Por Polyana Gonzaga Em Brasil

Cuidados paliativos e tratamento integral da família

Tratar do doente e não mais de sua doença. Olhar para as suas necessidades e sintomas não só do ponto de vista físico, mas também do ponto de vista emocional, social e espiritual.

Foto de: Unipe.br

Tratamento integral para paciente e família

Um olhar cuidadoso que se estende também sobre a família, que após a morte do paciente ainda precisa do auxílio do profissional de saúde, no período de luto. Esse é o trabalho do profissional de ‘Cuidados Paliativos’.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) apresenta uma definição clara e muito abrangente do que se define por ‘Cuidados Paliativos’ como ‘o cuidado total e ativo de pacientes cuja doença não é mais responsiva a tratamento curativo. O controle da dor e dos problemas psicológicos, sociais e espirituais são as bases do tratamento. A meta do cuidado paliativo é fazer com que o paciente tenha a melhor qualidade de vida possível para si próprio e seus familiares’.

De acordo com Dr. Franklin Santana Santos, doutor em Medicina pela USP e pós-doutor em Psicogeriatria pelo Instituto Karolinska, na Suécia, a filosofia de cuidados paliativos sempre existiu, mas foi na década de 60 que a pioneira Elizabeth Kübler Ross olhou com mais cuidado para essas pessoas e redescobriu este tratamento.

“O homem se esqueceu de que a morte faz parte da vida e os cuidados paliativos propõem tratamento integral e preventivo para pessoas que enfrentam doenças que ameaçam a vida, juntamente com a família”, afirmou.

Dr. Franklin, que é orientador da Disciplina de Emergências Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do curso de Tanatologia e Educação para a Morte (FMUSP), acrescentou que nesses casos a família está integrada no tratamento nos aspectos psicológicos, social e espiritual.

“Nestes casos, Elizabeth Kübler Ross traz o conceito de que a família não tem uma dor única, mas uma dor total, pois é afetada sabendo que a pessoa que ama caminha em direção à morte e é necessário olhar para o paciente e sua família”, afirmou.

Tratamento - O trabalho congrega uma equipe multiprofissional, que pode ser composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, entre outros profissionais que acolhem o paciente.

O médico afirma que o tratamento de cuidados paliativos não é indicado somente nas últimas semanas de vida do paciente.

“Assim que se fecha o prognóstico começa o tratamento curativo. À medida que a doença avança aumentam os cuidados paliativos. Depois da morte do paciente, os cuidados passam a ser apenas com a família enlutada, que é acompanhada em média por seis meses e depois é liberada”.

O médico ainda citou que os cuidados paliativos começaram na oncologia, mas hoje se estendem aos portadores de todas as doenças crônicas.

“O tratamento não está restrito a um grupo específico de pessoas, mas é mais comum nos casos de câncer e mais avançado em termos de equipe e cuidados. Também agrega doenças neurológicas, renais, respiratórias, cardíacas, entre outras que levam a morte”, afirmou.

Área de Atuação – Dr. Franklin explica que nas faculdades de medicina do Brasil ainda não existe essa formação mais atenciosa para os cuidados paliativos e tudo o que compreende o tratamento entre paciente, família e equipe médica.

“Existem iniciativas isoladas de alguns grupos quando se trata de cuidados paliativos”, completou.

O médico afirmou ainda que, em termos de serviços para a população, os centros especializados estão mais concentrados em São Paulo, mas o número ainda é inferior ao necessário.

Ele reforçou alertou ainda a importância de a família do paciente com prognóstico terminal receber os cuidados paliativos integrados ao tratamento do paciente.

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