Por Joana Darc Venancio Em Brasil Atualizada em 11 MAI 2020 - 16H49

Ensino Remoto e Ensino On-line: sintonia com a sua missão de educar


Maria Symchych/Shutterstock
Maria Symchych/Shutterstock


Todos os setores sociais estão diante do grande desafio de se reinventar
, a fim de atravessar esse tempo duro de pandemia; inclusive a educação escolar. O ano letivo mal havia começado, mas foi inevitável a suspensão das aulas. Na busca de alternativas, os sistemas de ensino migraram do modelo presencial para o ensino remoto. Milhares de Professores e de alunos, subitamente, tiveram que se adaptar forçosamente à nova realidade.

Evidentemente, houve muitas angústias, incertezas, dúvidas; e para muitos, enormes dificuldades. No entanto, como medida paliativa, tem se apresentado o ensino remoto: a opção para minimizar os impactos de prejuízos para o ano letivo. Papa Francisco, durante celebração na Casa Santa Marta, no dia 24 de abril, dedicou suas orações a todos os Professores e alunos:

Rezemos hoje pelos professores que têm que trabalhar muito para dar aulas através da internet e de outros recursos midiáticos, e rezemos pelos estudantes, que têm que fazer as provas num modo no qual não estão acostumados. Acompanhemos todos eles com a oração.

Leia MaisPapa reza por professores e alunos que têm de se adaptar a novos tempos

Quando a pandemia for controlada e as escolas reabrirem, os sistemas de ensino buscarão caminhos para o recomeço e, com certeza, professores e demais profissionais da educação não medirão esforços para realizar o melhor. Mas vamos refletir sobe a diferença entre ensino remoto e ensino on-line?

O ensino remoto não pode ser confundido com o ensino on-line, pois esse, apesar de ter a internet como canal e as várias ferramentas da tecnologia como aliadas, tem modelo presencial, com carga-horária definida, rotina, tempo de aulas síncronos (exigem a participação simultânea do aluno e do professor no mesmo ambiente e no mesmo tempo) e o “controle” está nas mãos do sistema de ensino e do Professor. A Interação tem início, meio e fim, assim como ocorre em seus tempos de aula no espaço presencial. O papel e lugar do professor continuam sendo centrais. O desafio é o de tornar os espaços virtuais salas de aula, em ambientes de aprendizagens; e continuar sendo o promotor, o incentivador, o condutor e o acompanhante do processo de ensino-aprendizagem, assim como ocorre na sala de aula convencional.

Não se trata de transformar o professor em um youtuber, mas trata-se de uma nova forma de realizar sua docência, em nada renunciando a seu papel e lugar. Mas e se quiser fazer como um youtuber, produzindo conteúdo educacional para as redes sociais? Poderá, sem dúvida, tornar-se uma belíssima ação, e contribuir com o aprendizado. Afinal, o Professor é, sem dúvida, um dos maiores influenciadores da formação humana. No entanto, o ensino remoto vai além da produção de conteúdo. Ele deve ser alimentado pelos laços, pelo acompanhamento, pela interação, assim como deve ser o cotidiano escolar presencial. O Ensino remoto exige uma distância sem ausência.

Papa Bento XVI, em dezembro de 2008, escreve na Carta sobre a tarefa urgente da formação das novas gerações:

(...)a educação nunca pode prescindir daquela respeitabilidade que torna credível a prática da autoridade. De facto, ela é fruto de experiência e competência, mas adquire-se sobretudo com a coerência da própria vida e com o comprometimento pessoal, expressão do amor verdadeiro. Portanto, o educador é uma testemunha da verdade e do bem: sem dúvida, também ele é frágil e pode falhar, mas procurará sempre de novo pôr-se em sintonia com a sua missão.

E o ensino on-line? Também conhecido, hoje, como Educação à Distância (EAD), é assíncrono, ou seja, possibilita o aluno ter o controle de sua aprendizagem, em seu tempo e de qualquer lugar. Não exige simultaneidade na conexão, embora possa contar com momentos de sincronicidade. Nessa modalidade, o controle da aprendizagem é do aluno. Não se trata de esvaziamento do papel do Professor, pois este continuará sendo responsável pela produção de todo o conteúdo, correção de provas, elaboração de atividades. Porém, sem a fixação de horários para interagir com os alunos.

Então isso quer dizer que no ensino on-line não são necessárias as interações humanas? Evidente que sim! Tudo o que envolve formação não pode ser esvaziado de relações afetivas. No Ensino on-line, assim como no ensino remoto, o tutor está distante, mas não ausente. Mas como? Por sua maneira de conduzir o seu papel na avaliação, na produção do conteúdo, na preocupação em manter os alunos informados pelas diversas ferramentas, em responder as dúvidas postadas pelos alunos, no compromisso com a certeza de que, do outro lado, há pessoas que alimentam expectativas e sonhos.

Pressmaster/Shutterstock
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Neste sentido, Educação on-line ou remota não se trata apenas de repasse frio de informações, conteúdos programáticos e definições acadêmicas. Ao contrário, fundamenta-se na formação de uma rede de pessoas. Estar à distância não significa estar ausente, da mesma forma que, infelizmente, estar próximo não garante estar presente.

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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