Memorial Virtual

Era de ouro do rádio no Brasil

Fazer rádio era um acontecimento, e ouvir rádio também!

Linkedin

Escrito por José Eduardo

07 MAI 2026 - 11H58 (Atualizada em 27 MAI 2026 - 10H27)

Comissão para o Patrimônio Histórico - CSSR

A chamada “época de ouro do rádio” no Brasil, entre as décadas de 1930 e 1950, marcou a consolidação do meio como principal veículo de comunicação de massa no país. Impulsionado por políticas de incentivo à cultura e à integração nacional durante o governo de Getúlio Vargas, o rádio passou a alcançar diferentes regiões e classes sociais, criando uma linguagem própria e fortalecendo a identidade cultural brasileira.

Estudiosos do rádio apontam que o período foi decisivo para a popularização do aparelho radiofônico nos lares. Apesar de ainda ser algo restrito aos centros urbanos, por conta da necessidade de energia elétrica, a redução do custo do aparelho de rádio ao longo deste período, mesmo pequena, também colaborou para este avanço.

A programação radiofônica se diversificou e ganhou caráter profissional, especialmente a partir dos anos 1940. Emissoras alcançaram expressivos indicadores de audiência ao investir em radionovelas, programas de auditório, humorísticos e musicais ao vivo, estabelecendo um padrão que seria seguido em todo o país. Essas produções ajudaram a transformar artistas e locutores em ídolos populares, acompanhados diariamente por milhões de ouvintes. O jornalismo também teve papel importante, ajudando a facilitar o acesso à informação que, na época, chegava apenas pelos jornais impressos.

“A chamada ‘época de ouro’ do rádio aconteceu em um momento em que o rádio era muito mais do que um veículo de comunicação: ele era companhia, entretenimento, informação e ponto de encontro emocional das famílias brasileiras. [...] Os grandes artistas e comunicadores entravam diariamente dentro da casa das pessoas, criando uma relação de intimidade muito forte com o público. [...] Fazer rádio era um acontecimento, e ouvir rádio também. Hoje a atenção está dividida entre inúmeras plataformas, mas naquela época o rádio ocupava um espaço central na vida cultural e afetiva do país”, avalia Fernando Vítolo, um dos autores do livro “100 Anos de Rádio no Brasil: na voz dos Campeões do Microfone”, ao lado de Heródoto Barbeiro e Nilo Frateschi Jr.

A emissora de maior destaque no período foi a Rádio Nacional. Criada em 1933, entrou oficialmente no ar em 12 de setembro de 1936, instalada no Rio de Janeiro. Sua autorização de funcionamento foi formalizada pelo Decreto nº 920 de 1936. Desde o início, foi destaque pela qualidade técnica e pela diversidade de programação, que incluía música popular, transmissões esportivas e programas ao vivo, consolidando-se rapidamente como um dos principais veículos de comunicação do país.

Inicialmente da iniciativa privada, a emissora foi estatizada em 8 de março de 1940, durante o governo de Getúlio Vargas, por meio do Decreto-Lei nº 2.073 de 1940. A estatização permitiu ao governo fortalecer a integração nacional por meio do rádio. Mesmo incorporada ao patrimônio público, manteve um modelo de funcionamento que combinava interesses estatais e dinâmica comercial, investindo em publicidade, programas de auditório e na formação de um elenco artístico de grande projeção.

Também nesta época se destaca a Rádio Tupi, inaugurada em 25 de setembro de 1935, no Rio de Janeiro, por Assis Chateubriand. A emissora fazia parte do conglomerado dos Diários Associados. Posteriormente, o grupo também criou a Rádio Tupi São Paulo, ampliando a presença da cadeia de comunicação no país. As rádios Tupi foram pioneiras em formatos de jornalismo, programas de auditório e transmissões esportivas, disputando audiência diretamente com a Rádio Nacional.

Entre outras emissoras desse período áureo, também se destacam a Rádio Bandeirantes (de São Paulo, fundada em 1937 e em atividade até os dias atuais) e a Rádio Record (cujas atividades iniciaram em 1928 e desempenharam também um papel central na Revolução de 1932 em São Paulo). Esse cenário de expansão da comunicação preparou o terreno para o surgimento de novas emissoras em todo o país.

No âmbito de Aparecida, no ano de 1935, o Livro do Tombo da Paróquia de Aparecida cita que as rádios Difusora e Record já realizavam transmissões direto da Basílica de Aparecida. Este fato, na época, motivou os devotos a escrever aos Missionários Redentoristas, pedindo uma rádio para difundir a mensagem da Mãe Aparecida. 

Para os missionários que atuavam nas missões populares na década de 1930, o rádio se apresentava como um importante meio de comunicação e para o serviço pastoral. Depois, ao longo da década de 1940, motivados pelos desdobramentos do rádio no país, foram diversas as iniciativas dos missionários buscando realizar este desejo na cidade de Aparecida.

É nesse contexto que, em 1951, nasce a Rádio Aparecida. A herança da era de ouro ajudou a consolidar o rádio como instrumento de evangelização, informação e entretenimento, papel que a emissora mantém até os dias atuais.

Ouça essa história! 

Dom Antonio Ferreira de Macedo, que à época da fundação da Rádio era o Superior Provincial, recorda em áudio os desafios que os Missionários Redentoristas enfrentaram para conseguir uma estação de rádio em Aparecida.

À época, um grupo de leigos formado pelos senhores Américo Alves Pereira Filho e Rodrigo Pires do Rio, ambos de Aparecida, e Paulo Machado de Carvalho, de São Paulo, constituiu uma sociedade e conseguiu o apoio do cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Carlos Carmello Motta, para manter uma rádio em Aparecida.

Esse fato chegou ao superior provincial pelo padre Oscar Chagas Azevedo. Então, padre Macedo percebeu que poderia perder a oportunidade de ter emissora e conseguiu que o cardeal arcebispo desistisse de apoiar Américo Alves.

Ouça o depoimento de Dom Macedo sobre esse fato na época:



Comissão para o Patrimônio Histórico - CSSR Comissão para o Patrimônio Histórico - CSSR Dom Antônio Ferreira de Macedo teve papel determinante na fundação da Rádio Aparecida


Para o autor Fernando Vítolo, a tecnologia avança, mas o rádio mantém a conexão humana. Por isso, consegue se adaptar e manter sua essência:

“Acredito que o rádio atravessa diferentes gerações porque ele consegue unir duas características muito raras: credibilidade e proximidade. Em um mundo cada vez mais acelerado e repleto de excesso de informação, o rádio continua sendo uma fonte confiável, com profissionais que fazem a checagem e a curadoria da notícia antes que ela chegue ao público. Além disso, o rádio sempre teve enorme capacidade de adaptação tecnológica. Ao longo das décadas, soube incorporar novas ferramentas sem perder sua essência”. 

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Reviva a história da Rádio Aparecida

Clique em uma década e relembre a evolução da comunicação

Boleto

Carregando ...

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por José Eduardo, em Memorial Virtual

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Carregando ...

Enviar por e-mail