Por João Antônio Johas Leão Em Espiritualidade

A Luz de Deus e as luzes dos homens

Encontramos os céus mais estrelados lá onde a luz artificial ainda não chegou com toda sua força. Diz-se que, justamente por causa da falta dessas luzes artificiais, os céus dos tempos antigos eram muito mais bonitos de se ver do que os atuais. E olha que uma noite bem estrelada continua sendo um espetáculo maravilhoso de se contemplar. Deus é a Luz do mundo, mas são tantas as luzes que fabricamos que essa única Luz verdadeira parece perder a força e até se apagar se não estamos atentos. 

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Mas as estrelas continuam lá no céu, independentemente da quantidade de luzes que possamos criar aqui na terra. Se não as podemos enxergar mais, não quer dizer que não existam ou que não sejam belas. Uma noite no campo, afastado de tudo, nos mostra que elas ainda estão lá e que estão prontas para preencherem os corações daquelas pessoas que se dão ao tempo de admirá-las. O mesmo acontece com Deus durante todo o ano, mas de maneira especial no tempo do Natal, onde as luzes que fabricamos parecem se multiplicar indefinidamente. 

O tempo de Natal parece ser como uma rua de uma cidade antiga, dessas onde a Igreja está no centro, talvez no alto de uma colina, e dela partem as ruas que compõem a cidade. Nos primórdios da cidade, todos podiam ver a Igreja iluminada a noite e escutar os sinos que chamavam para as celebrações. Era o normal, todos sabiam que a Igreja estava ali, ninguém duvidava da sua presença e da centralidade que possuía na vida de todos. 

 

"No Natal, a Luz da Igreja se faz mais forte e os olhos bem atentos podem vislumbrar uma luz muito intensa que provém de uma única estrela, capaz de guiar os reis magos até o lugar do nascimento do menino Deus..."

A cidadezinha foi crescendo e a rua que leva até a Igreja foi se enchendo de outras casas, com suas luzes próprias. Muito tempo depois, uma pessoa que não conhece a cidade pode chegar a essa rua e se maravilhar com o espetáculo de luzes e cores que ela possui, mas pode perder de vista a primeira luz que já estava ali antes de todas as outras. Perguntando para alguns dos moradores mais novos da cidade sobre sua história, talvez alguns digam que tudo sempre esteve ali, pelo menos é como eles se lembram. E luz da Igreja, apesar de continuar presente, se faz menos presente na vida de cada um. 

No Natal, a Luz da Igreja se faz mais forte e os olhos bem atentos podem vislumbrar uma luz muito intensa que provém de uma única estrela, capaz de guiar os reis magos até o lugar do nascimento do menino Deus e que nos chama também para que nos aproximemos desse mistério. Mas nossos olhos não estão, muitas vezes, atentos como os olhos dos reis magos. As vezes vemos as luzes da cidade, em alguns momentos vemos uma outra luz mais forte, que nos intriga e nos enche de paz, mas logo outras luzes passam na frente e nos distraem. 

Esse é o exercício do Natal. Buscar ter os olhos fixos na primeira Luz, na Luz de Deus que se faz homem, que se faz próximo de nós. Ele é uma luz muito forte, mas que não apaga nenhuma das outras luzes, mas as concede seu brilho mais verdadeiro, as purifica e as preenche de sentido. Desde a luz de Deus podemos ver toda a cidade, com todos os seus brilhos e cores, sem nos perder em nenhum momento. Se as luzes dos homens nos impedem muitas vezes de ver a luz de Deus, é porque na verdade não são verdadeiras luzes, mas pedacinhos de trevas. 

Que nesse natal possamos ser esse caminheiro que chega à cidade iluminada com a capacidade de discernir entre tantas luzes que chamam a atenção, aquela verdadeira que é a fonte de todas as outras e que lhes confere o seu verdadeiro brilho. Que não troquemos o que é fundamental por aquilo que é secundário. Que seja Jesus a verdadeira luz que ilumine nossos corações e que a partir dele sejamos nós também luz para o mundo. Luz que ilumina intensamente mas que não apaga a luz de Deus.

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Por João Antônio Johas Leão, em Espiritualidade

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