A confirmação da entrada de uma mulher e ainda por cima negra na disputa presidencial nos Estados Unidos, com chances reais de vitória, que se acontecer a alçará ao posto histórico de se tornar a primeira mulher a governar o país, fez com que uma tempestade de misoginia e racismo contra ela fosse despejada nas redes sociais.
A misoginia contra uma mulher que disputa um espaço de poder no país mais poderoso do mundo, ainda mais contra alguém que se apresenta com o tristemente famoso retrato de “machão”, não está sendo empregada por acaso, fazendo parte de um método que usa estratégias bem definidas. A ideia é desqualificar a candidata usando um repertório sexista que todos conhecemos bem: falar que é louca, descontrolada, e que só chegou onde chegou por causa de habilidades sexuais e por ter se relacionado com homens poderosos.
arrow_forward O termo misoginia é utilizado para se referir a expressões e comportamentos que sinalizam desprezo, repulsa, desrespeito ou ódio às mulheres, andando à solta em diversos ambientes, mas com especial realce para o ambiente da política no mundo todo.
Desde os últimos pleitos eleitorais tanto nas terras do “Tio Sam”, como em outras partes do mundo, inclusive aqui no Brasil, o desprezo pelas mulheres parece estar mesmo em alta!
Tanto isso é verdade que recentemente o governo do Reino Unido anunciou que a misoginia extrema, que leva a casos de abusos e violências contra as mulheres, será tratada como terrorismo no país e a legislação deverá ser revista, a fim de corrigir lacunas sobre o tema.

A misoginia é parte integrante da cultura machista, patriarcal e sexista existente há séculos entre nós, ajudando a reforçar o mito da superioridade masculina, ao mesmo tempo que desvaloriza, inferioriza ou tenta anular a mulher, tida como “sexo frágil” e incapaz de realizar certas atividades com a mesma eficiência ou qualificação. A misoginia contribui para assegurar a desigualdade de gênero, onde as relações de poder são desproporcionais entre homens e mulheres, seja no trabalho, na cultura, no esporte e em outras áreas do viver.
O discurso pautado pela misoginia se faz em formatos mais brandos com piadinhas, chacotas, apelidos e “cantada baratas”, chegando a atitudes mais graves de ação física violenta e excludente, não afetando só a mulher e sim sua família e também a sociedade que se priva de enormes contribuições vindas da mulher. Muitas vezes a família, o companheiro ou os filhos chegam a pedir para que a mulher esposa, mãe ou irmã desista da carreira política ou do exercício de algumas profissões para deixar de ser menosprezada.
A proximidade do pleito municipal em outubro próximo, com a campanha eleitoral já ocorrendo nas ruas e dentro em breve nos veículos de comunicação traz o receio de um recrudescimento destas atitudes, como já se percebeu em alguns debates políticos na televisão.
Para reforçar essa nova postura, a mulher já é numericamente superior em várias funções públicas como, por exemplo, no corpo funcional dos servidores no Poder Judiciário em que cerca de 63% são mulheres. Dos mais de 4 mil servidores que atuam no TRE-SP, por exemplo, incluindo os servidores próprios e os requisitados de outros órgãos, 2,5 mil são mulheres.
Recentemente nas Olimpíadas de Paris, e também nas Paraolimpíadas que em breve começarão, pela primeira vez na história ocorre uma paridade no número de atletas masculinos e femininos e, demonstrando a força da mulher, a maioria das medalhas ganhas pelo Brasil nas olimpíadas veio de suas atletas femininas.
E nem precisaríamos citar o caso da Igreja em que a grande maioria dos ministérios é ocupada por mulheres que também são maioria nas assembleias e serviços eclesiais. Ou seja, num mundo no qual a mulher conquista cada vez mais o seu lugar ao sol a misoginia e outras atividades machistas não podem ter mais vez!
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