Por Jornal Santuário Em Notícias Atualizada em 25 OUT 2019 - 11H32

Exploração Sexual: o perigo à beira das estradas brasileiras

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De norte a sul do país, as rodovias que cortam o território nacional apresentam inúmeros pontos favoráveis à exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, uma das piores formas de trabalho infantil, classificada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). No Brasil, segundo dados do Projeto Mapear, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), existem 2.487 localidades vulneráveis à exploração sexual. Mais da metade são situadas em áreas urbanas e há 489 lugares considerados críticos.

Leia MaisProjeto leva temática do trabalho infantil à rede pública de ensinoComo a Lei trata a situação de crianças e adolescentes que querem jogar futebol?Trabalho artístico de crianças deve seguir regrasJovem Aprendiz: profissionalização e combate ao trabalho infantilQuase 2 milhões de crianças e adolescentes trabalham de forma ilegal no Brasil A exploração sexual comercial é caracterizada pela utilização de crianças e adolescentes em atividades sexuais remuneradas. E não é unicamente constituída pelo ato sexual; é também constituída por qualquer forma de relação de coito ou atividade erótica que provoque proximidade físico-sexual entre a vítima e o explorador.

É comum, à beira das estradas federais brasileiras, a oferta desse tipo de trabalho por parte dos abusadores, que enxergam nos jovens que sofrem de vulnerabilidade social a oportunidade de um negócio fácil e lucrativo. Em que pese à grande possibilidade de ter prejudicada a saúde física e psicológica, esses jovens acabam encontrando na prostituição uma forma de obter de recursos para suprir a pobreza e/ou a fuga momentânea de diversos problemas encontrados em um lar desassociado. Os locais de baixa iluminação, de grande presença de pessoas e, principalmente, de caminhoneiros, são as regiões favoritas para a comercialização do sexo infantil.

Para o inspetor Leon, policial rodoviário federal e coordenador regional do Projeto Mapear no Estado de São Paulo, é preciso ressaltar a importância de tratar o assunto de forma adequada, considerando as pessoas menores de 18 anos sempre como vítimas das explorações. “As crianças e os adolescentes não se prostituem por vontade própria. Por serem de baixa renda e de seio familiar desagregado, tornam-se o alvo preferido dos exploradores, que os aliciam. Os lugares também são propícios para o abuso, pois possuem pontos de grande circulação próximos às rodovias.”

Segundo um levantamento do Projeto Mapear, que é responsável por capacitar os policiais rodoviários federais para coletar dados e efetuar um levantamento de "Pontos com Vulnerabilidade e Criticidade” de abusos, a Região Nordeste apresenta o maior índice dentre lugares mais propensos à vulnerabilidade para exploração sexual comercial de menores nas estradas. Ao todo, são 644 locais observados por meio desse mapeamento. Na região Sul, foram detectados 575 pontos, enquanto nas regiões Sudeste, Norte e Centro-Oeste, foram identificados 468, 404 e 396, respectivamente. Os números apresentam uma preocupante homogeneização e totalizam 2.487 lugares vulneráveis à prática de exploração sexual.

A mesma pesquisa levanta o número de pontos críticos nas estradas, que são aqueles em que se observam maiores possibilidades de exploração, indicando a Região Nordeste do País como a mais propensa. Apenas no Estado do Ceará, são 81 pontos críticos reconhecidos pela PRF; nos Estados de Goiás, Pará e Minas Gerais, tiveram identificados 55, 52 e 48 pontos críticos, respectivamente. A BR-116 é a rodovia que concentra o maior número de casos: 114 em toda a sua extensão, o que corresponde a 14% do total.

A população pode auxiliar a PRF, bem como o Conselho Tutelar e demais autoridades que atuam diuturnamente no enfrentamento dessa prática abusiva, denunciando por meio do Disque 100 e 180 e ainda pelo 191, que é o canal da PRF.

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