Frequentemente me pego a pensar como os padres Anchieta e Manoel da Nóbrega se sentiriam se pudessem retornar e, andando pelo centro de São Paulo, pudessem ver no que a Vila de Piratininga se transformou! E se pudessem, desembarcando no grande porto de Santos, o maior da América Latina, subir a Serra do Mar pela Imigrantes, usando o GPS do carro, num trajeto de pouco mais de 40 minutos!
Pouco depois da fundação, São Paulo era uma pequena vila isolada, bem pobre, com casas de taipa e pilão e ruas de terra, centrada no Pátio do Colégio, fundado em 1554 para catequese dos indígenas e filhos de colonos mais abastados. A Vila servia como ponto de partida para os bandeirantes que rumavam para o interior, descendo pelo Rio Iguatemi, hoje Tietê, com suas canoas.
Ainda que o acesso pela Serra do Mar fosse muito difícil, de São Paulo também partiam as Bandeiras, expedições exploratórias dos paulistas em direção ao interior do Brasil Colônia, buscando metais preciosos e outras riquezas. As Monções, grandes expedições fluviais que partiam também de São Paulo em direção às minas de Mato Grosso, usavam os rios Tietê, Paraná e Paraguai na época das cheias para abastecer as regiões mineradoras, conectando o litoral ao sertão e expandindo o território brasileiro.
A vila foi elevada à categoria de cidade em 1711, anos após a descoberta de ouro em Minas Gerais, que mudou o foco da colônia para a região. Com menos de 20 mil habitantes, a cidade limitava-se ao chamado "Triângulo Histórico" formado pelas atuais ruas São Bento, Direita, Quinze de novembro.
A economia tinha como base a agricultura de subsistência, os peixes pescados no Rio Tietê, palavra de origem Tupi que pode significar Rio Grande ou Verdadeiro, a cana-de-açúcar e as buscas por ouro, quando também se fazia o apresamento de índios. A estrutura da cidade e de suas moradias, com raras exceções, era bem precária, com pouca iluminação e hábitos de higiene bem precários, pois o saneamento praticamente não existia.
A estrutura de São Paulo foi mudando aos poucos até chegar ao século XIX, quando a produção e exportação de café se tornaram cruciais para seu desenvolvimento, atraindo imigrantes e impulsionando a economia e o crescimento da população. As plantações de café saíram do Rio de Janeiro, atravessaram o Vale do Paraíba, subiram pela região de Campinas e ganharam o oeste paulista acompanhadas pelas ferrovias e criação de novas cidades.
As ferrovias, assim como veias, conectavam o interior à capital, chegando ao Porto de Santos, ajudando a transformar São Paulo em um centro econômico e logístico, com a construção da Estação da Luz, Estação Júlio Prestes, abertura de novos bairros e grandes vias como a Avenida Paulista.
A área urbana entrou então num continuado processo de expansão com o loteamento de chácaras, surgimento de novas construções e melhoria da infraestrutura urbana, além da instalação de novas indústrias que, aproveitando-se do capital produzido pelo café, transformariam São Paulo no grande centro industrial, econômico e financeiro do país, superando até mesmo o Rio de Janeiro, então capital federal. Data desse período, o grande conglomerado, hoje inexistente, das Indústrias Matarazzo.
A população cresceu muito, passando de cerca de 65 mil em 1890, para 240 mil pessoas em fins do século, com forte influência estrangeira graças aos imigrantes que foram criando os bairros característicos. Por volta de 1900, São Paulo era "mais italiana" do que várias cidades da própria Itália, concentrando a maior população urbana de italianos fora da Itália.
Foi essa força humana que, somada a outros grupos, ajudou a transformar São Paulo na maior metrópole industrial da América do Sul. Foi essa São Paulo que chegou em 1954, para a grande celebração do Quarto Centenário de sua fundação (1554-1954).
A cidade já tinha passado de 3,5 milhões de habitantes nos anos 50, se encaminhando para os 3,8 milhões no Censo de 1960.
As comemorações realizadas foram uma festa apoteótica, com eventos espalhados pela cidade, especialmente no Vale do Anhangabaú. A grande festa começou com o badalar dos sinos da Catedral da Sé, simbolizando o orgulho paulista.
O dia 9 de julho também marcou a celebração do 4º Congresso Eucarístico Nacional, preparado pelas Santas Missões, em grande parte conduzidas pelos Missionários Redentoristas.
Desde sua fundação, a cidade passou por profundas transformações que a tornaram a cidade mais importante do Brasil, reconhecida por seu poderio econômico e diversidade cultural.
São Paulo enfrenta hoje muitos desafios e talvez o maior seja conciliar passado e presente, preservando sua história enquanto segue crescendo.
A cidade exerce influência política relevante, com instituições governamentais e organizações internacionais, e sua capacidade de inovação e adaptação deve continuar impulsionando seu crescimento e relevância.
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