Por João Antônio Johas - Jovens de Maria Em Crescendo na Fé Atualizada em 03 ABR 2019 - 14H51

O silêncio da Sexta-feira Santa

No Tríduo Pascal somos convidados a aprofundar um pouco mais nos mistérios centrais da nossa fé. Os mistérios da Paixão, morte e ressurreição de Jesus. Os acontecimentos desses dias possuem a força de, se o permitimos, transformar a nossa vida totalmente. Depois da quinta-feira santa, na qual celebramos a última ceia do Senhor com seus apóstolos, o vemos ser preso e entramos na parte mais negra desses dias. O Senhor é morto e, por alguns momentos, muitos pensam que tudo está perdido.

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Sinais disso que podemos encontrar nas Escrituras podem ser, por exemplo, o fato dos discípulos se reunirem com as portas fechadas, com medo. Também o episódio dos dois peregrinos de Emaús, que voltavam tristes para sua cidade e não conseguem reconhecer o próprio Jesus que caminhava já ressuscitado ao lado deles. Durante três dias, o Senhor jaz no sepulcro, como qualquer homem. Realmente parece, aos olhos meramente humanos, que a missão teria fracassado. E por isso se fez silêncio.

 

O silêncio desses dias é fruto de uma espécie de assombro, que leva ao nosso interior a pergunta sobre a relação pessoal de cada um com Deus 

Também nós fazemos silêncio hoje porque os acontecimentos daqueles dias não deixaram de ser um mistério muito profundo. Como assim Deus morreu? Isso é realmente possível? E além do mais, morreu por cada um de nós, para a nossa salvação. O silêncio desses dias é fruto de uma espécie de assombro, de deslumbramento, de admiração que leva ao nosso interior a pergunta sobre a relação pessoal de cada um com Deus. Jesus fez tudo o que fez, sofreu tudo o que sofreu, para mostrar-nos que é possível viver o amor tal como o nosso coração deseja: plenamente.

O silêncio, apesar de soar um pouco contraditório, diz várias coisas. Ele afirma a nossa incapacidade de compreender totalmente o que estamos testemunhando. Também deixa ver que isso que me faz silenciar toca profundamente meu ser, deixa evidente que tem algo a ver comigo. O nosso interior parece “sintonizar” com o mistério como se exigisse entender melhor, ao mesmo tempo, percebe que a humildade é a atitude necessária para o acolher melhor.

E nessa sexta-feira da paixão descobrimos uma nova oportunidade

O Frei Cantalamessa, em uma homilia de sexta-feira santa, nos fala dessa oportunidade:

“Nós temos a possibilidade de tomar, neste dia, a decisão mais importante da vida, aquela que nos abre de par em par os portões da eternidade: acreditar! Acreditar que “Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação” (Rm 4, 25)! Numa homilia pascal do século IV, o bispo proclamava estas palavras excepcionalmente contemporâneas e, de certa forma, existenciais: “Para cada homem, o princípio da vida é aquele a partir do qual Cristo foi imolado por ele. Mas Cristo se imola por ele no momento em que ele reconhece a graça e se torna consciente da vida que aquela imolação lhe proporcionou” (Homilia de Páscoa no ano de 387; SCh 36, p. 59 s.) ”.

Acreditar, ao contrário do que se pensa por aí, não é fácil. Por algo Jesus compara a nossa fé com um grão de mostarda dizendo que se tivéssemos a fé tão grande como a dessa minúscula semente, seríamos capazes de coisas grandiosas. Mas o fato é que nossa fé não é nem do tamanho dessa semente. Peçamos ao Senhor que aumente a nossa fé e que o silêncio pronunciado desses dias santos nos ajude a entrar mais no mistério e decidir-nos, cada vez mais, por apostar a nossa vida nesse Jesus que se entregou por nós.


Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas - Jovens de Maria

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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