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Carnavalesco detalha como será homenagem a Aparecida no Carnaval

Aos teus pés vou me curvar, Senhora de Aparecida’. São com estes versos e um enredo rico em pesquisas, cores e respeito a fé católica que a escola de samba paulista, Vila Maria, vai homenagear Nossa Senhora Aparecida no Carnaval e desfilar com o enredo Aparecida a Rainha do Brasil‘300 anos de amor e fé no coração do povo brasileiro’. O Portal A12 ‘bateu um papo’ com o carnavalesco responsável, Sidney França. Confira na íntegra os detalhes desta grande festa.

Sidney França_Foto: Assessoria de Imprensa do G.R.C.S.E.S. Unidos de Vila Maria

Foto: Assessoria de Imprensa do G.R.C.S.E.S. Unidos de Vila Maria 

Portal A12 - Explique como pensou a evolução do carnaval e como a história será contada na avenida?

Sidney França - O enredo vai ser desenvolvido a partir da cronologia, nós vamos fazer uma linha do tempo desde 1717, quando três pescadores acharam a Imagem no Rio Paraíba do Sul. 

Depois desse início, vamos contar como uma Imagem pequena e de barro, tomou conta do coração de todos os brasileiros numa época em que não haviam meios de comunicação desenvolvidos como hoje, internet, correios, televisão, rádio. Vamos contar como disseminou a fé em Nossa Senhora Aparecida.

Também será contado que a Imagem ganhou manto e coroa, por uma graça alcançada pela Princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro. Ela teria feito uma promessa, porque tinha dificuldade em oferecer ao país um herdeiro ao trono. Ela foi atendida depois de 11 anos de casada, quando teve o seu primeiro filho. Nós vamos falar dos principais milagres, são cinco: o milagre da onça, do cavalo preso, do escravo Zacarias, milagre da menina cega e da vela acesa. Depois vamos para o penúltimo momento do desfile, quando será mostrada a identificação do povo brasileiro com a Santa, que também é a protetora dos caminhoneiros, louvada no início de todos os rodeios, aquela que tem músicas famosas em sua homenagem feitas por Roberto Carlos, Milton Nascimento ou Elis Regina, com a canção ‘Romaria’, de Renato Teixeira. A intenção é mostrar como se popularizou e se tornou íntima da realidade do povo brasileiro, por meio da cultura, da religião e da arte.

Vamos encerrar o desfile com uma homenagem a Basílica que é um templo extremamente popular na memória afetiva do povo brasileiro e mostrar na Avenida um pedido de Paz, pois vivemos muitos momentos conturbados na política, na saúde etc, então o povo se apega na sua padroeira e pede paz.

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A12 - A história será apresentada como preces a Nossa Senhora? Será dividida como e em quantos momentos?

Sidney - A história foi dividida em preces, ou seja, quando eu desenvolvi a sinopse, que é o texto de apresentação desse enredo, isso lá em abril, maio, do ano passado, eu dividi em preces justamente para inspirar as pessoas, e em especial aos compositores, quem têm a responsabilidade em extrair, dessa sinopse, o samba.

São seis preces sendo que cada uma apresenta um momento: o achado da Imagem, o início da expansão da fé por todo o Brasil, a parte histórica com a realeza e a Princesa Isabel, os milagres, a identidade nacional, e o final que pede a paz.

A12 - Podemos esperar o respeito com a fé das pessoas e a fidelidade ao contar a história?

Sidney - O meu desafio foi desenvolver um desfile, um conceito de carnaval que atenda os anseios dos sambistas, que seja um desfile lindo e impactante, mas que também fosse alinhado com a expectativa dos fiéis. Até mesmo as pessoas que nunca desfilaram no carnaval, vão perceber qual é o grau de respeito, de adequação do tema com um público tão específico que é o católico.

Eu tenho a certeza de que tudo está sendo feito com muito cuidado e carinho, para que a história seja fiel, para que os signos da Igreja sejam respeitados. Estamos sustentados em três pilares: não ter nudez, não ter exposição do corpo, não ter culto a sensualidade exacerbada do carnaval, ou seja, todas as meninas, passistas, a rainha de bateria, a corte da bateria, vão desfilar cobertas, então, ninguém de biquíni, nem decote, todo mundo de macacão e bem composto para não contradizer o acordo que a escola teve com a Igreja.

Outro aspecto é que não há possibilidade de alguém fazer uso indevido da Imagem para plataforma política ou esportiva, por exemplo. Ninguém lá vai levantar uma bandeira ‘fora Temer’, nem, ‘vai Corinthians!’, por exemplo.

Também não conterá nenhum tipo de sincretismo religioso e nenhuma associação de Nossa Senhora com outras figuras ligadas a religiões paralelas ou outras crenças consideradas alternativas, pois o enredo é essencialmente católico. Vai ser um desfile respeitoso e adequado as expectativas do público católico, porém com o tempero de carnaval, com alegria, com felicidade, explosão de cores e tudo aquilo que é próprio do carnaval.

Veja algumas fantasias que sairão na Avenida

 

A12 - Como os membros da escola estão vivendo a preparação para o carnaval?

Sidney - Com muita felicidade, pois tem sido um bom ano e a escola está totalmente envolvida com a temática, com tudo o que vem com o desdobramento de um enredo com este cunho. É um carnaval extremamente feliz para escola. Você sente a escola leve, confiante, embalada. As pessoas cantam os sambas como uma oração, elevam as mãos ao céu, é nítido o envolvimento que a escola teve com o tema, pois é muito feliz, oportuno e abençoado.

A12 - Contar a história de Nossa Senhora Aparecida aproximou os membros da escola da fé e da Igreja Católica? De alguma forma isso aconteceu?

Sidney - É muito perceptível. Aumentou o fluxo de visitas ao Santuário Nacional, as pessoas estão extremamente orgulhosas de andar com camisas, com a Imagem de Nossa Senhora estampada e toda vez que vem um membro da Igreja acompanhar as atividades, existe uma acolhida muito fraterna. Todos os integrantes conseguiram acolher bem a mensagem.

A12 - Gostaria de ressaltar algo mais?

Sidney - Gostaria de ressaltar que ao chegar para trabalhar na Vila Maria, senti uma responsabilidade imensa de não decepcionar a Igreja. Imaginei que tudo fosse difícil, áspero e burocrático, mas foi tudo ao contrário, porque fui muito bem acolhido, fui recebido com extrema simpatia e pontuado apenas nos cuidados que temos de tomar. Vi que não existe um clima de restrição, nem bloqueio da Igreja com o carnaval. Eu tinha muito receio de como seria o contato, mas a todo tempo fui acolhido, aconselhado e direcionado. O objetivo aqui é colaborar, louvar e celebrar com a Igreja esse ano de Jubileu. Descobri na Igreja uma grande parceira.

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