O batismo é o início da vida em Cristo e fonte da nova humanidade. E que nova humanidade é essa? Uma humanidade mergulhada na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. No batismo, recebemos o Espírito Santo, e é Ele que nos ajuda a vencer as seduções do espírito mundano.
Foi após o seu batismo que Jesus, conduzido pelo Espírito, foi para o deserto ser tentado por Satanás. No batismo, Jesus recebe investidura solene de “filho amado de Deus”, e assim também foi conosco: no dia do nosso batismo, nos tornamos filhos amados de Deus. A nossa vida é um grande deserto, onde o tentador sempre está à espreita para nos fazer cair nas suas tentações. Porém, o batismo é, justamente, o primeiro passo dado por cada católico para vencer as tentações.
“Se és filho de Deus”… E assim que o diabo se dirige a Jesus para o tentar. E se nós achamos que, só porque somos filhos de Deus, estamos livres das tentações, estamos enganados. Por sermos filhos Dele, passaremos pelas tentações, assim como Jesus. E é um pecado achar que nunca seremos tentados, pois é como se nos colocássemos acima de Jesus.
Durante a sua tentação no deserto, Jesus não dialoga com satanás usando suas palavras, mas sim a palavra de Deus, e esta é para nós um escudo contra as flechas da tentação que satanás lança sobre nós.
Se no momento da tentação entramos em diálogo com o tentador, caímos na tentação, porque usamos as nossas palavras. As palavras humanas não têm força contra satanás, somente a palavra de Deus tem essa força.
A diferença entre a tentação de Eva e a tentação do Senhor é que Eva dialogou com a serpente usando suas palavras, e Jesus com as palavras do Pai. Eis, então, para nós, esta grande lição: nunca usar nossas palavras para dialogar com o tentador, e sim as de Deus.
Caros irmãos e irmãs, a Palavra de Deus é o ‘pão’ que sustenta a nossa fome espiritual. Por isso, quando o diabo tenta o Senhor, pedindo para Ele transformar as pedras em pão, Ele responde que “nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”.
Satanás quer nos saciar de coisas momentâneas. Por isso, pede para Jesus transformar as pedras em um pão finito e de sustento momentâneo. Mas o tentador é cego, não enxerga que Jesus é o Pão Vivo descido do céu, que Ele próprio é o Pão da vida eterna, e quem come deste pão nunca mais terá fome.
‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’ Aqui o Senhor nos ensina que não podemos nos deixar levar pela tentação da glória humana: poder, sedução, paixões desordenadas. Enquanto Satanás quer ver um sinal de Deus se realizar, Jesus nos ensina a confiar plenamente Nele, pois Ele próprio é o sinal!
Este mesmo espírito estava em Tomé ao querer ver um sinal da ressurreição de Jesus. E este mesmo espírito pode estar em nós, quando, ao invés de confiarmos plenamente em Deus, O instrumentalizamos para benefício próprio, pedindo-lhe graças para satisfazer a nossa vontade.
O tentador sobe ao alto com Jesus para lhe oferecer o reino e a glória desse mundo, e ele o repreende dizendo: ‘Vai-te embora, satanás (…) Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a Ele prestarás culto’. Aqui, Jesus nos ensina a rejeitar a glória desse mundo. E quantas vezes a preferimos? Quantas vezes adoramos o deus do dinheiro, o deus do reconhecimento, o deus do orgulho? Quando a voz do tentador sussurrar no nosso ouvido, cabe a nós ter a coragem de respondê-lo, assim como Jesus respondeu: ‘Vai-te embora, satanás’.
O Senhor nos chama a atenção dizendo que devemos adorar somente a Deus, pois, “quando não adoramos a Deus, adoramos a nós mesmos” (Papa Francisco, na solenidade da epifania do Senhor 2020).
Para adorar a Deus, precisamos erguer o olhar, pois se ficamos com o olhar somente para baixo, vivendo de lamentação e limitação, corremos o risco do tentador acenar para nós.
Jejuando quarenta dias, Jesus consagrou a observância quaresmal e ensinou-nos que, para desarmar as ciladas da antiga serpente, é preciso usar a Boa-Nova, a palavra de Deus, que também é o principal ingrediente que destrói o fermento da maldade.
Caros irmãos e irmãs, em cada Eucaristia somos alimentados pelo pão que nutre a fé, incentiva a esperança e fortalece a caridade. Que Deus nos conceda a graça de desejar cada vez mais o Cristo, Pão vivo e verdadeiro, e viver de toda Palavra que sai de Sua boca.
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