
Conheça mais a sinodalidade
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Eucaristia, pão dos caminhantes
A Eucaristia, apresentada pela Igreja como fonte e centro da vida cristã, também fortalece a vivência da sinodalidade. Dom João Justino reflete sobre a importância da comunhão eclesial, da assembleia litúrgica e da celebração de Corpus Christi para a caminhada da Igreja.
Maria, um exemplo de sinodalidade
O Magistério da Igreja é amplo ao apresentar a presença de Maria na história da salvação. Ela é modelo de virtudes, fé e perseverança para os cristãos, como destaca a Constituição Dogmática Lumen Gentium, de São Paulo VI, publicada em 1964.
Maria, o rosto sinodal da Igreja
O texto apresenta Maria como modelo de Igreja sinodal, destacando seu papel de comunhão, escuta e missão, inspirando os fiéis a viverem unidos na fé e a levar Cristo ao mundo.
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