Celebrado em 21 de outubro, o Dia do Ecumenismo convida os fiéis a refletirem sobre a unidade entre os cristãos e a importância do diálogo entre diferentes Igrejas.
Em 2025, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) destacou a data ao abordar o chamado à unidade de todos os batizados, em uma reflexão apresentada por Dom Rodolfo Weber, Arcebispo de Passo Fundo (RS) e membro da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da entidade.
Segundo Dom Rodolfo, apesar das diferentes religiões, é preciso aprender a cultivar a unidade e a união entre os fiéis.
"A unidade se busca, exatamente, porque temos uma base comum e as pessoas que se dividiram precisam achar meios de restabelecer e reintegrar a unidade", destacou.
Em um mundo marcado por guerras, conflitos e divisões, essa aproximação ganha relevância: como cristãos de diferentes tradições podem colaborar para a construção da paz?
Nesse sentido, mais do que promover encontros, o ecumenismo convida as comunidades a transformarem o diálogo em atitudes concretas de fraternidade, solidariedade e respeito à dignidade humana.
Quando cristãos de diferentes igrejas estão dispostos a cooperar e ajudar, o diálogo pode abrir espaço para iniciativas em favor das pessoas e comunidades que são mais atingidos. Um exemplo para colocar em prática são as ações de solidariedade, campanhas humanitárias, encontros de oração e projetos em defesa da dignidade humana.
Em uma declaração assinada junto ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, em novembro de 2025, em Istambul, o Papa Leão XIV relembrou que, além do diálogo teológico, a aproximação entre as Igrejas também envolve encontros fraternos, oração e trabalho compartilhado nas áreas em que a cooperação já é possível.
"Paralelamente ao papel insubstituível que o diálogo teológico desempenha no processo de aproximação entre as nossas Igrejas, reconhecemos também os outros elementos necessários a este processo, incluindo os encontros fraternos, a oração e o trabalho partilhado em todas as áreas onde a cooperação já é possível", afirma o documento.
Papa Leão XIV e Bartolomeu I
Dessa forma, a busca pela unidade não se limita somente às conversas entre lideranças religiosas. Ela também pode estar presente quando escutamos o outro, enfrentamos os preconceitos e colaboramos na resposta a problemas que atingem toda a sociedade.
add_box Ecumenismo busca unidade entre CristãosOutro ponto importante é que a construção da paz envolve também atitudes do dia a dia, como escutar pessoas com opiniões diferentes, não ser intolerante e ajudar com ações solidárias.
Qual a posição da Igreja Católica?
A Igreja Católica reconhece a busca pela unidade dos cristãos como parte de sua missão. Essa orientação foi reafirmada pelo Concílio Vaticano II, no decreto Unitatis Redintegratio, publicado em 1964, que incentiva os católicos a participarem do movimento ecumênico por meio do diálogo, da oração e da cooperação com outras comunidades cristãs.
O documento destaca que o diálogo permite conhecer melhor as tradições de outras Igrejas e favorece a colaboração em questões de interesse comum. Entre os objetivos dessa aproximação estão a promoção da fraternidade, da concórdia e do bem comum.
"Então estas Comunhões conseguem também uma mais ampla colaboração em certas obrigações que a consciência cristã exige em vista do bem comum. E onde for possível, reúnem-se em oração unânime." (cap. 1, p. 4)
Papa Leão XIV com o Arcebispo de Canterbury no Vaticano
"Assim, num mundo dividido e dilacerado por muitos conflitos, a única Comunidade cristã universal pode ser sinal de paz e instrumento de reconciliação, contribuindo de forma decisiva para um compromisso mundial pela paz", disse o Santo Padre.
Essa compreensão também esteve presente na declaração conjunta assinada pelo Papa Leão XIV e pelo Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, citada aqui anteriormente.
Os líderes afirmaram na declaração que a unidade cristã deve contribuir para a paz entre os povos e manifestaram preocupação com os conflitos e a violência que continuam atingindo diferentes regiões do mundo.
“A meta da unidade cristã inclui o objetivo de contribuir de maneira fundamental e vivificante para a paz entre todos os povos. Juntos, levantamos fervorosamente as nossas vozes para invocar o dom da paz de Deus sobre o nosso mundo”, diz o texto.
Assim, a busca pela unidade não fica somente na aproximação entre instituições religiosas. Ela também representa uma responsabilidade que é compartilhada diante dos desafios que acontecem na humanidade.
Quando cristãos de diferentes Igrejas se unem para promover o diálogo, a reconciliação e a solidariedade, isso demonstra que as diferenças não precisam impedir a ajuda entre todos.
LEIA MAIS:
add_to_photos Ecumenismo e diálogo inter-religioso são caminhos para a paz no mundo
Fonte: CNBB, UNITATIS REDINTEGRATIO, IN UNITATE FIDEI
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