Por João Antônio Johas Leão Em Crescendo na Fé Atualizada em 03 ABR 2019 - 14H33

As coisas realmente podem ser mudadas pela oração?

Quando falamos da oração, do que estamos falando? É de realizar algumas práticas piedosas esperando que algo se mude em nosso favor? Se fosse assim, em que se diferenciaria a oração de qualquer transação mundana, na qual damos algo para receber algo em troca? Essa não parece ser a relação correta a ter-se com Deus.

Por outro lado, Jesus repetidamente nos convida a orar sem cessar. Diz-nos, ainda, que se realmente acreditamos naquilo que pedimos, o Pai nos concederá. E se a nossa fé fosse do tamanho de um grão de mostarda, diríamos paras as montanhas que se deslocassem até o mar e elas iriam. Como nos aproximar, então, a vida de oração?

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Não me parece algo tão fácil de compreender. Entramos em um ambiente misterioso, no qual caminhamos com a certeza da fé, diferente da certeza da ciência a qual estamos muito acostumados e que parece mais segura aos nossos olhos de pouca fé. E talvez esse seja um primeiro ponto importante de se remarcar. Eu não sei se Jesus estava sendo literal quando falou sobre as montanhas saírem do lugar e irem parar no mar, mas nunca vi isso acontecer. Ou Jesus mentiu, mesmo que seja em sentido figurado, e as pessoas têm fé, mas ela não serve para muita coisa; ou o que nos falta é mesmo uma fé ainda que tão pequena, como para ser comparada a uma sementinha de mostarda.

A primeira opção é absurda, o que nos deixa a triste constatação de que nossa fé talvez precise crescer um pouco mais. E de fato, nas muitas cenas que Jesus realiza milagres nos Evangelhos, vemos que Ele diz: “Sua fé te curou; Sua fé te salvou”. Um caso particular é a do centurião, que se reconhece indigno de que Jesus venha até sua casa para salvar seu filho. Jesus diz que não encontrou fé maior que a dele em Israel (Lc 7, 9).

Na missa, nós repetimos as mesmas palavras do centurião, talvez com a esperança de demonstrar uma fé como a dele. Mas muitas vezes passa despercebido o momento em que repetimos: “Senhor, não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo”. Dizemos isso e, no entanto, momentos depois Ele se inclina outra vez para nós e se dá na comunhão. Nesse instante Ele, realmente, entra em nossa morada. Será que nos consideramos mesmos indignos?

A oração é manifestação de nossa fé!

É o nosso relacionamento pessoal com Deus. Que se manifesta de modo especial em momentos fortes de oração, mas que não acaba com eles. Pelo contrário, toda a nossa vida é oração, porque está em relação com Deus.

Agora, será que fora desses momentos particularmente piedosos, nos mantemos realmente em relação com Deus? Ou esquecemos com facilidade dEle? Ainda mais quando Ele parece não escutar as nossas súplicas tão fervorosas!

Talvez por nossa cabeça passe o seguinte: “Se Deus me responde, poderei ter uma fé maior”. Quando na verdade, penso que o natural é o contrário:

Com uma relação pessoal cada vez mais intensa com o Senhor, faz mais sentido que Ele atenda as nossas súplicas. Porque nesse segundo caso Ele é verdadeiramente nosso amigo, nosso Pai, nosso Senhor, nosso Consolador. No primeiro caso, ele é mais parecido com o dono de uma loja na qual se vende de tudo ao preço de Ave-Marias.

As coisas realmente podem mudar com a oração?

É claro que sim. Deus pode tudo que não vá contra o seu próprio Ser Divino. Ele pode curar uma doença, Ele pode impedir algum acidente, Ele pode conseguir um trabalho e tantas outras coisas que nem conseguimos imaginar e que Ele continuamente faz. Mas o que Ele quer (e parece necessitar mesmo) é a nossa fé. Uma fé que seja pequena, como um grão de mostarda, mas que seja firme e verdadeira. E uma fé assim, antes de querer qualquer milagre, quer que se cumpra sempre a vontade de Deus, antes que a própria vontade.

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