Por Redação A12 Em Espiritualidade

Ano da Misericórdia: Misericordiosos como o Pai

No dia 8 de dezembro o Papa Francisco abriu, em Roma, a Porta da Misericórdia, dando início ao Ano Santo. Este gesto é muito rico de sentido. Além dos outros significados densos de simbolismo bíblico, ele expressa que o fiel passou para uma realidade mais intensa de graça. 

Missa de abertura do Jubileu da Misericórdia

Ele será um tempo especial para a Igreja, a fim de que ela possa haurir graças do Coração Misericordioso de Jesus e espalhá-las no mundo. Cristo como expressão do Deus invisível é a imagem do Pai das misericórdias. O seu ministério messiânico foi permeado de gestos de compaixão. “Em todas as circunstâncias, o que movia Jesus era apenas a misericórdia, com a qual lia no coração dos seus interlocutores e dava respostas às necessidades mais autênticas que tinham” (Papa Francisco – Misericordiae Vultus. n. 8).

Este deve ser também o caminho da Igreja neste início do terceiro milênio. Num mundo dilacerado pela lógica do mercado, que produz cada vez mais  excluídos, a Igreja deve ser escola de compaixão. Neste sentido ela vive a  misericórdia não só na perspectiva vertical, administrando a misericórdia divina aos homens, mas também na perspectiva horizontal ou seja, através dos seus membros ela é chamada a por em prática as obras de misericórdia.

Com atitude materna a Igreja deve estender a misericórdia a muitas categorias. O Papa Francisco convida a Igreja a dirigir o seu olhar solícito especialmente àqueles que estão nas periferias existenciais. “Neste Ano Santo, podemos fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática. Quantas situações de precariedade e sofrimentos presentes no mundo atual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não tem voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos povos ricos” (Papa Francisco – Misericordiae Vultus. n. 15).

Também aqueles que se sentem excluídos moral e espiritualmente, tem o direito de encontrar na Igreja um lugar de acolhimento e amor que os ajudem a fazer a experiência do amor de Deus. Toda a vida de Jesus foi um anúncio do amor misericordioso do Pai. A Igreja como continuadora da missão de Cristo não pode fechar o coração a pessoa alguma, por mais perdida que possa parecer. Cristo foi chamado de amigo dos publicanos e pecadores (conferir: Mateus 11,19) e também praticou a “comensalidade” com os que eram desprezados. Isto inspira a Igreja a dilatar sempre a sua ação evangelizadora em direção àqueles que são considerados moralmente perdidos. Isto não significa silêncio em relação ao apelo à conversão. É exatamente movido por este amor que acolhe, que a Igreja convida estas pessoas a refazerem sua existência, trilhando um caminho de libertação.

Nesta perspectiva horizontal da misericórdia, a Igreja deve estender a sua prática da misericórdia também em relação à natureza. Ela é chamada a resgatar a sua tradição de amor à criação. Isto não significa cair na ambiguidade de colocar em pé de igualdade a dignidade humana com a das outras criaturas, pois o ser humano é a única criatura querida por Deus por si mesma. Mas mantendo sempre em relevo a dignidade humana, como imagem e semelhança de Deus, a Igreja deve também afirmar o valor de toda criatura. 

Pe. Djalma Lopes Siqueira
Vigário Geral da Diocese de São José dos Campos

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