Há muitas curiosidades que cercam as tradições da Igreja Católica, algumas milenares, e das quais nem sempre a gente conhece a história. Em 2014, por exemplo, no dia da Santa Inês, o Papa recebeu dois cordeirinhos de presente. Dois belos exemplares da raça ovina, de lã branca e pura, criados pelos monges trapistas em Roma.
Mas quem daria ao Papa duas ovelhinhas exatamente no dia de Santa Inês? E qual a serventia de tal presente?

Comecemos pela raiz dessa história, Inês. A santa que celebramos no dia 21 de janeiro morreu martirizada nos começos do cristianismo. Foi decapitada porque se negou a adorar deuses falsos e a oferecer seu corpo à prostituição. Tinha apenas 13 anos.
Inês é representada tendo ao colo um cordeirinho branco, sinal de pureza e inocência. Aliás, seu nome já é um sinal de pureza, afinal Inês, Ignes, Agnes… e chegamos ao grego Agné, que significa puro, casto e também cordeiro. Agnus Dei, Cordeiro de Deus, Inês de Deus!
Bom, nesse ponto já conseguimos relacionar Inês aos cordeirinhos. Mas por que o Papa os recebe de presente? Esta é outra história, que remonta às origens da Igreja.
Os cordeiros e o pálio
A Igreja retira desses dois cordeiros, ofertados no dia de Santa Inês ao Papa, a lã para a confecção do pálio (O que é isso? Calma, já vamos explicar!). A responsabilidade pela tosa das ovelhas e pela confecção desta peça, usada somente pelo Papa e pelos arcebispos ao redor do mundo, é exclusividade das monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Cecília, também em Roma.
Antes de serem entregues ao Papa, estes cordeiros foram consagrados na missa em memória a Santa Inês, na basílica a ela dedicada, fora dos muros da cidade.
Essa tradição foi novamente recordada recentemente no Vaticano, quando dois cordeiros foram apresentados ao Papa Leão XIV, na Capela de Urbano VIII. Os animais, como prevê o costume da Igreja, serão abençoados por ocasião da memória litúrgica de Santa Inês.
A lã desses cordeiros será utilizada na confecção dos pálios destinados aos novos Arcebispos Metropolitanos, mantendo um rito que atravessa séculos e liga simbolicamente o martírio de Santa Inês à missão pastoral confiada aos bispos.
O sentido do pálio na Igreja
Tanto detalhe e simbolismo somente para confeccionar um pálio? Oras, mas é justamente o pálio que distingue, na Igreja, alguns homens designados para manter unida a fé. Esse distintivo é reservado somente para o Santo Padre e para arcebispos.
Essa faixa, cuja origem parece nos remeter a uma espécie de manto usado pelos pastores para carregar as ovelhas feridas nos ombros, é hoje sinal de caridade e cuidado que os líderes da Igreja devem ter com o povo de Deus.
Mas, afinal, o que é o pálio?
Para você que ainda não conseguiu identificar, o pálio é uma espécie de colarinho com duas pontas, no qual são bordadas seis cruzes e colocados três alfinetes. Esta peça da vestimenta eclesiástica é feita exclusivamente com a lã dos tais cordeirinhos.

Tudo na Igreja tem uma história, uma raiz, uma explicação. Quando você vir o Papa, ou um bispo, ou um arcebispo com seu pálio no pescoço, você se lembrará que aquele colarinho branco, mais do que um simples ornamento, é o símbolo usado por alguém que tem a missão de colocar nos ombros a ovelha ferida, conforme os ensinamentos do mestre Jesus Cristo.
Saiba mais sobre Santa Inês!
Mistérios da fé: dicas para viver o aspecto social da Quaresma
A Quaresma só é completa quando une oração e penitência à caridade, fortalecendo a conversão e o compromisso social de cada um.
Bicentenário de Acordo Brasil–Santa Sé mobiliza Conselho da CNBB
Reunião em Brasília trata da Assembleia Geral, projetos pastorais e celebra o bicentenário das relações diplomáticas com a Santa Sé.
É possível amar a Deus e dizer-se ateu? Papa explica!
Papa responde a um homem que se diz ateu e levanta uma questão central sobre fé, dúvida e a busca por Deus no mundo atual.
Boleto
Carregando ...
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Carregando ...
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.