Hoje a sociedade moderna é dominada pela imagem. Todos nós, mesmo aquelas pessoas que vivem em regiões remotas, sem acesso à internet, estamos mergulhadas no mundo digital, onde predomina a imagem.
Muitas pessoas já sentem dificuldades em escrever, ou, pelo menos, diferentemente de nossos pais, que praticavam aulas de caligrafia nas escolas, têm escritos que não passam de garranchos, os quais elas mesmas têm dificuldade de entender o que escreveram tempos depois de terem escrito.
Não podemos nos esquecer, entretanto, de que a escrita possibilitou o registro histórico de fatos e pessoas, possibilitando um grande salto de qualidade da humanidade.
Os diversos sistemas de escrita desenvolvidos pela humanidade ao longo dos séculos representam um marco na evolução da comunicação, permitindo que conhecimentos, leis, culturas e histórias fossem preservados e transmitidos entre gerações.
Da antiguidade aos tempos modernos
O desenvolvimento da escrita possibilitou o salto da Pré-História para a História, e uma das primeiras formas desenvolvidas foi a escrita cuneiforme, criada pelos sumérios na antiga Mesopotâmia por volta de 3200 a.C.
Ela é considerada uma das primeiras formas organizadas de escrita da história. Seus símbolos, gravados em tabuinhas de argila, passam a ser utilizados em registros comerciais, administrativos e religiosos. São eles que possibilitarão a organização das primeiras bibliotecas de que se tem notícia. E o que seria da internet e dos provedores de conteúdo de hoje se os primeiros conhecimentos humanos não tivessem sido registrados?!
Depois vieram os hieróglifos egípcios, desenvolvidos aproximadamente no mesmo período, combinando símbolos fonéticos e desenhos representativos. Essa escrita foi fundamental para registrar a cultura, a religião e os feitos dos faraós do Egito Antigo.
Hieróglifos egípcios antigos esculpidos nas paredes do templo de Karnak em Luxor, Egito
A descoberta e tradução da famosa Pedra de Roseta em 1799, um fragmento de pedra de 196 a.C. gravado com um decreto em três tipos de escrita: hieróglifos egípcios, escrita demótica e grego antigo, serviu como a chave definitiva para decifrar os hieróglifos, o que possibilitou o conhecimento de milhões de informações acumuladas ao longo de séculos em todo tipo de monumento.
Depois disso, veio o alfabeto fenício, que revolucionou a comunicação ao simplificar os sistemas anteriores. Baseado principalmente em consoantes, influenciou o surgimento de diversos alfabetos modernos, incluindo o grego e o latim.
Com a escrita, a universalização do saber
O sistema grego de escrita trouxe uma das maiores inovações linguísticas da antiguidade com a introdução clara das vogais. Esse avanço facilitou a leitura e influenciou profundamente a escrita ocidental. Ainda hoje, o conhecimento do grego antigo possibilita o acesso aos originais de livros e pergaminhos das Sagradas Escrituras.
Manuscritos antigos em folhas de palmeira amarrados com corda sobre uma mesa de madeira
Chegou então a vez do sistema de escrita que possibilitaria o surgimento de tantas línguas modernas, entre elas o nosso português. O alfabeto latino, derivado do grego e do etrusco, língua falada por um povo que habitava boa parte da Península Itálica, tornou-se o sistema de escrita mais utilizado no mundo ainda hoje, sendo a base da língua portuguesa e de vários outros idiomas, especialmente do mundo ocidental.
Não podemos nos esquecer das grandes civilizações que viveram e se desenvolveram no Médio e no Extremo Oriente. Os caracteres chineses, por exemplo, representam um dos mais antigos sistemas de escrita ainda em uso contínuo. Diferente dos alfabetos fonéticos, eles funcionam principalmente por logogramas, nos quais cada símbolo pode representar uma palavra ou um conceito.
No Médio Oriente, a escrita árabe, com sua caligrafia peculiar, trouxe uma forte influência cultural e religiosa no Oriente Médio e em outras regiões onde predomina a religião islâmica. Seu estilo artístico é amplamente reconhecido até hoje.
Ao lado disso, temos ainda o sistema cirílico, utilizado em países como Rússia e Bulgária, criado para adaptar a escrita às línguas eslavas. Enquanto isso, sistemas como o hebraico, o devanágari e os kanjis japoneses demonstram a diversidade cultural e linguística desenvolvida em diferentes partes do planeta.
Escrita japonesa
Menos conhecidas, mas importantes, são as runas germânicas, usadas por povos do norte da Europa, historicamente ligadas às tradições vikings e às antigas culturas escandinavas. A escrita foi, sim, uma das maiores invenções da humanidade!
Graças a ela, civilizações registraram conhecimentos, desenvolveram ciências, criaram literatura e construíram sociedades cada vez mais complexas. Cada símbolo usado nos diversos sistemas de escrita representa não apenas uma forma de comunicação, mas também a identidade cultural de povos que ajudaram a moldar a história do mundo. E, falando de imagem, na maioria das vezes elas são como que formas escritas traduzidas em códigos visuais.
Línguas e dialetos
Hoje cerca de 7.170 línguas estão em uso no mundo, segundo os dados mais recentes. Esse número muda o tempo todo porque alguns idiomas deixam de ser falados enquanto novos estudos catalogam variações em comunidades isoladas. Muitas línguas pequenas possuem poucos falantes idosos e correm sério risco de desaparecer.
O número total inclui desde línguas amplamente faladas, como inglês e mandarim, até idiomas de pequenas comunidades que correm risco de extinção. A diversidade linguística é imensa e está em constante transformação.
A grande quantidade de idiomas reflete milhares de anos de história humana, em que isolamento geográfico, migração, cultura e identidade de cada povo contribuíram para que as línguas se desenvolvessem de formas diferentes ao redor do globo.
A distribuição também é bastante desigual. Ásia e África concentram a maior parte da diversidade linguística do planeta. A Indonésia, por exemplo, possui mais de 700 línguas, e Papua-Nova Guiné é o país com mais idiomas no mundo, com mais de 850 línguas faladas em suas diversas comunidades. Em contraste, a Europa possui cerca de 250 línguas, número menor, mas com influência global desproporcional, como inglês, francês e espanhol.
O Brasil, com sua imensidão geográfica, oferece um contraste interessante, pois, excetuando o português, única língua oficial, outras 250 línguas são faladas, sobretudo, pelos povos originários.
Nesse universo linguístico global, o inglês continua predominante, com mais de 1,3 bilhão de falantes totais (incluindo quem aprendeu como segundo idioma); o mandarim é o que tem o maior número de falantes nativos como primeira língua. O Hindi e o Espanhol são outros grandes destaques em volume populacional no planeta.
O acelerado processo de globalização está nos levando cada vez mais a conhecer novas tecnologias de comunicação visual, como também forçando o aprendizado de novas línguas, sem as quais nunca se poderá conhecer plenamente o mundo e o universo cultural de pessoas, países e civilizações.
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