Por Redação A12 Em Brasil Atualizada em 01 MAR 2018 - 14H52

Reflexões sobre a presença da mulher na política brasileira

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Hoje, no Brasil, as mulheres representam 53% do total de eleitores, mas essa realidade é bem diferente quando se fala no percentual que elas ocupam nos cargos eletivos, em torno de 14%.

Se as mulheres são em maior número na hora de escolher os seus governantes, mas minoria nos cargos é oportuna a pergunta: como valorizar e dar importância à participação da mulher na política?

Marilza José Lopes Schuina, presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil, e Sônia Gomes, presidente do Conselho do Regional Leste 2; duas mulheres que ocupam papéis de liderança na Igreja, discutiram essa realidade em entrevista ao A12.com.

Segundo Schuina, a sociedade ainda é “machista e patriarcal” e as mulheres são colocadas “à margem como objeto invisível, cuja função ainda é cuidar da casa, dos filhos sem consciência de seu papel na sociedade”. Entretanto, a presidente desse expressivo organismo do laicato do Brasil, vê os esforços empreendidos ao longo da história.

“A história vem mudando pela luta das mulheres para fazer mudar a sociedade e ocupar espaços que antes eram reservados exclusivamente para os homens, seja no trabalho e na vida social. Tomando consciência de seus direitos e de sua cidadania, a mulher começa a participar de movimentos de reivindicações e a envolver-se na luta pelos direitos da mulher como pessoa humana, seja os direitos individuais, sejam os direitos sociais e políticos”, assinala. 

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Para Schuina, a mulher está no mercado de trabalho, mas continua lutando pela igualdade de gênero, pois “são excluídas dos espaços de poder e decisão, sem contar que no trabalho profissional, mesmo fazendo o mesmo trabalho que o homem e tendo mais qualificação, continua recebendo menos que os homens”, analisa.

Quando se trata da participação na política, Schuina também percebe avanços, mas acredita que ainda há muito o que ser feito para ampliar a presença feminina nesse espaço que ainda é protagonizado por homens.

“Na política, a barreira continua difícil, principalmente porque a política é lugar de decisão e de poder, portanto é espaço privilegiado para os homens. Veja que as mulheres são mais da metade do eleitorado brasileiro, possuem mais escolaridade e longe dos espaços de poder. Há avanços, mas ainda temos muito que fazer e lutar pela ampla participação da mulher na política em todas as esferas e até mesmo em universidades, sindicatos, empresas, inclusive no judiciário”, pondera. 

Para Sônia Gomes, o país ainda tem “muito que avançar” e precisa implementar planos de políticas públicas e de gestão “onde a mulher possa ser menos desvalorizada na sociedade”, especialmente, quando se trata de salários, violência doméstica, a vida em presídios, a colocação em empresas, na educação, entre outros. 

Schuina esclarece que no processo eleitoral, "os partidos devem destinar 30% de vagas para mulheres e 5% dos recursos do Fundo Partidário para programas de promoção e participação das mulheres na política e da propaganda partidária, 10% do tempo deve ser para difundir a participação da mulher". 

Para ela, uma maior presença da mulher na política também deve vir acompanhada de valores e comprometimento com as causas sociais e o bem coletivo. 

"Vale dizer que não basta conquistar o poder, é preciso exercê-lo de maneira diferenciada, a serviço do bem comum", finaliza Schuina.

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