Existe uma reflexão muito conhecida no meio cristão que desafia o nosso senso comum: "O oposto da fé não é a dúvida, mas o medo".
À primeira vista, fomos habituados a pensar que o grande perigo para a nossa vida espiritual é a incerteza. Julgamos que quem tem fé nunca hesita, e que a menor sombra de questionamento já seria um pecado grave contra Deus.
No entanto, quando mergulhamos na Sagrada Escritura e na doutrina da nossa Igreja, descobrimos uma realidade bem diferente: o oposto da fé não é uma mente que faz perguntas, mas um coração paralisado pelo pavor.
Para compreender essa dinâmica, precisamos aprender a distinguir a dúvida honesta do medo que nos escraviza.
A dúvida, muitas vezes, é apenas a nossa inteligência tentando digerir a imensidão do Mistério Divino. Quando São Tomé disse que precisava ver as chagas de Jesus para crer (Jo 20, 25), ele não estava rejeitando o Senhor; ele estava lidando com o impacto de uma notícia que superava a lógica humana. Jesus, em Sua infinita misericórdia, não o afasta, mas o convida a aproximar-se e tocá-Lo.
A busca por respostas pode ser o motor de uma fé mais madura. O Catecismo da Igreja Católica (CIC §158) esclarece perfeitamente essa harmonia:
"Se bem que a fé esteja acima da razão, nunca pode haver verdadeiro desacordo entre elas. O mesmo Deus que revela os mistérios e infunde a fé dotou o espírito humano da luz da razão."
O medo, por outro lado, opera de forma destrutiva. Ele não quer compreender; ele quer se esconder. É o medo que faz Adão e Eva correrem para o meio das árvores após a queda: "Ouvi o teu passo no jardim e tive medo [...] por isso me escondi" (Gn 3, 10). O medo rompe o nosso vínculo de filhos e gera a desconfiança, que é a raiz de todo pecado.
Nos Evangelhos, Jesus manifesta uma paciência imensa com as fraquezas e perguntas dos Seus discípulos. Ele explica as parábolas, abre-lhes as Escrituras e acalma seus corações.
Contudo, a advertência de Cristo torna-se firme quando os discípulos se deixam dominar pelo pavor. No episódio da tempestade acalmada, enquanto os apóstolos gritavam desesperados achando que iriam morrer, Jesus repreende o vento e faz um diagnóstico que vai direto à alma deles:
"Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?" (Mc 4, 40)
Jesus não os critica por não entenderem como o barco flutuava ou os planos divinos para aquela viagem; Ele aponta que o medo paralisante era o sinal visível de que faltava confiança na Sua presença protetora.
A nossa fé não é apenas acreditar em verdades abstratas, mas sim uma entrega confiante à Pessoa de Jesus Cristo. Quem ama, confia. Por isso, o apóstolo São João, em sua primeira carta, resume o remédio para o coração assustado:
"No amor não há temor. Pelo contrário, o perfeito amor lança fora o medo, porque o medo implica castigo; e aquele que tem medo não é perfeito no amor." (1 Jo 4, 18)
O medo nos faz olhar para Deus não como um Pai amoroso, mas como um juiz severo à espreita de um erro nosso para nos castigar. Esse medo escravizante seca a nossa vida de oração.
A nossa fé, fundamentada na graça do Batismo, nos libertou dessa opressão. Como nos ensina São Paulo: "Vós não recebestes um espírito de escravos para recairdes no medo, mas recebestes um espírito de filhos adotivos, pelo qual clamamos: 'Abba! Pai!'" (Rm 8, 15).
Vencer o medo não significa ter uma vida sem problemas ou nunca sentir o impacto das crises. Significa não permitir que o temor governe nossas decisões e paralise a nossa caminhada com Deus. Na nossa rotina cristã, fazemos isso através de três caminhos:
Ter fé não é possuir um manual com todas as respostas exatas para o futuro. Ter fé é caminhar sabendo que Deus está ali. Quando o desânimo ou a incerteza tentarem paralisar os seus passos em direção ao Altar, lembre-se da ordem que o Senhor deu a Josué e que hoje ecoa para você:
"Não te mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares." (Js 1, 9)
Não tenha medo de apresentar suas dúvidas e limites ao Senhor em oração; mas tenha a coragem de, apoiado na promessa de Sua presença constante, dar o próximo passo na sua caminhada de santidade. E peça sempre o auxílio de Nossa Senhora, que é Mãe, Intercessora e Auxiliadora!
Fonte: CIC/ Diário de Santa Faustina/ C. S. Lewis
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