Por Craig Kinneberg Em Espiritualidade Atualizada em 06 ABR 2020 - 10H17

É possível viver profundamente a Semana Santa durante a quarentena?

Sem dúvida, a Semana Santa este ano será diferente para todos nós; não podemos negar isso. A experiência de segurar os ramos e proclamar a entrada de Jesus em Jerusalém no Domingo de Ramos; a beleza de celebrar e comemorar a Última Ceia de Jesus, quando lava os pés dos Apóstolos e institui a Eucaristia, na Quinta-feira Santa; penetrar no vazio e na escuridão da morte de Cristo na Sexta-feira Santa; e o júbilo sentido e vivido pela Ressurreição de Jesus, vitória sobre a morte, no Domingo da Páscoa; todas essas são experiências que fazem parte da vivência da nossa Semana Santa todos os anos. Diante disso, naturalmente surge a pergunta dentro de nós: “e este ano, será que vou poder viver a Semana Santa da mesma forma?”.




Como eu afirmei no início desse artigo,
não podemos negar que a Semana Santa vai ser diferente por causa da quarentena. Eu não quero dizer que tanto faz celebrar esses dias santos participando das liturgias numa igreja, podendo receber os sacramentos, ou participando através de uma transmissão na minha televisão; há uma diferença, e o ideal é o primeiro. Porém, nos encontramos numa situação na qual o ideal simplesmente não é possível, e, diante dessa situação, me parece fundamental fazer as seguintes perguntas: “Senhor, o que queres me dizer através de tudo isso? Como queres que eu viva este ano a Semana Santa?”. Diante dessas perguntas, talvez o Senhor responda de uma forma diferente para cada pessoa, mas eu gostaria de colocar algumas ideias que acho que podem ajudar.

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Em primeiro lugar, devemos deixar claro que o núcleo da Semana Santa é a nossa participação na Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Não se trata de uma mera lembrança de um evento histórico que aconteceu há 2000 anos, mas de nossa inserção nesse evento, que se atualiza (se faz presente hoje). Por mais que essa atualização se realize normalmente na celebração litúrgica, e que não possamos estar presentes nessa celebração, podemos, a partir das nossas próprias casas, entrar no espírito desses eventos da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Trata-se, portanto, de uma participação muito mais interior do que exterior, e, por mais que não seja o ideal, posso fazer isso a partir da minha casa, junto com a minha família, em espírito de oração.

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Para viver essa participação interior nesses dias santos, será de muita utilidade e ajuda
acompanhar as celebrações litúrgicas através da internet. Isso nos ajudará a entrar no espírito da celebração, e a interiorizar aquilo que a Igreja toda está vivendo nesses dias. Junto com isso, possivelmente haverá algumas meditações que podemos escutar. Outra ideia é rezar o terço (individualmente ou em família) e meditar sobre as leituras bíblicas de cada dia. Jejuar e se abster de carne na Sexta-feira Santa, que é uma obrigação por parte da Igreja para todos os católicos, certamente ajudará também a entrar no espírito da Paixão do Senhor. Enfim, são muitos os meios que cada um pode fazer para viver mais profundamente a Semana Santa este ano em casa.

 Finalmente, vale a pena acrescentar o fato de que a situação pela qual estamos atravessando por causa da pandemia é uma verdadeira cruz para nós. Uma vez que um aspecto fundamental da Semana Santa é viver a experiência da cruz, junto com o Senhor, não será em vão unir os nossos sofrimentos atuais ao sofrimento de Cristo. Sabemos, porém, que a cruz e a morte não tiveram a última palavra sobre Cristo, pois no Domingo Ele ressuscitou. Ânimo então, meus irmãos, porque através da cruz que vivemos, virá a glória da Ressurreição.

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Escrito por
Craig Kinneberg (arquivo pessoal)
Craig Kinneberg

Nasceu na cidade de Spokane, no estado do Washington, nos Estados Unidos, e se mudou a Phoenix, Arizona quando tinha 13 anos. Aos 20 anos de idade, ingressou no Sodalício de Vida Cristã e morou no Peru durante 3 anos para sua formação inicial. Em 2013, se mudou a São Paulo, Brasil, onde atualmente reside, ajudando na missão apostólica da Família Sodálite, especialmente no projeto catequético e fazendo trabalho pastoral com jovens. Completou os estudos filosóficos e teológicos em vistas ao sacerdócio.

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