Revista de Aparecida

Tríduo Pascal: o coração do ano litúrgico

Escrito por Pe. Rodrigo Arnoso, C.Ss.R.

31 MAR 2026 - 07H00

Thiago Leon

A cada domingo, os cristãos presentes nas mais diversas realidades do mundo se reúnem para celebrar a memória do oitavo dia, isto é, da Ressurreição de Jesus.

A observância do domingo como dia do Senhor já nos remete às primeiras horas do cristianismo. Entretanto, uma vez ao ano a Igreja celebra este mistério de forma solene, em três dias. Esse momento é denominado pela liturgia de tríduo pascal. Em três dias a Igreja recorda e atualiza a paixão, morte e ressurreição de Cristo.

O tríduo pascal é antecedido por um longo período de preparação que chamamos Tempo da Quaresma. Durante 40 dias a comunidade eclesial é chamada a meditar, à luz do seu batismo, a necessidade de uma conversão diária, com o escopo de bem viver a fé. Por isso, ajudados por preces e ritos, percorremos um itinerário que pouco a pouco nos conduz a celebrar a vida de Jesus, que se doa no alto da cruz, a fim de que Nele todos encontrem a vida que não tem fim.

A celebração da Ceia do Senhor é o marco do início deste bonito tempo de fé e celebração. Nesta noite iluminada pela narrativa do Lava-pés, somos convidados a celebrar o mandamento novo, o ministério sacerdotal e sobretudo a instituição da Eucaristia. Esses três mistérios nos recordam o serviço que cabe a cada cristão, que é exortado a reclinar-se diante dos que mais sofrem, guiados pelo mandamento do amor, na generosidade do serviço oblativo, conduzindo todos para participarem do banquete, onde todos são irmãos.

Na ação litúrgica da sexta-feira rezamos o mistério da Paixão do Senhor. Reunidos em comunidade não celebramos a eucaristia, pois o noivo Jesus está ausente. Essa liturgia é marcada pelo silêncio, que nos ajuda a rezar o mistério da morte. Entretanto, nessa celebração experimentamos a paixão proclamada, por meio da Liturgia da Palavra, a paixão rezada, quando pronunciamos a prece universal, a paixão adorada, ao nos aproximarmos da cruz desvelada para beijá-la, e por fim a paixão comungada onde recebemos a eucaristia que foi colocada e adorada na noite anterior, no altar da deposição.

O sábado é um dia de recolhimento. Nele a comunidade eclesial é chamada a viver a dimensão do silêncio, em vista do que está para acontecer: a celebração da Ressurreição do Senhor. Por isso, na noite de sábado, que para nós cristãos já é domingo, a comunidade celebrante é convocada a proclamar que a vida venceu a morte. Em uma celebração rica de sinais, recordamos esse mistério central da nossa fé. O Círio Pascal é acesso, a história da salvação é recordada, novas pessoas são acolhidas na fé, outras a renovam e todos participamos do banquete da vida.

O Tríduo Pascal encerra-se com a celebração do Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor. Essa única celebração que se desenvolve em três dias, nos recorda que esse é o evento iluminador de toda a ação missionária da Igreja. Celebrá-lo é torná-lo sempre atual e atuante na vida da comunidade eclesial.

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