Em sequência à série “Vício e Virtudes”, o A12 destaca os perigos da luxúria, especialmente em uma época de superexposição na internet. Nunca foi tão fácil encontrar, por exemplo, conteúdos pornográficos e imagens hipersexualizadas. É necessário repensar o que temos acessado e quais pensamentos ou comportamentos estão sendo estimulados.
Para começar a reflexão, vamos entender o significado da luxúria.
Este vício, segundo o Catecismo da Igreja Católica no parágrafo 2351, é um desejo desordenado ou um gozo desregrado do prazer sexual. A luxúria apresenta-se quando o prazer sexual é buscado por si mesmo, fora da finalidade de procriação e de união. Este comportamento pode ser alimentado pelo que vemos e ouvimos, enfraquecendo o autocontrole.
Talvez você já conhecesse esta definição, mas ainda não havia refletido sobre as consequências da luxúria. Como dissemos na abertura da série, nem sempre percebemos quando um vício se instala em nossas vidas, quem dirá os males que ele causará. Por isso, vamos entender dois riscos desse vício que o Papa Francisco apontou em suas catequeses:
O papa exemplificou a primeira ameaça com as inúmeras notícias de todos os dias sobre “relações desprovidas de respeito e de sentido do limite”. Segundo o pontífice, estas podem ter sido até relações que iniciaram da melhor forma, mas que se transformaram porque faltou a virtude da castidade. E ele reforça que a castidade é mais do que a abstinência sexual, mas a vontade de nunca possuir o outro.
“Amar é respeitar o outro, procurar a sua felicidade, cultivar a empatia pelos seus sentimentos, dispor-se ao conhecimento de um corpo, de uma psicologia e de uma alma que não são nossos e que devem ser contemplados pela beleza de que são portadores. Amar é isso, e o amor é belo!”
Pelo contrário, a luxúria, disse Francisco, ridiculariza tudo isso, uma vez que consome tudo apressadamente e a pessoa, tomada pelo vício, não quer ouvir o outro, busca somente a própria vontade de prazer, tratando o outro como objeto do seu prazer. O papa acrescentou:
“O luxurioso só procura atalhos: não compreende que o caminho para o amor deve ser percorrido com paciência”.
Este vício é perigoso também porque, entre todos os prazeres do homem, a sexualidade envolve todos os sentidos. O papa explicou que a nossa sexualidade habita tanto no corpo quanto na psique, o que não é ruim, mas, quando vivida de forma desregrada, torna-se uma “cadeia que priva o homem da liberdade”.
“O prazer sexual, um dom de Deus, é minado pela pornografia: satisfação sem relação, que pode gerar formas de dependência. Devemos defender o amor, o amor do coração, da mente, do corpo, o amor puro na entrega de si mesmo ao outro. E esta é a beleza da relação sexual.”
+ Castidade: caminho de cura e amor libertador
Em Gálatas, a Palavra de Deus afirma que a liberdade do cristão não é aquela que serve de pretexto para viver no erro, mas a que conduz o homem a decidir-se pelo amor.
“Irmãos, fostes chamados à liberdade, mas não a uma liberdade que sirva de pretexto para viver no erro. Ao contrário, pelo amor, colocai-vos a serviço uns dos outros, porque toda a lei está contida numa só palavra: “amar ao próximo como a si mesmo”. Mas, se vos mordeis e vos devorais uns aos outros, cuidado para não vos destruirdes mutuamente! Ora, eu vos digo: caminhai segundo o Espírito e não satisfareis os desejos da carne.” (Gl 5, 13-16).
Para vencer a luxúria, a Palavra de Deus já indicou que é preciso caminhar pelo espírito, e o Papa Francisco falou da virtude da castidade, que está ligada à temperança. A temperança, segundo ele, é a virtude na medida certa. Uma pessoa temperante comporta-se com sabedoria e não é movida pelo ímpeto.
“O livre curso dos impulsos e a total licença concedida aos prazeres acabam por se virar contra nós próprios, levando-nos a precipitar num estado de tédio”, afirmou o papa.
Um exemplo simples de Francisco pode tornar para nós o caminho ainda mais concreto: “para apreciar um bom vinho, é melhor saboreá-lo em pequenos goles do que engolí-lo de uma só vez”.
Durante sua juventude, Santo Agostinho viveu intensamente o vício da luxúria, de maneira que os pecados da carne realmente estivessem presentes em sua vida. Ele foi pai solteiro de Adeodato, seu filho com uma de suas amantes. Após sua conversão, que se deu por meio do intelecto, ele lutou muito para vencer o vício. Por isso, Santo Agostinho é uma referência na busca pela temperança.
Busque o autodomínio com a prática do jejum e evite contato com qualquer conteúdo desonesto ou hipersexualizado, especialmente na internet, que alimente esse vício.
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