Mundo

O que acontece quando os cristãos trabalham juntos pela paz?

No Dia do Ecumenismo, ensinamentos da CNBB e do Papa Leão XIV ajudam a compreender o diálogo entre diferentes Igrejas para a convivência pacífica. Leia!

Linkedin

Escrito por Vitória Victal

21 OUT 2026 - 10H05 (Atualizada em 21 OUT 2026 - 13H55)

Довидович Михаил/ Adobe Stock

Celebrado em 21 de outubro, o Dia do Ecumenismo convida os fiéis a refletirem sobre a unidade entre os cristãos e a importância do diálogo entre diferentes Igrejas.

Em 2025, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) destacou a data ao abordar o chamado à unidade de todos os batizados, em uma reflexão apresentada por Dom Rodolfo Weber, Arcebispo de Passo Fundo (RS) e membro da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da entidade.

Segundo Dom Rodolfo, apesar das diferentes religiões, é preciso aprender a cultivar a unidade e a união entre os fiéis.

"A unidade se busca, exatamente, porque temos uma base comum e as pessoas que se dividiram precisam achar meios de restabelecer e reintegrar a unidade", destacou. 

Breezze/ Adobe Stock Breezze/ Adobe Stock

Em um mundo marcado por guerras, conflitos e divisões, essa aproximação ganha relevância: como cristãos de diferentes tradições podem colaborar para a construção da paz?

Nesse sentido, mais do que promover encontros, o ecumenismo convida as comunidades a transformarem o diálogo em atitudes concretas de fraternidade, solidariedade e respeito à dignidade humana.

Como a união pode promover a paz?

Quando cristãos de diferentes igrejas estão dispostos a cooperar e ajudar, o diálogo pode abrir espaço para iniciativas em favor das pessoas e comunidades que são mais atingidos. Um exemplo para colocar em prática são as ações de solidariedade, campanhas humanitárias, encontros de oração e projetos em defesa da dignidade humana.

Em uma declaração assinada junto ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, em novembro de 2025, em Istambul, o Papa Leão XIV relembrou que, além do diálogo teológico, a aproximação entre as Igrejas também envolve encontros fraternos, oração e trabalho compartilhado nas áreas em que a cooperação já é possível.

"Paralelamente ao papel insubstituível que o diálogo teológico desempenha no processo de aproximação entre as nossas Igrejas, reconhecemos também os outros elementos necessários a este processo, incluindo os encontros fraternos, a oração e o trabalho partilhado em todas as áreas onde a cooperação já é possível", afirma o documento.

Vatican Media  Vatican Media Papa Leão XIV e Bartolomeu I

Dessa forma, a busca pela unidade não se limita somente às conversas entre lideranças religiosas. Ela também pode estar presente quando escutamos o outro, enfrentamos os preconceitos e colaboramos na resposta a problemas que atingem toda a sociedade.

add_box  Ecumenismo busca unidade entre Cristãos

Outro ponto importante é que a construção da paz envolve também atitudes do dia a dia, como escutar pessoas com opiniões diferentes, não ser intolerante e ajudar com ações solidárias.

Qual a posição da Igreja Católica?

A Igreja Católica reconhece a busca pela unidade dos cristãos como parte de sua missão. Essa orientação foi reafirmada pelo Concílio Vaticano II, no decreto Unitatis Redintegratio, publicado em 1964, que incentiva os católicos a participarem do movimento ecumênico por meio do diálogo, da oração e da cooperação com outras comunidades cristãs.

O documento destaca que o diálogo permite conhecer melhor as tradições de outras Igrejas e favorece a colaboração em questões de interesse comum. Entre os objetivos dessa aproximação estão a promoção da fraternidade, da concórdia e do bem comum.

"Então estas Comunhões conseguem também uma mais ampla colaboração em certas obrigações que a consciência cristã exige em vista do bem comum. E onde for possível, reúnem-se em oração unânime." (cap. 1, p. 4)

Vatican Media  Vatican Media Papa Leão XIV com o Arcebispo de Canterbury no Vaticano

Essa posição também aparece na carta apostólica In Unitate Fidei, publicada pelo Papa Leão XIV em 23 de novembro de 2025.

Ao refletir sobre a unidade cristã em um mundo marcado por conflitos, o Pontífice afirmou que a comunidade cristã pode contribuir para a reconciliação entre os povos.

"Assim, num mundo dividido e dilacerado por muitos conflitos, a única Comunidade cristã universal pode ser sinal de paz e instrumento de reconciliação, contribuindo de forma decisiva para um compromisso mundial pela paz", disse o Santo Padre.

Essa compreensão também esteve presente na declaração conjunta assinada pelo Papa Leão XIV e pelo Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, citada aqui anteriormente. 

Os líderes afirmaram na declaração que a unidade cristã deve contribuir para a paz entre os povos e manifestaram preocupação com os conflitos e a violência que continuam atingindo diferentes regiões do mundo.

“A meta da unidade cristã inclui o objetivo de contribuir de maneira fundamental e vivificante para a paz entre todos os povos. Juntos, levantamos fervorosamente as nossas vozes para invocar o dom da paz de Deus sobre o nosso mundo”, diz o texto.

Assim, a busca pela unidade não fica somente na aproximação entre instituições religiosas. Ela também representa uma responsabilidade que é compartilhada diante dos desafios que acontecem na humanidade.

Quando cristãos de diferentes Igrejas se unem para promover o diálogo, a reconciliação e a solidariedade, isso demonstra que as diferenças não precisam impedir a ajuda entre todos.  

LEIA MAIS:

add_to_photos  Ecumenismo e diálogo inter-religioso são caminhos para a paz no mundo

Fonte: CNBB, UNITATIS REDINTEGRATIO, IN UNITATE FIDEI

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Carregando ...

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Vitória Victal, em Mundo

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Carregando ...

Enviar por e-mail