Espiritualidade

Como vencer a preguiça segundo a fé católica?

A série Vícios e Virtudes do A12 destaca o mal da preguiça ou acídia e o caminho para combatê-la.

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Escrito por Giovana Marques

10 AGO 2026 - 11H08 (Atualizada em 10 AGO 2026 - 11H43)

New Africa/Adobe Stock

Talvez você já tenha ouvido falar no Dia Nacional/Internacional da Preguiça ou National Lazy Day, celebrado em 10 de agosto. Essa data ganhou popularidade na internet e em calendários informais como um lembrete da importância do descanso em meio à rotina agitada. Mas preguiça e descanso são a mesma coisa?

É muito comum relacionar o descanso com a preguiça, porém são duas coisas diferentes. Descansar é uma necessidade do corpo e da mente em repor suas energias, enquanto a preguiça é a negligência, ou seja, o abandono habitual do dever. Para o cristão, é fundamental saber diferenciar as duas realidades a fim de não cair no pecado capital.

Na sequência da série Vícios e Virtudes, você vai entender que sim, a preguiça é um pecado capital, também conhecida como acídia, que, do grego, significa “falta de cuidado”. Por isso, ser preguiçoso vai muito além de “não querer fazer nada”; é um estado de negação para realizar o bem e coisas que são importantes.

Para muitas pessoas, esse comportamento é visto como inofensivo; contudo, a fé cristã, seja pelas Sagradas Escrituras ou pela sabedoria da tradição, nos ensina que, além de ser um mal, a preguiça é uma porta de entrada para outros pecados. Sabe aquele famoso ditado “mente vazia, oficina do diabo”? Então, a ociosidade pode nos levar a decidir mal.

Afinal, como identificar se estou sendo preguiçoso(a)?

O Papa Francisco, em suas catequeses sobre os vícios e as virtudes, explicou que a preguiça é uma tentação perigosa, com a qual não devemos brincar, pois as vítimas são como que “esmagadas por um desejo de morte”. Forte, não? Parece exagero, mas vamos entender, a partir dos efeitos a seguir, por que não é:

1. A pessoa tem aversão a tudo;
2. Sua vida perde significado;
3. Sua relação com Deus torna-se tediosa;
4. Ela lamenta o tempo que ficou para trás e não agiu.

““Se alimentamos paixões na nossa juventude, agora elas parecem ilógicas, sonhos que não nos tornaram felizes. Então, deixamo-nos levar e a distração, o não-pensar, parecem ser a única saída: gostaríamos de ficar atordoados, ter a mente completamente vazia... É um pouco como morrer antecipadamente, e é horrível!”” Papa Francisco

Esses comportamentos, efeitos da preguiça, levam, segundo Francisco, a uma consequência maior que deve ser o principal motivo pelo qual devemos lutar contra ela: “o preguiçoso não realiza a obra de Deus com solicitude”. É como a parábola dos talentos, que mostra que a cada um Deus confiou talentos para render, mas nem todos realizam.

Shutterstock Shutterstock

Como vencer a preguiça?

O primeiro passo é se dar conta de que este vício é perigoso. Depois, é possível buscar as virtudes contrárias, como a paciência da fé e a diligência. A primeira, de acordo com o papa, seria ter a coragem de permanecer e acolher a presença de Deus no agora, já que a acídia leva ao desejo de estar “noutro lugar” e fugir da realidade.

““O demônio da acídia quer destruir precisamente esta alegria simples do aqui e agora, o temor grato da realidade; quer fazer-nos acreditar que tudo é vão, que nada tem sentido, que não vale a pena preocupar-nos com nada e com ninguém”” Papa Francisco

Já a diligência, que significa o zelo, o cuidado ou rapidez para realizar algo, é outra virtude importante para vencer a preguiça. A raiz da palavra no latim, “diligere”, significa amar. Ou seja, uma pessoa diligente realiza as coisas por amor, especialmente o trabalho diário, que ganha novo sentido, pois entende que trabalhar é participar da criação de Deus.

A dica prática para começar agora mesmo, sem mais perder tempo, é reconhecer o valor do trabalho e dos dons que você recebeu, além de, como afirmou o Papa Francisco, “conservar as brasas da fé”, sempre que a tentação da preguiça se aproximar.

Qual santo pode me ajudar na luta contra a preguiça?

Para auxiliar nessa caminhada, podemos contar com a intercessão e exemplo de três grandes santos: São Bento, Santo Afonso Maria de Ligório e São Josemaria Escrivá.

São Bento criou a regra de vida Ora et Labora (Reza e Trabalha), unindo fé e trabalho a fim de manter corpo, mente e espírito ativos. Já Santo Afonso, grande mestre espiritual, nos ensina a não perder tempo. Em vida, este santo, que é Doutor da Igreja, fez o propósito firme de aproveitar cada minuto do seu dia sem desperdício.

Por fim, São Josemaria ensina a todos, especialmente nos tempos de hoje, a importância de santificar o trabalho e o cotidiano:

““Obstáculos? … Às vezes, existem. — Mas, em algumas ocasiões, és tu que os inventas por comodismo ou por covardia. — Com que habilidade formula o diabo a aparência desses pretextos para que não trabalhes…!, porque sabe muito bem que a preguiça é a mãe de todos os vícios.” ” São Josemaria Escrivá Sulco 505

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Fonte: Santa Sé

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