Dúvidas Religiosas

Qual a relação da incredulidade de São Tomé e a nossa fé?

A dúvida de São Tomé ainda ecoa hoje pela Igreja. O que ela revela sobre a fé cristã e o encontro pessoal com Cristo?

Escrito por Beatriz Nery

17 ABR 2026 - 14H44 (Atualizada em 17 ABR 2026 - 16H36)

Renáta Sedmáková/Adobe Stock

A cena é conhecida, mas continua provocadora. Diante do anúncio da Ressurreição, Tomé exige ver e tocar as chagas de Cristo para crer.

O episódio narrado no Evangelho (Jo 20,24-29) expõe a fragilidade de um apóstolo e a sua crença, além de revelar uma dinâmica essencial da fé cristã: a passagem da dúvida para o encontro pessoal com o Ressuscitado.

Ao revisitar essa experiência, a Igreja recorda que a fé nasce da iniciativa de Cristo que se aproxima e se deixa reconhecerPara o Pe. Pablo Vinicius, C.Ss.R., a resposta é direta: “A nossa fé é Cristo.”

Segundo o missionário redentorista, “a nossa fé não é uma ideia, é uma Pessoa, com ‘P’ maiúsculo. É Cristo ressuscitado, que venceu a morte e destruiu o pecado.”

A fé nasce de um encontro

O episódio mostra que Tomé não estava presente quando Jesus apareceu aos discípulos. Ao ouvir o testemunho dos outros, respondeu: “Se eu não vir... não acreditarei” (Jo 20,25).

Oito dias depois, Jesus volta e se coloca diante dele: mostra as chagas e convida-o a tocar. Tomé responde com uma das mais profundas profissões de fé do Novo Testamento: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28).

Pe. Pablo destaca: “A fé nasce sempre de um encontro: entre Deus e nós. Assim foi com São Tomé. Jesus se encontrou com ele e, nesse encontro, o dom da fé se fez presente.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que a fé é resposta do homem a Deus que se revela (cf. CIC 142-143), ou seja, é uma graça acolhida pelos fiéis.

Tomé nos representa

A tradição cristã reconhece em Tomé uma figura próxima da experiência comum. Ele não é o “apóstolo fraco”, mas o discípulo que verbaliza a dúvida que muitos silenciam.

“Tomé representa todos nós. É nosso irmão gêmeo. Quem não tem um pouco de Tomé?”, afirma o missionário redentorista.

A expressão popular “só acredito vendo” revela esse traço humano. O próprio Catecismo admite que a fé pode ser provada (cf. CIC 164). Dúvidas e crises fazem parte do caminho espiritual.

Pe. Pablo observa: Também nós, por vezes, temos dificuldade para crer. Jesus não procura quem nunca duvidou ou quem ostenta uma fé segura. A aventura da fé é feita de altos e baixos.”

Cristo volta e oferece nova oportunidade

O centro do relato não é a incredulidade, mas a atitude de Jesus. Ele retorna, aproxima-se e oferece novamente sua presença.

“Diante da incredulidade de Tomé, o que faz Jesus? Vai ao encontro dele. Isso mostra que Jesus não desiste de nós, não se cansa de nós, não tem medo das nossas crises e fraquezas. Ele volta sempre. Bate à porta do nosso coração", explica o Pe. Pablo.

A imagem recorda Ap 3,20: “Eis que estou à porta e bato”. Também dialoga com a Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, que apresenta Cristo como luz das nações e centro da vida da Igreja.

Para o missionário redentorista, o gesto de Jesus aponta para um caminho concreto:Voltemos para as feridas que nos curaram. Voltemos para Cristo e digamos como São Tomé: ‘Meu Senhor e meu Deus, eu creio, mas aumenta a minha fé!’”

Ter fé é ter Cristo como Senhor

Jesus conclui: “Felizes os que creram sem ter visto” (Jo 20,29). A bem-aventurança abre espaço para todas as gerações futuras. Pe. Pablo sintetiza: “Guardem no coração: ter fé é ter o Cristo como Senhor da vida.”

add_box  Aprenda mais com as dúvidas religiosas no A12!

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Carregando ...

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Beatriz Nery, em Dúvidas Religiosas

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Carregando ...