Um vício é um hábito prejudicial que, repetido continuamente, acaba se tornando um costume. A palavra vem do latim vitium, que significa “defeito” ou “falha”. O Papa Francisco, ao introduzir uma catequese sobre o assunto, apresentou a dinâmica desse mal a partir da serpente presente no livro do Gênesis:
“A serpente é um animal insidioso: ela se move lentamente, rastejando pelo chão, e às vezes não se percebe nem mesmo a sua presença, pois consegue se mimetizar bem com o ambiente. Sobretudo por isso é perigosa.”
É cedendo, pouco a pouco, às tentações diárias que os vícios se instalam em nossas vidas. Quantas realidades poderíamos chamar de sorrateiras como a serpente nos dias de hoje? Assistimos, por exemplo, sobretudo neste período de Copa do Mundo, aos “escândalos” causados pelas casas de apostas.
São muitas pessoas se endividando por darem ouvidos a essa prática. As famosas “bets”, plataformas virtuais de apostas, até parecem inofensivas pela forma como ganharam visibilidade e anunciadores. Mas não passa de mais uma sugestão perigosa.
Para conter graves consequências, o Ministério da Fazenda passou a exigir novas regras para as propagandas de bets: exibir alerta claro de risco, a fim de proteger o consumidor.
Além das apostas esportivas, outros jogos de azar, como o chamado “jogo do tigrinho”, também têm provocado graves consequências financeiras, familiares e psicológicas, em alguns casos associadas a desfechos trágicos.
Depois dos exemplos acima, você pode estar pensando: "Graças a Deus, eu não caio em vícios!". Mas a inclinação para o mal, para a concupiscência da carne, como nomeia a Igreja Católica, está presente em todos nós. Essa tendência que herdamos do pecado original nos faz desejar satisfazer nossos apetites de forma desordenada.
Sabemos que a tentação, por si só, não é pecado. Ela faz parte da experiência humana. O problema começa quando lhe damos espaço e permitimos que um ato repetido se transforme em hábito e, depois, em vício.
Por isso, o Papa Francisco enfatizou tantas vezes na sua catequese que “devemos ser custódios do próprio coração” e “não devemos dialogar com o diabo”. Talvez não caiamos na dependência das apostas, mas na gula, na luxúria, na avareza, na ira, na tristeza, na acídia, na inveja, na vanglória e na soberba.
O diabo é sutil e, às vezes, iremos enxergar os vícios fora de nós e não dentro.
“Com o diabo, caros irmãos e irmãs, nunca se dialoga. Nunca! Jesus nunca dialogou com o diabo; ele o expulsou”, afirmou o Papa.
Ao longo desta série, conheceremos os principais vícios e as virtudes que os combatem, à luz das catequeses dos Papas, dos santos e da tradição da Igreja. Afinal, todo cristão é chamado a travar esse combate espiritual e, com a graça de Deus, escolher diariamente o bem.
“O bom êxito de toda batalha espiritual depende muito do seu início: no vigiar sempre o nosso coração”, disse Francisco.
Comente aqui embaixo qual vício ou virtude gostaria de aprofundar e fique atento para acompanhar as reflexões desta série!
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