Comportamento

Posso casar mesmo se eu não quiser ter filhos?

Escrito por Jovens de Maria

08 MAR 2021 - 11H35 (Atualizada em 08 MAR 2021 - 11H50)

Shutterstock/ Mila Supinskaya Glashchenko Casamento (Shutterstock/ Mila Supinskaya Glashchenko)

Você conhece uma pessoa. Vocês começam a namorar, conversam, saem, se conhecem, vivem uma grande paixão. O relacionamento é bom e, com isso, vocês percebem que se amam. Diante desse amor, vocês decidem se casar! Receber o sacramento do Matrimônio. Entretanto, um dos dois ou mesmo os dois dizem: não quero ter filhos!

Leia MaisO Casamento está fora de moda?Essas pessoas podem receber o sacramento do Matrimônio? Aqui podemos responder de algumas formas. Vamos, primeiramente, pelo Catecismo da Igreja Católica. Nele temos que “a fecundidade é um dom, um fim do Matrimônio, porque o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo.” (CIC, 2366)

Sendo assim, a abertura a ter filhos é Um fim, uma finalidade do Matrimônio. O amor entre os esposos tende a gerar uma nova vida, partícipe dessa união. Nesse sentido, completa o Catecismo, afirmando que “A Igreja, que ‘está do lado da vida’, ensina que ‘qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida’”.

De igual forma, no momento da celebração do Sacramento do Matrimônio, os noivos são interrogados se aceitam receber amorosamente os filhos como dom de Deus e a educá-los segundo a lei de Cristo e da sua Igreja. Nesse sentido, já temos um norte para responder à pergunta de nosso título.

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Entretanto, podemos também recorrer a uma visão não normativa/descritiva, mas fundada na experiência do verdadeiro amor. Experiência que se chega não somente pelos mandamentos, mas também pela compreensão profunda do que seja esse ato.

Nesse sentido, Viktor Emil Frankl, criador da Logoterapia e Análise Existencial, ao abordar o sentido do amor, afirma que:

“Por fim, ao lado da graça de ser amado e do feitiço do amar, um terceiro momento surge ainda no amor; o seu milagre; porque, precisamente através do amor, e dando um rodeio pelo biológico, consuma-se o que é, de algum modo, inconcebível: uma pessoa nova entra na vida, cheia, ela também, daquele mistério do ‘caráter de algo único’ e irrepetível da existência – e um filho é isto!”

Aqui, nos deparamos com algo que talvez não pensemos, e mesmo que pode ser apagado quando vivemos os desafios de ser pai e mãe nos dias atuais: o milagre e mistério que é a existência de uma pessoa. Ainda mais belo é constatar que esse mistério nasce dessa união entre duas pessoas e, mais do que isso, necessita de amor para que se desenvolva sadiamente.

Leia Mais Casamento não é um 'puxadinho'Karol Wojtyla (São João Paulo II), em um excelente livro chamado “Amor e Responsabilidade”, diz que “O homem e a mulher, pela procriação, pelo fato de participarem da obra do nascimento dum novo ser, participam também, a seu modo, na obra da criação. Podem pois, considerar-se como cocriadores conscientes dum novo homem.

O Sacramento do Matrimônio convida os esposos a vivenciarem o mistério do amor até o fim. Do amor de “Cristo pela Igreja”, estaria amputado se não concebesse a finalidade da abertura aos filhos. Essa realidade, apresenta-se como uma conclusão lógica da profunda vivência do ato de amar uma pessoa, ou seja, de reconhecê-la como única e irrepetível e, diante disso, junto com Deus, participar na criação de uma nova pessoa.

Creio, caro leitor, que essa são algumas luzes que podem ajudar na resposta à pergunta acima.

José Augusto Rento Cardoso
Casado, pai de 3 filhos
Membro do Movimento de Vida Cristã
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