Por João Antônio Johas Em Espiritualidade Atualizada em 22 FEV 2018 - 09H55

Cátedra de Pedro: Autoridade e obediência nos dias de hoje?

A cátedra, na Igreja católica, é o assento que pertence ao Bispo daquela diocese. Ela representa a autoridade daquele que é chamado a ser o pastor dessa parcela do rebanho do povo de Deus. Por extensão, chamamos também de catedrático o professor titular de uma universidade, responsável por coordenar e dirigir as investigações dessa instituição. Nos dois casos, a cátedra é um sinal de algo que hoje em dia é mal visto em muitas situações. Na nossa cultura, a autoridade e a obediência não parecem estar com a popularidade em alta, mas será que continuam relevantes?

Cátedra de Pedro -  Foto: shutterstock.com

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Chama a atenção que em algumas passagens do Evangelho se diz que o ensinamento de Jesus era dado com autoridade. Ele ordenou que os mares se acalmassem, curou muitas pessoas e até perdoou pecados, coisa que só Deus podia fazer. Jesus mandava que os espíritos imundos saíssem das pessoas e os mandava calar quando gritavam que sabiam sua identidade. Jesus possui autoridade porque Ele é Deus e não um mero profeta ou a reencarnação de João Batista como alguns achavam. É uma autoridade legítima que inspira também uma autêntica obediência.

Tudo bem. É até compreensível que a Jesus lhe devamos obediência por ser Deus. Mas e aos que não são Deus? Porque obedecer? Hoje celebramos a cátedra de Pedro, o primeiro Papa. Ao Papa foi entregue a chave do reino dos céus, de modo que o que ele ligue na terra, será ligado no céu e vice-versa. É sobre essa rocha que está fundada a Igreja de Cristo. A autoridade que o Papa, hoje Francisco, possui não lhe é dada por algum humano, mas pelo mesmo Deus. É uma autoridade delegada, mas legitimada pelo Senhor mesmo. E, portanto, também podemos (e devemos) obedecer.

Mas ainda que entendamos a legitimidade da autoridade, porque nos custa tanto obedecer? Se lembrarmos do pecado original, vamos perceber que nossos primeiros pais foram desobedientes com Deus e isso lhes valeu a expulsão do paraíso. Obedecer a Deus não era um problema até que a serpente envenenou o coração dos homens com o desejo de serem como Deus sem Ele. Hoje em dia vemos a obediência como um cerceamento da nossa liberdade, da mesma forma como viram os nossos primeiros pais a proibição de comer o fruto daquela árvore do conhecimento.

 
Em busca de uma liberdade absoluta, deixamos de lado a verdade que nos é revelada por Deus. Se colocamos a nossa liberdade como um valor mais importante que a Verdade, nunca conseguiremos ser obedientes. Por isso é preciso, antes de tudo, voltar a sermos humildes para perceber que não somos capazes de discernir sozinhos o que nos fará realmente livres. Sem Deus, buscamos a liberdade e nos aprisionamos no pecado. Com Ele, obedientes a sua autoridade, e por extensão a autoridade que Ele delega aos seus ministros, especialmente o Papa, não somos menos livres, pelo contrário, somos autenticamente livres para viver em plenitude o que significa ser seres humanos.

Maria é, ao mesmo tempo, a pessoa mais livre e mais obediente a Deus. Quanto podemos aprender dela nos dias de hoje! Peçamos que ela nos ajude a viver a autêntica liberdade sendo verdadeiros filhos obedientes ao Pai que nos ama.


Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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