A primeira transmissão oficial de rádio no Brasil aconteceu no dia 7 de setembro de 1922, na comemoração do centenário da independência, direto do Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, então capital federal da República. Aos poucos, o rádio foi vencendo as dificuldades, como o preço dos aparelhos, a dificuldade de encontrá-los e a demora na implantação de emissoras. Aos poucos as dificuldades físicas foram vencidas e o rádio caiu no gosto da população.
As décadas de 1940/50 se tornam a “era de ouro do rádio” com a consolidação dos programas de auditório, a multiplicação de cantores/as que tinham suas músicas tocadas, criação do concurso para a escolha “da Rainha do Rádio” e várias outras iniciativas.
Com o advento da TV no Brasil, a partir da década de 1950, os primeiros anos desse novo veículo não passavam de uma imitação daquilo que já era feito no rádio, usando a imagem em preto e branco.
Um dos primeiros programas que caiu no gosto da população, alcançando sucesso de público, boas vendas comerciais e grandes audiências, foram as novelas que, no início seguiam aquilo que alguns jornais faziam, apresentando colunas chamadas de “folhetins” com romances que mexiam com o imaginário da população.
Com os recursos, nasceram as primeiras transmissões de radionovelas no Brasil, com a dramatização de tramas literárias de vários gêneros, como romances e aventuras.
Uma radionovela pode ser descrita como uma narrativa sonora em forma de folhetim, em que os capítulos iam se sucedendo.
Sempre no final de um capítulo se fazia a motivação para os ouvintes acompanharem o próximo capítulo e, no início do capítulo, se fazia uma espécie de síntese das emoções do capítulo anterior. A maioria dos efeitos, na falta da tecnologia digital que levaria décadas para acontecer, era feita ao vivo nos estúdios que começaram a ser preparados para isso.
A novela foi fundamental para a consolidação do rádio e não se pode pensar em sua era de ouro sem pensar nas radionovelas.
Elas estimulavam a imaginação dos ouvintes, em sua grande maioria do gênero feminino, que acompanhavam o enredo e aguardavam com ansiedade o próximo capítulo. As novelas projetaram uma série de radioatores e radioatrizes, dos quais muitos posteriormente migrariam para a televisão.
O gênero folhetinesco fez enorme sucesso nas primeiras décadas do século XX, na era pré-televisiva.
No dia 12 de julho de 1941, teve início a novela “Em busca da felicidade”, baseada num original cubano de Leandro Blanco, com adaptação de Gilberto Martins, considerada a primeira radionovela transmitida no país, pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Seus capítulos ficaram no ar por aproximadamente três anos.
As adaptações de tramas internacionais, sobretudo cubanas e mexicanas, ficaram no ar até que, aos poucos, foram surgindo as criações de autores nacionais. O maior sucesso em radionovela de todos os tempos foi “O Direito de nascer” (1951), autoria do cubano Félix Caignet, que ficou três anos no ar consecutivamente. Outras novelas consideradas pioneiras foram “Fatalidade”, escrita por Oduvaldo Vianna, que se tornaria autor de novelas para a televisão, e "Mulheres de Bronze", baseada num folhetim francês.
Grandes nomes que fariam grande sucesso na TV, como Dias Gomes, Mário Lago, Janete Clair e Ivani Ribeiro, nasceram no rádio e depois se tornaram conhecidos nacionalmente escrevendo para o gênero telenovela.
Umas das radionovelas genuinamente brasileira de maior sucesso foi “Jerônimo, o Herói do Sertão”, criada em 1953, depois adaptada várias vezes para a televisão e para o cinema. Da autoria de Moisés Weltman, com influências do faroeste americano, a radionovela ficou 14 anos no ar, transmitida pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Com o alto custo da produção, dificuldade de manter um bom grupo de autores e atores mas, sobretudo, com o crescimento da televisão, a verba publicitária que ajudava a custear a produção migrou para o novo veículo. Muitos dos que atuavam no rádio, seja no setor das radionovelas como em outros setores da programação, o gênero foi sendo aos poucos abandonado.
Na década de 1960, algumas emissoras ainda mantiveram alguns horários de radionovelas ou de programas de rádio-teatro, mas na década de 1970, o gênero praticamente desapareceu, apesar de algumas tentativas isoladas de mantê-lo, como aconteceu com a Rádio Aparecida.
Paralelo à decadência no rádio, a novela foi sendo adaptada para as televisões e ainda hoje, apesar de multiplicação de possibilidades de acesso, com o surgimento da TV por assinatura e, sobretudo, com as plataformas de streaming, as novelas ainda mantém o seu vigor, sobretudo na TV Globo, que se tornou a rainha das telenovelas desde o seu surgimento, com a contratação de centenas de atores e atrizes, tendo muitos produtores e roteiristas em seu time, montagem de imensas cidades cenográficas e aporte de polpudas verbas comerciais.
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